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Naufrágios da Alma

@yuryvinicius · desde 2022

"Santos & Profetas do Amor" "Correntes em Resistência, Prisão, Braços & Além" "Céus entre Leões & Micael Novo" https://www.linktr.ee/yuryvinicius

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Pérolas aos porcos

Ela não sai do lade dele, pq ela sabe que tem o controle sobre ele Pq ele não quer perder a esposa, caso ela diga que eles ficaram juntos Caso ela seja expulsa da família, então falar tudo para a esposa dele Por isso ela fica do lado dele, mesmo na frente da mulher Sai da própria casa, pra ir pra casa dele. E não se importa de ficar ao lado dele mesmo com a mulher por perto Porque uma esposa é uma amiga, uma companhia pra andar juntos, fazer coisas juntos, trocar ideia Mas ela não tem isso e pensa que pode encontrar isso com o marido de outra Pra poder continuar com seu jogo, de manipulação de todos Encontrou ali seu lugar em meio de máscaras e esconderijos Ela finge que é a vítima, a inocente no meio de todos ali ao redor Porém ela controla a mente deles, e faz de trouxa um homem bom, aquele outro que a ama A esperar que ela veja um dia seu valor, em vez de enganar ele como ela faz A custa de uma mentira, para não perder suas companhias, seu medo de ficar sozinha É capaz de enganar a ele, e a si mesma para não perder o jogo seu domínio Então ela vem me perguntar se fico bravo, com tudo isso que faz ela me faz Me surpreende sua reação tão inocente de fingir que estou surpreso com sua pergunta Com seu hábito de se esquivar de seus erros, ela diz que a deixei brava e diz que tudo acabou Me pergunto que maldades faço, expondo meus sentimentos íntimos Mesmo que para ela pouco importa. Como me sinto, como me machuca, como me deixa Para ela é um jogo, uma prisão que lhe foi imposta, talvez intensamente Oque lhe resta, é o habito de emoção. E a busca por isso a faz se perder A busca por um jogo perigoso de aventuras proibidas a faz ignorar suas verdadeiras vontade Em troca disso me perde aos poucos, mesmo que dessa vez eu mesmo a não queira mais vê-la Sinto que nas suas voltas, ela voltará para minha casa, quando suas máscaras caírem Ou quando sentir que perdeu sua sua única pérola numa lama de porcos

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A ponte para o início

Poço de mentiras Escavado em palavras mal feitas Onde os mortos são esquecidos Meu coração se torna vidro Minhas mãos a agulha Que costura seus lábios Tantas línguas sem coragem Abraçadas na falsa versão da verdade Se fecha meus dedos para a próxima cena Ela me bate mais não reajo Mas logo então sinto todos os desejos Que no silencioso caos me esfria A costura dos meus ossos ocos e quebradiços Certamente nas maiores ilusões da insônia Um ser como eu diante da fúria Da mulher asquerosa que foi morta Ela se entrelaça nas minhas assas abertas Fisgando meu peito por saber dos malditos Onde o ar me engana na revoltante noite Que sorte dos mais fracos sem entender Daqueles que tomam do vinho e naúfragam Eu porém no amplo ar sou prisioneiro Perante as ondas do sol que me queimam Nas areias que me trazem seus seios Me deixando as margens de uma bela ilha Onde vejo além do que pode alcançar os olhos Sobrenatural como as folhas de uma árvore De tantas que seu sabor me perdeu Oposto aos animais que são perfeitos Eu cairia facilmente nas garras de um felino Na própria ruina das catedrais do deserto São vazias embora aos detalhes do invisível Basta um ar nas rachaduras que eu me vejo Como mais um daqueles postes de sangue Que são estranhamente atraentes e terríveis

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Envangelho de cicatrizes

...Ojos pero la vida en solitude Armadilha que me trai Me amando sem âncora Imoral com sua boca Serena presa dessa oferenda Serão refeitas vejo promessas espinhos Lapsos no clímax da noite: Pula de uma boca a outra Sem me ver em decaimento Vedes sobre os olhos do meu âmago Rebaixam os compassos de meu viver Como eu nos rios negros da solidão Exato não sei quem vem ou foi... Terei medo por sentir tanto quanto antes Quão fraco meus dedos se atiram dos céus Tomei abandono total de eu por mim E no espelho tem um ser vazio por dentro Cavalos na colina e anjos caídos na lama Sobre aquele sítio de dores latentes Despertam os mortos floridos no quintal A seguir em supor tanto mal que amortece Tortura de saber mãos sanguinárias vindas Folhas verdes traçam de fios brancos que Pingando mel na calha dos meus braços No olhar místico que dobra as terças Cada linha amarrada nos galhos mais frágeis Faz lembrar tanto o dia o cenário que assei Ontem escorrida da minha faca afiada Dois pássaros que antes um me foge Soprou da bolsa oque resta da minha alma Colunas para ostentar castelos de açúcar Meus olhos de rio facilmente se diluem Onde os caminhos obscuros me levaram A dois assassinos na esquina da agulha Para suas máscaras me fazerem deitar-me Outra o primeiro passo que dei em fuga Em torna quebra tão linda nesse breu absoluto Vazando na lama meus vasos de sangue Riscando meu nome sagrado desse memorial Para chorar aos céus gritando que fui fraco Dizendo que fui mais um daqueles filhos Que no silêncio foram sujos como porcos Por ferir a eles mesmo sabendo que faríamos Em buscar sua própria ruína em amantes Tudo naquilo que fez constituir um exemplo: "Anjos vítimas da natureza desse ser desprezível"

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Corações de Porcelana

Vai ver que não fazia parte Se fez No esboço final das relações e as bifurcações pelo caminho Vai ver que não teríamos que escolher porque não escolheríamos corretamente Ou se vai Sem poder realizar grandes feitos eu fui dormir em mim mesmo e acordei com saudades Previ o fim Com saudades das primeiras bifurcações atemporais Tomar sorvete de chiclete e voltar pra casa enquanto ainda era casa Pra onde eu volto? Casa em silêncio Seu desejo não faz ser real eu perdi algumas razões nas esquinas Perdi o medo de perder minha vida e ganhei razões pra ter medo de perder a sua… Tudo isso no mesmo dia E as perdas? Pai o que eu faço? Como lido com a ausência da minha alma e o vazio que não pode ser preenchido? Como eu faço pra existir em um sentimento que já não sinto? Como faço pra expressar uma emoção que não carrego comigo? Afundo as 3 horas Aonde eu anoto os poemas que nunca disse? Eu perdi a hora de acordar pra vida Acordei tarde e agora quero voltar a dormir antes mesmo de acordar Com seu puxão de orelha familiar Eu não conheço nada do que deveria saber E ainda sei que não devo conhecer Se quiser dormir o pouco que ainda me permitir Qual a necessidade de escrever grandes versos complexos que expressam minha falta de ânimo crescente se quem escuta não entenderá nem sequer verá sentido? Derramo minha alma para porcos famintos Qual a razão pela qual mesmo sabendo disso ainda repito? Tal gosto de sangue na atmosfera vermelha do meu quarto Eu expresso minha indecisão com dizeres poéticos Paralisado na angústia de um sono sem valor Que independe do dia ninguém vai perceber Mas grande na calamidade Tamanho o sofrimento Não justifiquem minhas dores e façam jus as minhas lágrimas Clamo em aos céus por respostas Porém minhas lágrimas secaram E meu peito se tornou pedra Muito antes de por mim você ser salvo Autor Arthur Vinícius (Edição Yury Vinicius)

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Teatro dos vampiros

O grão distorcido No eco da imensidão Eclipse raiou Negrume no no alto da serra Poeiral a volta do casebres Corpos brancos a luz do luar Cintilam ao meu ver Sobre a toca da raposa Quando se ouve um grito A floresta se fecha Levando a alma dos santos Que foram pregados na cruz do altar As moças virgens são arrastadas Em direção ao fúnebre abismo Onde na calamitosa solidão eu habito Dispersão de prazeres da carne Onde o vinho derrama seu sangue E todo vazio se transforma em suor Acende então uma vela que me tortura Sua figura num anjo sem asas Pela primeira vez sinto medo da morte Pois as dores que causei  são estranhas A cada mordida você chama meu nome E quando as tochas gritam por mais Sinto que você já está sem vida Com olhos vermelhos e obscuros Talvez mais cedo que fosse pecado Me surpreende seu coração ser calmo Diante das minhas mãos sanguinárias Ressalto sobre seu peito meus dentes Impresso como runas que escrevo As sombras do inferno dos desejos Navegarei nos seus rios sem destino Até sentir ela engolir minha língua Penetrante sem dores mais brandas Fazendo até os ossos tremerem nus Onde suas coxas me dobram no meio Descubro que era virgem na sua flor Então com cuidado e fúria te desmancho Para que as correntes não se quebrem E todo seu mel caia para fora de mim Pretendo encontrar essas horas o luar E novamente sua língua tocar meus lábios Subindo até ver a espada que se erguerá Qual  intruso não venha atirar sua prata Mas esperem até eu naufragar este barco De forma presente que nunca se viu antes Por onde eu lhe tocar você acorde assim Pronta para ser possuída por mim outra vez Nos telhados ou na argila que nos acolher Faremos a terra tremer perto de uma igreja E não haverá homem que mantém sua fé Ao ouvir os gritos de lascivo impuro prazer Então as nuvens que caíram dos seus olhos Virão tornar-se-á farto sangue pra mim beber

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Cemitério dos Ratos

Cordial habitação Trânsito de mansos floristas Bancos que desencanto os vasos Suave quando acariciada por mim Senhor das lágrimas menos nos têm Propõe um termo servir com serenidade Cartas prontas aos pés voadores fugaz A cabana inóspita de corações aquecidos Tocasse o sino onde minhas letras te seduzem Enfeitiço sua mente com acalento poder Suas noites de Lua jamais foram tão vazias Embora ontem precisei esquecer seus beijos Esmeraldas Ágata Safira me envenenam As sombras dos desejos mais terrenos e sujos Meu prazer é deixar-te numa cabana sem luz Cega diante do meu corpo marcado por víboras Perante tanta ingênua promessa de viver Escravo mas temente de uma forma irreal As correntes imundas escritas com meus dedos Professam o meu pior medo no lago do amanhã Surgirão as seis bolhas de sangue do sacrifício Que fumegante no fogo de sua paixão ardente Chega invade até as nuvens vermelhas do céu Dos vales quem olham se tornam amantes sós Mas quem foge vira pedra por tamanha imersão Corações mundanos incêndios de pura maldade Se ora me detém seus lacaios por tal mérito Sou vilão por trazer a terra a vista de um Éden? Mesmo para os indignos mortos sem ler poesias Quem me transpôs a agulha com tanta revolta Ignora que nas obscuras trevas sua luz me queima Então me sobra a distância de não saber amar Fruto caído de seus lábios que os sentir antes São meus últimos desejos antes de te esquecer Quando todas as espadas deixam-me igual eles Tão mortos que nem buscam ver além da vida Entrego minha carta para você como um beijo Que no silêncio é a única coisa que me sobrou Surgirei imperfeito nos altos do rio que inunda Pra na próxima noite ser a vela que você soprou E novamente eu ser a causa desta fonte de amor

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Desventuras poéticas com vinho

Antes nada eu podia ver Olhos como esmeraldas Tocam si mesmas e quebram Um corpo calejado se esfria Peço aos vivos mais esperança Onde surgem os céus da paixão Sou mais um poeta que naufraga Pelas costas de uma maré mansa Olhei para cima e implorei por você Galhos altos tomam conta da torre Para que os intrusos não subam Semanas em forma de dias ao fim Prestes com fúria sua linda papoula Os cata-ventos respondem por verdes Dentro da cúpula inerte aos desejos Me tortura saber que viver é deixar-te Dizia os místicos presos na masmorra Frente a morte de sua misericórdia Joelhos sem solas que sangram sós Impotentes quanto eu diante da vida Prefiro fugir da rua rassalto na margem Será que me deixei a sereia vem a mim De olhos verdes serenos doces selvagem Com suas garras dobrando meu pescoço Meus olhos se fecham antes do sal Sua boca sopra todas minhas dores Perante as ondas que rasgam minha roupa Sinto que não escrevi entre o bastante Quão vazio perto das más raízes daqui Não me deixa perecer de forma tão bela Assustar os ossos serem de serpe de lua O destino com inveja me cospe na praia Tens algo contra mim um parente próximo Sua voz me comove de tanto ser pura Era as nuvens ou algo encima delas nú Quem me vê de um jeito tão vulnerável Reescreve minha mão com tamanha ternura Pronta a rasgar sobre a mesa minha carne Qualquer prazer disporia de seu interesse Pois tenho certeza que uma hora serei teu Contra toda folha em branco de gotejos Sobre uma possível injusta causa sem luz Diante desse cenário que me faz sofrer Respiro sua razão sem beijar teu pés Calmaria após meu suspiro acalmar o rio O monte tremeu e meu peito se fechou Talvez as causas profundas de má sorte Sejam como diz aquele velho prisioneiro Os pensamentos de alguém que os prevê Sem entender sua maré é um coração frio Que atraí justo oque lhe causa tanto medo

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Carta na garrafa

Oque me tenta é o mar Porque em verdes sereno Se fosse calmo era eu A história é sobre ter sorte Mas seus olhos castanhos Não espero ser visto longe A terra que deixo pra trás Jangada para os mortais Trazido para as costas De que me valem as pedras Algum poeta acendeu ali Sob o manto deitou na areia Mesmo sem ver as redes Cobriu a terra nas suas feridas Oque sugere afirma as garras Sentiram os ossos debruçar-se Num misto de dor e prazer Lançada as ondas por menor Ou na sua razão era um abismo Saber exato se haverá de viver Oposto a tudo que escrevi dela Suplico aos reis quem me vedes Terá como rezar para um homem? No estreito dessa minha vida sã Essa garrafa tocou meu umbigo Mas não me salvará dessa ilha

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"Voce ainda é o rei"

Sol razante raiou no arvoredo Na sombra calada Uma figura intrigante Ela olha pra mim Sonda-me a distância Oque faço agora O selvagem desperta Meus botões abertos no ar Sobre a cortina de poeira Um mártir em total silêncio Quem foste antes de partir No calor que castiga indefesos O impossível me traz a ilusão Entre ontem, hoje e o fim Das velas que queriam sem saber Como se recostar pra não cair Nas horas que teus olhos pra mim Foram castanhos cachos de fogo Enquanto o calor que fazia suar Suspirei com dor no corpo trêmulo Embora eu não seja ninguém Ainda luto pra ter vida outra vez Mesmo sem ter ninguém para amar Vazia manhã calma de um dia triste A miragem que ignorei me fez chorar Voltei pra casa ao fim da cerimônia Mesmo que não quisesse ter ido Agora noites são total dessa sombra Cruéis mais uma vez vou esquecer Quando meu corpo voltar a vida Espero que até o fim desse mês

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Tempo de gripe

A brisa sopra sobre meu nariz O dia é calmo e fresco Diferente do meu coração Inquieto em febre A luz é quente me arrepia As folhas dançam se estivessem vivas Isso é mais que divino O vento sopra outra vez Vai levando minhas dores Meu corpo para num segundo Toque sua mão no meu rosto Se você sentisse o mesmo que eu Nem a lua diante do sol me abandonaria Hoje é o dia da sua visita Me parece que o dia celebra Então espero no meu lugar O fim de mais um ano Eu queria correr em qualquer direção Ou subir a escada pra pegar um coco Mas olhei pra cima e tive medo O sol está radiante Num lugar mais longe de mim Talvez tudo isso um dia vai passar Eu espero com uma gota de fé Porque o ontem já se foi E amanhã eu espero estar melhor Eu não me apresso pois o tempo voa

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