Naufrágios da Alma @yuryvinicius

Teatro dos vampiros

O grão distorcido No eco da imensidão Eclipse raiou Negrume no no alto da serra Poeiral a volta do casebres Corpos brancos a luz do luar Cintilam ao meu ver Sobre a toca da raposa Quando se ouve um grito A floresta se fecha Levando a alma dos santos Que foram pregados na cruz do altar As moças virgens são arrastadas Em direção ao fúnebre abismo Onde na calamitosa solidão eu habito Dispersão de prazeres da carne Onde o vinho derrama seu sangue E todo vazio se transforma em suor Acende então uma vela que me tortura Sua figura num anjo sem asas Pela primeira vez sinto medo da morte Pois as dores que causei  são estranhas A cada mordida você chama meu nome E quando as tochas gritam por mais Sinto que você já está sem vida Com olhos vermelhos e obscuros Talvez mais cedo que fosse pecado Me surpreende seu coração ser calmo Diante das minhas mãos sanguinárias Ressalto sobre seu peito meus dentes Impresso como runas que escrevo As sombras do inferno dos desejos Navegarei nos seus rios sem destino Até sentir ela engolir minha língua Penetrante sem dores mais brandas Fazendo até os ossos tremerem nus Onde suas coxas me dobram no meio Descubro que era virgem na sua flor Então com cuidado e fúria te desmancho Para que as correntes não se quebrem E todo seu mel caia para fora de mim Pretendo encontrar essas horas o luar E novamente sua língua tocar meus lábios Subindo até ver a espada que se erguerá Qual  intruso não venha atirar sua prata Mas esperem até eu naufragar este barco De forma presente que nunca se viu antes Por onde eu lhe tocar você acorde assim Pronta para ser possuída por mim outra vez Nos telhados ou na argila que nos acolher Faremos a terra tremer perto de uma igreja E não haverá homem que mantém sua fé Ao ouvir os gritos de lascivo impuro prazer Então as nuvens que caíram dos seus olhos Virão tornar-se-á farto sangue pra mim beber

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