Naufrágios da Alma @yuryvinicius

A ponte para o início

Poço de mentiras Escavado em palavras mal feitas Onde os mortos são esquecidos Meu coração se torna vidro Minhas mãos a agulha Que costura seus lábios Tantas línguas sem coragem Abraçadas na falsa versão da verdade Se fecha meus dedos para a próxima cena Ela me bate mais não reajo Mas logo então sinto todos os desejos Que no silencioso caos me esfria A costura dos meus ossos ocos e quebradiços Certamente nas maiores ilusões da insônia Um ser como eu diante da fúria Da mulher asquerosa que foi morta Ela se entrelaça nas minhas assas abertas Fisgando meu peito por saber dos malditos Onde o ar me engana na revoltante noite Que sorte dos mais fracos sem entender Daqueles que tomam do vinho e naúfragam Eu porém no amplo ar sou prisioneiro Perante as ondas do sol que me queimam Nas areias que me trazem seus seios Me deixando as margens de uma bela ilha Onde vejo além do que pode alcançar os olhos Sobrenatural como as folhas de uma árvore De tantas que seu sabor me perdeu Oposto aos animais que são perfeitos Eu cairia facilmente nas garras de um felino Na própria ruina das catedrais do deserto São vazias embora aos detalhes do invisível Basta um ar nas rachaduras que eu me vejo Como mais um daqueles postes de sangue Que são estranhamente atraentes e terríveis

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