A pequena rama que desce a colina, de nobre sêda ornada...
Passos míudos que tocam a grama, percebendo cada gotícula penetrando os poros.
Abrindo rios, e até mares, internos!
Sangrando lágrimas e contentamento.
Despejando o jôrro da inocência,
na cara de quem julga como centro o domínio de si mesmo.
Breve passageiro, em tão breve vôo.
Tanto a fazer, para tão curto tempo.
Onde ir primeiro?
Ou pelo menos diga-me onde ir!
Já não diga, por gentileza(...)
porque é só que descubro...
que nasci só...
que morro só...
que a solidão é real...
que ninguém entende,
por quê não ha o que ser compreendido.
Este mundo todo é um vazio,
por mais que eu tente não preencho!
Por mais que eu tente... é tentativa!
Se acerto ninguém precisa saber!
O poema de versos extensos, branco...
De rima ausente...
Fluentemente,
cede-lhes o favor,
De contar a boca míuda,
que a cognição humana
é um martírio!
Que a mente é um alto cerro,
Hostentando um tétrico cenário...
Onde o 'eu' imperador,
viceralmente,
sufoca
a mim mesmo.
12/jan/2018
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É bastião
Por um tanto assim
Vai na marmita
Retira o banzo
O ranço
A fome
Fecha os olhos e come
Por que se demorar
some!
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Como quis ouvir,
-oi amor, fiz café!
-acorda, estamos atrasados!
-desliga o despertador
É domingo!
Não gostamos de missa,
Nem de visitas!
Hoje é dia de faxina...
Fiz chá pra te esquentar,
Camomila pra acalmar!
Ta ansioso, quer conversar?
Me abraça por favor tô com medo!
Calma...
Estou aqui
...
Amores são promessas fúteis
Mas como quero essa futilidade...
Se ao menos fosse real tuas falas
Se fosse mesmo amor o amor que tu jurava
Não Teria feito deste carpinteiro de palavras
Um coração hipertrofiado
...
Sentei-me no batente da cozinha
e voltei o olhar para o vazio
Onde antes tu sentava,
Tento entreter-me com os passarinho
Brincando no comedouro que tu deixara
Mas tudo é uma rude lembrança da ignorância que somos nós
...
Como quis ouvir
-ei, amo você
-não chora
-vai dar certo
-fica bem
-você merece
-como tu é foda
-lá vem a chuva
-vamos tomar banho juntos
-sente esse cheiro de terra molhada
-deixa soprar o cisco do teu olho
-me beija
-não me deixa
-fica
-fico
-acredito em você
...
Contento-me com o silencio
O ouvi gentilmente
Ele disse
tudo passa,
Acabou!
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Tornei-me de longe
Meu assombro,
Já nem me conheço mais!
Olhando o nada com
uma taça de vinho na mão,
Apenas respiro...
Entre um gole e outro
Vem o gozo de contemplar
O ar dividindo entre
as canaletas de minhas
narinas Constipadas
pelo tempo gélido
da madrugada,
Ou seria pelo tabaco
Consumido indiretamente
Pela janela aberta do vizinho ao lado?
Se move nuvens e nuvens...
Dou-lhas nomes
Mas são tao brevidias
Que me acompanha so declínio da
Tempestade anunciada e nunca chegada
E o cheiro rotulável do infame cigarro
Do vizinho ao lado...
Se lho bater a porta e ralhar-lhe
"Emudeça seu pigarro,
e apague seu tabaco"
Seria por demais grosseiro?
Oh! Como seria...
!
Na vida gozei de amores,
conheço das mulheres
todas as curvas
desde as sinuosas do sorriso
As entre coxas olivadas
De azeite e mel...
Mas de cigarro não entendo
Então me aconselho
"Deixe que o maldito fume,
E beba tu teu veneno,
Seu casmurro embrutecido"
Sorrio enquanto pincelo
As pontas do bigode
Caçando e nunca achando
O sono que não me apetece
!
As árvores do parque Botânico
Que se emparelha aos fundos de minha casa
Balançam e se turvam na neblina...
Da janela eu vejo (e sinto...)
Sinto o maldito cigarro
Sinto e escuto,
do vizinho o pigarro...
Sim tornei-me meu pesadelo
Um alguém enfadado
as margens do sobrado
Escrevendo indignado
Sobre vizinho e seu cigarro
Por hora rimando
pra manter a Métrica
Por hora lembrando
que rimar é do passado...
(Oh, meu deus,
esqueci-me do vinho!
Permitam-me um gole
e um trago indireto no tabaco)...
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Por deus, tenho eu dito
Não apontamos a flecha
Ao amigo!
Mas em qual rebanho
me apsacentas?
Se é sempre movido
Ao grão do interesse!
E se não verbaliza
Tua fome insaciável
De conforto,
Eu te arranco a mascara fora,
E por tal já não sou mais amigo
!
Por não me seduzir em tua dança
De cigana
Por teus olhos sobre exposto
Do serviço!
Gentil víbora
De veneno doce,
Tua mente é decifrável
Fingi estar quando não deveria
Fingi ser quando não era
Eu nunca serei o teu amparo!
Este é meu pedido de divorcio social,
De ti e de tudo que toma o sangue dos olhos
Alegra-te é liberdade que te dou...
!
Não me iludo no sorriso dos puritanos,
Cátaros anacoretas...
Teu otimismo é fruto da negação da realidade!
Eu pórem, me embreago num copo de conhaque pobre,
Cujo o amargor do álcool me acompanha,
Da ausência do tinto de um vinho seco ...
É a loucura serena
Velando meu corpo...
É Álvaro de Campos recitando sua poesia como doutrina, as margens do Tejo
Eu me nego!!!
Nem importância tenho
Sou o útil
O derradeiro dos convites,
Mas o primeiro da lembrança quando o assunto é para serviçais...
!
Não me entenda mal
Não te odeio
Só não sou domável
As tuas vãs vontades...
Embora por vezes finja
Ha em mim um alguém
Consciente
Que deseja descansar
Somente!
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Embora eu saiba que o caminho se faz caminhando, e as vezes desfalecido de vontade, me perca com a inércia presente, absorvo na medida que observo!
Embora seja fria o chão da calçada por vezes me deito, por vezes me esqueço, por vezes adormeço!
Embora seja polido o pensamento, a inerte vontade, rompe como a estranheza do som agudo no vão vazio que é a mente... (ecoa)... pelas paredes cefálicas estalos de cognição!
Dizem os astros, os búzios, os livros, as cartas, os orixas, os profetas, os santos, a ciência, que é de pouca valia os que, atipicamente, não se convertem aos seus ensaios de loucuras...
Já é tarde, todos dormem, as bocas que diziam "te amo", agora bocejam palavras de descontento, agora acham estagnante teus modos, teus jeitos, teus meios...
Eu caçador se mim, me dei, me escondi, haverá quem me entenda em algum lugar deste suacatiado planeta?
Que seja como seja
Que bravejem como o fazem
Todos gritam e berram
Todos e seus "eu" múltiplos
Todos e suas forma comuns
Amei desde sempre a expansão do universo...
Quera expandir a mim também,
que fosse para longe
Dos olhos dos que julgam
Que julgam por não entender
A diferença de quem sou...
A mente é rápida em julgar
A mente é rápida em mentir
A mente é estranhamente incompreensível...
Sou pó, sou grito...
Tão finito quanto as outras cousas finitas
Que meus ossos preencha o saco preto do mausoléu
Que adiado seja o cadáver adiado que sou
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Cura-me da realidade
Da dor de existir
Do ermo que fixa,
Crava,
Na alma,
Um gládio de carbono,
em ferrugens,
Ruinas,
Cura-me a mim
Uma pompeia em chamas
Dos gritos das damas,
Das amas,
Das crias,
Das noites,
Dos frios,
Dos assombros,
Dos escombros,
Do ócio,
Da extinta rotina
Entre
Alfazemas e
Açucenas ouvidadas!
Cura-me da vontade de se curado
Da vontade de morrer
Da vontade de viver
Cura-me(...)
Dessa louçania
Desse ar luzidio
Dessa elegância
Dessa intelectualidade Mórbida
Que laça, embebeda, alucina!
Apenas cura
Por que o corpo repousa
Cansado
As mãos que poetizam
Já não sicronizam com a boca
Que profetiza
Sentenças brutas!
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Da moringa cheia
Refrigerada água
da quitanda
De dona Necy,
Silvestre acácia-branca
Que sombra dava(...)
Batente fogoso
Que o corpo
cansado apacentava(...)
Quase sorria,
quase chorava(...)
E se o troco
eu errava?(...)
Mamãe louca
gritava(...)
E de longe
ecoava(...)
Era um surto de trovão
que Anunciava(...)
"O menino tá na peia"
Acuda deus do céu
De louça
E papel
Ornai
Inglório altar
Da mente que repete
Cíclicas orações
Que esquece
Que o arguelhão
transpassou
O coração e a sorte!
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Quem criou
Em caravanas, caravelas
Ver ela
de peito refletindo
Um preto polido,
E magreza tingida
Em panos de saco
de açúcar e de afeto...
Na mãos dos santos que esperam
Terços de ouro lapidado,
Profana catedral,
Apocalíptica visão de homens
Que se esmagam
na tentativa de comprar(...)
(...) Ela
Peitos de pitomba,
Doce cãna caiãna
Mel de sua boca
...
Desgraça mulher que arasta em si
A negritudes toda de uma existência!
Seu dono já gozou de boa vida,
Mas viu no prefacio
Do jornal dominical
Anuncio que a vida veio sem
Tom de anuncio,
Não respeitou suas dezoito filhas,
"Vida veio e o levou"...
Tição, tirna preta da panela o fundo!
Lava no giral a combuca do
Feijão que comeu...
Rebento e arrebentação
Xangô senhor,
Valei-me Oxossi..
Leva alma
Por entre o diversos Nortes...
Esfrega, nega
E alucina quando a noite vem
Latidos corrosivos de cachorro fidalgo
Numa corrida sem fim,
persegue ela...
Quem sóis vós
Mas lhe fraquejou a voz...
O rosto se desfez
"Sou pó"
Canto de sereia...
É sereia de tez negra
Sem sentido
Salto subito
Oscilou a luz da lua
O vestido se partiu
Reposou entre pedras
A dama da noite
A própria noite
Na mão de seu comprador
O soluço de quem buscou seu rebento
No precipicio
Ao lado
Da negrinha
Que lhe custou
80 vinténs!
(Métrica e Rítmica baseada em francisco buarque de holanda, interpretação de um todo)
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Sábado
Portas abertas,
De uma igreja
ao sul De porciuncla,
Badala
Um sino altivo
ostentado pela carne
Vermelha,
embebecida no vinho
Azímo,
é do azímo pão Que falo
Do seio infértil...
O que produz se não desvaneios?
Delirante mente eloquente....
Há quem cante temas de amor
Sorrio e observo,
Em meu altar de mármore frio
Amor é intelecto nobre
Eu só sei de sinos
de seus badalos a rítmica,
Métrica sonora indifusa...
Só sei de letras grandes
dos missais romanos
Latim e lápide...
Mas claustros escuros
Já não são minha morada
Assobio para invocar meu temores
Os ponho a ponta de prova
Na derme enrrigecida
Pela sentença que se anuncia bruta...
Laudes, matinas e vesperas
São uma breve bruma leve
Dispersada
Ao menor sinal de cognição
Afastando-me fantasmas milenares
Sangrou-me gota à gota
Até restar só água
em profilaxia perene...
Tá tarde,
Quem vos fala já está morto
Quem vos fala já é outro
Na sina de Desvendar
Qual cais desfaz o caos...
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