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Denis anatta

@denis_anatta · desde 2020

Apenas observo!

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Breve

A pequena rama que desce a colina, de nobre sêda ornada... Passos míudos que tocam a grama, percebendo cada gotícula penetrando os poros. Abrindo rios, e até mares, internos! Sangrando lágrimas e contentamento. Despejando o jôrro da inocência, na cara de quem julga como centro o domínio de si mesmo. Breve passageiro, em tão breve vôo. Tanto a fazer, para tão curto tempo. Onde ir primeiro? Ou pelo menos diga-me onde ir! Já não diga, por gentileza(...) porque é só que descubro... que nasci só... que morro só... que a solidão é real... que ninguém entende, por quê não ha o que ser compreendido. Este mundo todo é um vazio, por mais que eu tente não preencho! Por mais que eu tente... é tentativa! Se acerto ninguém precisa saber! O poema de versos extensos, branco... De rima ausente... Fluentemente, cede-lhes o favor, De contar a boca míuda, que a cognição humana é um martírio! Que a mente é um alto cerro, Hostentando um tétrico cenário... Onde o 'eu' imperador, viceralmente, sufoca a mim mesmo. 12/jan/2018

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Humanidade

BASTIÃO

É bastião Por um tanto assim Vai na marmita Retira o banzo O ranço A fome Fecha os olhos e come Por que se demorar some!

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Vida

Para ouvir em dias que chovem

Como quis ouvir, -oi amor, fiz café! -acorda, estamos atrasados! -desliga o despertador É domingo! Não gostamos de missa, Nem de visitas! Hoje é dia de faxina... Fiz chá pra te esquentar, Camomila pra acalmar! Ta ansioso, quer conversar? Me abraça por favor tô com medo! Calma... Estou aqui ... Amores são promessas fúteis Mas como quero essa futilidade... Se ao menos fosse real tuas falas Se fosse mesmo amor o amor que tu jurava Não Teria feito deste carpinteiro de palavras Um coração hipertrofiado ... Sentei-me no batente da cozinha e voltei o olhar para o vazio Onde antes tu sentava, Tento entreter-me com os passarinho Brincando no comedouro que tu deixara Mas tudo é uma rude lembrança da ignorância que somos nós ... Como quis ouvir -ei, amo você -não chora -vai dar certo -fica bem -você merece -como tu é foda -lá vem a chuva -vamos tomar banho juntos -sente esse cheiro de terra molhada -deixa soprar o cisco do teu olho -me beija -não me deixa -fica -fico -acredito em você ... Contento-me com o silencio O ouvi gentilmente Ele disse tudo passa, Acabou!

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Vida

Tabacaria 2023

Tornei-me de longe Meu assombro, Já nem me conheço mais! Olhando o nada com uma taça de vinho na mão, Apenas respiro... Entre um gole e outro Vem o gozo de contemplar O ar dividindo entre as canaletas de minhas narinas Constipadas pelo tempo gélido da madrugada, Ou seria pelo tabaco Consumido indiretamente Pela janela aberta do vizinho ao lado? Se move nuvens e nuvens... Dou-lhas nomes Mas são tao brevidias Que me acompanha so declínio da Tempestade anunciada e nunca chegada E o cheiro rotulável do infame cigarro Do vizinho ao lado... Se lho bater a porta e ralhar-lhe "Emudeça seu pigarro, e apague seu tabaco" Seria por demais grosseiro? Oh! Como seria... ! Na vida gozei de amores, conheço das mulheres todas as curvas desde as sinuosas do sorriso As entre coxas olivadas De azeite e mel... Mas de cigarro não entendo Então me aconselho "Deixe que o maldito fume, E beba tu teu veneno, Seu casmurro embrutecido" Sorrio enquanto pincelo As pontas do bigode Caçando e nunca achando O sono que não me apetece ! As árvores do parque Botânico Que se emparelha aos fundos de minha casa Balançam e se turvam na neblina... Da janela eu vejo (e sinto...) Sinto o maldito cigarro Sinto e escuto, do vizinho o pigarro... Sim tornei-me meu pesadelo Um alguém enfadado as margens do sobrado Escrevendo indignado Sobre vizinho e seu cigarro Por hora rimando pra manter a Métrica Por hora lembrando que rimar é do passado... (Oh, meu deus, esqueci-me do vinho! Permitam-me um gole e um trago indireto no tabaco)...

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Vida

Philos Sophos

Por deus, tenho eu dito Não apontamos a flecha Ao amigo! Mas em qual rebanho me apsacentas? Se é sempre movido Ao grão do interesse! E se não verbaliza Tua fome insaciável De conforto, Eu te arranco a mascara fora, E por tal já não sou mais amigo ! Por não me seduzir em tua dança De cigana Por teus olhos sobre exposto Do serviço! Gentil víbora De veneno doce, Tua mente é decifrável Fingi estar quando não deveria Fingi ser quando não era Eu nunca serei o teu amparo! Este é meu pedido de divorcio social, De ti e de tudo que toma o sangue dos olhos Alegra-te é liberdade que te dou... ! Não me iludo no sorriso dos puritanos, Cátaros anacoretas... Teu otimismo é fruto da negação da realidade! Eu pórem, me embreago num copo de conhaque pobre, Cujo o amargor do álcool me acompanha, Da ausência do tinto de um vinho seco ... É a loucura serena Velando meu corpo... É Álvaro de Campos recitando sua poesia como doutrina, as margens do Tejo Eu me nego!!! Nem importância tenho Sou o útil O derradeiro dos convites, Mas o primeiro da lembrança quando o assunto é para serviçais... ! Não me entenda mal Não te odeio Só não sou domável As tuas vãs vontades... Embora por vezes finja Ha em mim um alguém Consciente Que deseja descansar Somente!

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Vida

Quando Assombra a Súbita Impressão

Embora eu saiba que o caminho se faz caminhando, e as vezes desfalecido de vontade, me perca com a inércia presente, absorvo na medida que observo! Embora seja fria o chão da calçada por vezes me deito, por vezes me esqueço, por vezes adormeço! Embora seja polido o pensamento, a inerte vontade, rompe como a estranheza do som agudo no vão vazio que é a mente... (ecoa)... pelas paredes cefálicas estalos de cognição! Dizem os astros, os búzios, os livros, as cartas, os orixas, os profetas, os santos, a ciência, que é de pouca valia os que, atipicamente, não se convertem aos seus ensaios de loucuras... Já é tarde, todos dormem, as bocas que diziam "te amo", agora bocejam palavras de descontento, agora acham estagnante teus modos, teus jeitos, teus meios... Eu caçador se mim, me dei, me escondi, haverá quem me entenda em algum lugar deste suacatiado planeta? Que seja como seja Que bravejem como o fazem Todos gritam e berram Todos e seus "eu" múltiplos Todos e suas forma comuns Amei desde sempre a expansão do universo... Quera expandir a mim também, que fosse para longe Dos olhos dos que julgam Que julgam por não entender A diferença de quem sou... A mente é rápida em julgar A mente é rápida em mentir A mente é estranhamente incompreensível... Sou pó, sou grito... Tão finito quanto as outras cousas finitas Que meus ossos preencha o saco preto do mausoléu Que adiado seja o cadáver adiado que sou

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Vida

Moonligth sonata (sonata para piano n°14)

Cura-me da realidade Da dor de existir Do ermo que fixa, Crava, Na alma, Um gládio de carbono, em ferrugens, Ruinas, Cura-me a mim Uma pompeia em chamas Dos gritos das damas, Das amas, Das crias, Das noites, Dos frios, Dos assombros, Dos escombros, Do ócio, Da extinta rotina Entre Alfazemas e Açucenas ouvidadas! Cura-me da vontade de se curado Da vontade de morrer Da vontade de viver Cura-me(...) Dessa louçania Desse ar luzidio Dessa elegância Dessa intelectualidade Mórbida Que laça, embebeda, alucina! Apenas cura Por que o corpo repousa Cansado As mãos que poetizam Já não sicronizam com a boca Que profetiza Sentenças brutas!

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Vida

Serelepe

Da moringa cheia Refrigerada água da quitanda De dona Necy, Silvestre acácia-branca Que sombra dava(...) Batente fogoso Que o corpo cansado apacentava(...) Quase sorria, quase chorava(...) E se o troco eu errava?(...) Mamãe louca gritava(...) E de longe ecoava(...) Era um surto de trovão que Anunciava(...) "O menino tá na peia" Acuda deus do céu De louça E papel Ornai Inglório altar Da mente que repete Cíclicas orações Que esquece Que o arguelhão transpassou O coração e a sorte!

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Vida

Nas Tábuas Quebradas da Maré

Quem criou Em caravanas, caravelas Ver ela de peito refletindo Um preto polido, E magreza tingida Em panos de saco de açúcar e de afeto... Na mãos dos santos que esperam Terços de ouro lapidado, Profana catedral, Apocalíptica visão de homens Que se esmagam na tentativa de comprar(...) (...) Ela Peitos de pitomba, Doce cãna caiãna Mel de sua boca ... Desgraça mulher que arasta em si A negritudes toda de uma existência! Seu dono já gozou de boa vida, Mas viu no prefacio Do jornal dominical Anuncio que a vida veio sem Tom de anuncio, Não respeitou suas dezoito filhas, "Vida veio e o levou"... Tição, tirna preta da panela o fundo! Lava no giral a combuca do Feijão que comeu... Rebento e arrebentação Xangô senhor, Valei-me Oxossi.. Leva alma Por entre o diversos Nortes... Esfrega, nega E alucina quando a noite vem Latidos corrosivos de cachorro fidalgo Numa corrida sem fim, persegue ela... Quem sóis vós Mas lhe fraquejou a voz... O rosto se desfez "Sou pó" Canto de sereia... É sereia de tez negra Sem sentido Salto subito Oscilou a luz da lua O vestido se partiu Reposou entre pedras A dama da noite A própria noite Na mão de seu comprador O soluço de quem buscou seu rebento No precipicio Ao lado Da negrinha Que lhe custou 80 vinténs! (Métrica e Rítmica baseada em francisco buarque de holanda, interpretação de um todo)

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Vida

Quando os Sinos Dobram?

Sábado Portas abertas, De uma igreja ao sul De porciuncla, Badala Um sino altivo ostentado pela carne Vermelha, embebecida no vinho Azímo, é do azímo pão Que falo Do seio infértil... O que produz se não desvaneios? Delirante mente eloquente.... Há quem cante temas de amor Sorrio e observo, Em meu altar de mármore frio Amor é intelecto nobre Eu só sei de sinos de seus badalos a rítmica, Métrica sonora indifusa... Só sei de letras grandes dos missais romanos Latim e lápide... Mas claustros escuros Já não são minha morada Assobio para invocar meu temores Os ponho a ponta de prova Na derme enrrigecida Pela sentença que se anuncia bruta... Laudes, matinas e vesperas São uma breve bruma leve Dispersada Ao menor sinal de cognição Afastando-me fantasmas milenares Sangrou-me gota à gota Até restar só água em profilaxia perene... Tá tarde, Quem vos fala já está morto Quem vos fala já é outro Na sina de Desvendar Qual cais desfaz o caos...

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