Nas Tábuas Quebradas da Maré
Quem criou Em caravanas, caravelas Ver ela de peito refletindo Um preto polido, E magreza tingida Em panos de saco de açúcar e de afeto... Na mãos dos santos que esperam Terços de ouro lapidado, Profana catedral, Apocalíptica visão de homens Que se esmagam na tentativa de comprar(...) (...) Ela Peitos de pitomba, Doce cãna caiãna Mel de sua boca ... Desgraça mulher que arasta em si A negritudes toda de uma existência! Seu dono já gozou de boa vida, Mas viu no prefacio Do jornal dominical Anuncio que a vida veio sem Tom de anuncio, Não respeitou suas dezoito filhas, "Vida veio e o levou"... Tição, tirna preta da panela o fundo! Lava no giral a combuca do Feijão que comeu... Rebento e arrebentação Xangô senhor, Valei-me Oxossi.. Leva alma Por entre o diversos Nortes... Esfrega, nega E alucina quando a noite vem Latidos corrosivos de cachorro fidalgo Numa corrida sem fim, persegue ela... Quem sóis vós Mas lhe fraquejou a voz... O rosto se desfez "Sou pó" Canto de sereia... É sereia de tez negra Sem sentido Salto subito Oscilou a luz da lua O vestido se partiu Reposou entre pedras A dama da noite A própria noite Na mão de seu comprador O soluço de quem buscou seu rebento No precipicio Ao lado Da negrinha Que lhe custou 80 vinténs! (Métrica e Rítmica baseada em francisco buarque de holanda, interpretação de um todo)
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