Denis anatta @denis_anatta
Vida

Tabacaria 2023

Tornei-me de longe Meu assombro, Já nem me conheço mais! Olhando o nada com uma taça de vinho na mão, Apenas respiro... Entre um gole e outro Vem o gozo de contemplar O ar dividindo entre as canaletas de minhas narinas Constipadas pelo tempo gélido da madrugada, Ou seria pelo tabaco Consumido indiretamente Pela janela aberta do vizinho ao lado? Se move nuvens e nuvens... Dou-lhas nomes Mas são tao brevidias Que me acompanha so declínio da Tempestade anunciada e nunca chegada E o cheiro rotulável do infame cigarro Do vizinho ao lado... Se lho bater a porta e ralhar-lhe "Emudeça seu pigarro, e apague seu tabaco" Seria por demais grosseiro? Oh! Como seria... ! Na vida gozei de amores, conheço das mulheres todas as curvas desde as sinuosas do sorriso As entre coxas olivadas De azeite e mel... Mas de cigarro não entendo Então me aconselho "Deixe que o maldito fume, E beba tu teu veneno, Seu casmurro embrutecido" Sorrio enquanto pincelo As pontas do bigode Caçando e nunca achando O sono que não me apetece ! As árvores do parque Botânico Que se emparelha aos fundos de minha casa Balançam e se turvam na neblina... Da janela eu vejo (e sinto...) Sinto o maldito cigarro Sinto e escuto, do vizinho o pigarro... Sim tornei-me meu pesadelo Um alguém enfadado as margens do sobrado Escrevendo indignado Sobre vizinho e seu cigarro Por hora rimando pra manter a Métrica Por hora lembrando que rimar é do passado... (Oh, meu deus, esqueci-me do vinho! Permitam-me um gole e um trago indireto no tabaco)...

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