Volar más alto y más allá de las fronteras,
Donde decisiones y miedos se disipan con el eco del propio batir de alas.
Mirar hacia el abismo allá abajo y ya no sentir temor,
Sino verlo apenas como el marco oscuro de donde la fuerza se construye.
Rechazar la fragilidad al cruzar la línea,
Reivindicar el derecho de gobernar tu propio destino.
Que el cansancio encuentre un escudo donde antes veía una herida,
Que el silencio sea el presagio de una nueva dinastía,
Y que, aun cuando el horizonte parezca incierto,
Por encima de todo, ha de haber resistencia.
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Sou pássaro pousando pleno nas planícies
Dos enormes castelos do teu amor,
Pérfido momento em que mergulhei
Em palacetes corroídos.
Bati minhas pequenas asas pálidas
Em busca do prometido príncipe;
Então, ele me prendeu em um trono
De promessas perdidas,
Deixando-me habitar penhascos
De memórias destruídas.
Pela janela, eu via o vento soprar o pranto,
Pairando a neblina de momentos petrificados.
Observava penas caídas no mármore frio do palácio,
Pálpebras pesadas de prantear o que já era poeira.
Percebi o preço de aceitar a punição
Da tua masmorra inteira,
Pulsando sangue frio em paredes de pura pedra.
E, em silêncio, parto sob a penumbra do passado,
Pedindo aos céus permissão para sonhar
Para longe de ruínas ilusórias.
🪶
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Divaguei sobre os astros, a escala geológica e estelar,
onde o tempo parece estático e eterno,
colidindo violentamente contra meu ser frágil e mortal.
O tempo paradoxal,
a ampulheta esvaindo a poeira,
e ainda lateja a angústia sufocante:
despertar para a imensidão é insuportável.
Observar a magnitude do cosmos
enquanto calculo, friamente, a distância exata
entre os átomos que me compõem e o abismo celeste.
Quando viajo por galáxias indiferentes,
percebo-me como um erro na equação da permanência.
Variável ínfima.
Num silêncio rompante, sinto a gravidade espremer minha vértebra
ao centro da minha própria insignificância.
E nessa posição — comprimida, cedendo ao peso —,
ocorre uma implosão.
Resta a partícula rompida,
suspensa no vácuo absoluto das minhas aflições.
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Não sei traduzir em palavras;
palavras não parecem o suficiente
quando a falta de ar é esmagadora.
São sentimentos que me tornam,
entortam
e remontam —
até me dissolverem
em natureza exposta.
Por vezes,
sou a criança faminta de sentido,
o silêncio não compreendido
entre o grito e o eco,
os pequenos destroços
de grandes abandonos.
Em outras,
sou a voz da desesperança,
a fagulha
que pode orquestrar incêndios de revolta.
Sou a semente murcha
antes do plantio,
uma pétala arrancada
por vendavais violentos
e deixada no caminho.
Carrego o peso de desertos inteiros,
conto cada grão de areia
para me distrair
da mórbida trajetória que tracei.
O meu mundo —
esse avesso constante.
Vi montanhas caminharem para longe de mim,
vi o sol morrer
no tapete da entrada.
Enquanto isso,
o caos instalado no meu corpo,
como doença silenciosa,
costurava o medo na pele
por baixo da alma cansada.
Sou feita de restos e quedas,
artesã de fios partidos
e nós cegos.
Mas há uma multidão de nós
erguendo castelos de poeira
e velhos egos.
Vi o céu desabar inteiro
sobre a terra,
espalhando estrelas sem luz.
Vi o rio desistir do mar,
incontáveis vezes,
até que suas ondas
não tinham força para vingar.
O que sobra
é esse espaço sem batismo:
uma hemorragia
de veias invisíveis.
Onde o fim
não é o ponto —
é o leito onde me deito
e me recolho
para esquecer.
E, no entanto,
o que sinto ainda é pouco demais
e não cabe aqui dentro;
é um peso sem densidade calculada,
um grito sem garganta,
um nome
sem fôlego para ser anunciado.
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Relutando para chegar até a borda,
Abandonando a atmosfera densa e sombria a qual pertencia,
Sinto ainda meu ser ancorado em longa extensão de um tecido gelatinoso
Na torpe memória de uma carne que me engana,
Fui exposta a sons e luzes pulsantes
Que me esculpiram brutalmente em moldes errantes.
Recolhendo-me ao meu eu vazio de propósitos e paixões,
Sou o monólogo de um corpo que nunca se encontrou,
Entre o escarro do mundo e o horror de estar;
Vim de uma sede antiga, profunda e cruel: A insistência cega de querer ficar
Um sopro amargo! Emitindo estilhaços de vigília!
Quisera fundir meu nada à poeira do chão,
Numa simbiose de asco e de covardia,
Antes que o parto fosse minha maldição.
Bebendo o veneno do tempo vertiginoso,
Eu me embriaguei com a dolorosa sentença;
Engolindo o grito e o descompasso
Que me tritura os nervos, alma vazia de nascença.
E o que resta deste peito em guerra
É a dor de uma chegada incompleta
Aguardando o retorno ao silêncio,
Cumprindo a penitência que me resta.
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> [SYSTEM_HALTED_BY_EXCESS]
>_ [CRITICAL] FATAL_ERROR at. 0x000180BPM
{
"cause": "excess_of_everything",
"result": "loop_of_pain",
"action": "distort_and_bleed"
}
minha carne em buffer
latência de dor
o sangue em loop
meu corpo falhando em 180 bpm
ـــــــــﮩ٨ـ
os ossos rangendo
tenho antenas tortas cravadas no crânio
captando
gritos fora de frequência
os nervos escapam
como fios sem isolamento
chiando
>_em curto
dentes afiados
e saliva vermelha
estar viva 《dói》 demais
pulsa
não desliga
sou falha aberta
animal de código corrompido
lançando espasmos
no meio do caos
repeat / distort / bleed
[STATUS]: HTTP ⁴⁰⁴ (not found)
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No velho couro, o corpo se reclina;
o blues ecoa dentro do cristal.
O vinho, qual navalha, me domina
no amargo desta noite de vendaval.
As gotas que a janela vão riscando
são lágrimas de um sangue tão rubro,
enquanto o disco as horas vai contando
no gosto morno que no peito nutro.
O olhar vagueia pela sala fria,
onde o meu eu se encontra anestesiado.
Não estou só, mas falta a companhia,
pois algo senta sempre ao meu lado.
Ocupa o espaço onde eu seria inteiro,
presença que me invade e me cativa.
Velha armadilha: o meu cativeiro,
numa memória que se mantém viva.
Aceita a taça que eu lhe ofereço,
no nevoeiro que a visão inunda.
No sono, enfim, de tudo me esqueço,
nesta penumbra mística e profunda.
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Maldita memória, mórbida mestra,
Murmura medos, mortes, mágoas.
Mausoléu mudo, mofado, melancólico,
Mantém mistérios, máscaras macabras.
Mortalha manchada, mãos maculadas,
Monstruosa maldição me morde.
Madrugada medonha, mente mártir,
Mergulha, mutilada, mórbida ordem.
Miséria mística, mundo maldito,
Mutilando manhãs, matando mentes.
Medonho momento, mudo monólogo,
Mortal mesura, muros maldizentes.
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Sob a pele crua,
onde as cicatrizes reluzem com a luz da lua,
O sangue que escorre por entre elas
é o resto do que você tentou colher.
Te observo fria,
ajoelhando-se como quem busca o sagrado,
Mas minhas mãos estão sujas
de terra e carmesim.
Não há pureza no altar que criamos.
Como larvas que adentram a carne sem permissão,
Me consomes sem ar ou paixão.
Enquanto meus dentes cerrados amaldiçoam teu nome,
Decifro o teu vazio
enquanto me sinto ausente e disforme.
Te embebedas da taça que transborda o amargo,
Pois o doce é apenas a superfície da dor.
Se eu sou o abismo onde você se perde,
Você é a queda...
que eu chamo amor.
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Distante de um jardim de alegrias
e de um ludismo afável,
prevaleceram labirintos infinitos:
paredes úmidas,
luminescências espectrais,
tons amarelados que perpetuavam o tédio.
Inarticuladas eram as falas
daqueles que puderam apenas vislumbrar
o léxico do pavor
e jamais compreenderam
o significado de “lar”.
Tiveram apenas cristalizado,
em raízes podres,
o reduto de telha rubra jorrando dos céus,
a indiferença penetrante
de um cobertor frio
sobre um corpo trêmulo.
Agora andam a vagar, sem rumo,
comunicando-se em um dialeto morto,
à beira de abismos —
escolhendo olhar para baixo
na tentativa de avistar alguma beleza
perdida nos escombros
de brinquedos quebrados.
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