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𝔅𝔯𝔢𝔫𝔡𝔞

@brenda_gasparetto · desde 2024

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Resistência

Volar más alto y más allá de las fronteras, Donde decisiones y miedos se disipan con el eco del propio batir de alas. Mirar hacia el abismo allá abajo y ya no sentir temor, Sino verlo apenas como el marco oscuro de donde la fuerza se construye. ​Rechazar la fragilidad al cruzar la línea, Reivindicar el derecho de gobernar tu propio destino. ​Que el cansancio encuentre un escudo donde antes veía una herida, Que el silencio sea el presagio de una nueva dinastía, Y que, aun cuando el horizonte parezca incierto, Por encima de todo, ha de haber resistencia.

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Pousar e Perecer

Sou pássaro pousando pleno nas planícies Dos enormes castelos do teu amor, Pérfido momento em que mergulhei Em palacetes corroídos. ​Bati minhas pequenas asas pálidas Em busca do prometido príncipe; Então, ele me prendeu em um trono De promessas perdidas, Deixando-me habitar penhascos De memórias destruídas. ​Pela janela, eu via o vento soprar o pranto, Pairando a neblina de momentos petrificados. Observava penas caídas no mármore frio do palácio, Pálpebras pesadas de prantear o que já era poeira. ​Percebi o preço de aceitar a punição Da tua masmorra inteira, Pulsando sangue frio em paredes de pura pedra. ​E, em silêncio, parto sob a penumbra do passado, Pedindo aos céus permissão para sonhar Para longe de ruínas ilusórias. 🪶

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Limite de Chandrasekhar ○

​Divaguei sobre os astros, a escala geológica e estelar, onde o tempo parece estático e eterno, colidindo violentamente contra meu ser frágil e mortal. O tempo paradoxal, a ampulheta esvaindo a poeira, e ainda lateja a angústia sufocante: despertar para a imensidão é insuportável. ​Observar a magnitude do cosmos enquanto calculo, friamente, a distância exata entre os átomos que me compõem e o abismo celeste. Quando viajo por galáxias indiferentes, percebo-me como um erro na equação da permanência. Variável ínfima. ​Num silêncio rompante, sinto a gravidade espremer minha vértebra ao centro da minha própria insignificância. E nessa posição — comprimida, cedendo ao peso —, ocorre uma implosão. ​Resta a partícula rompida, suspensa no vácuo absoluto das minhas aflições.

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Transbordando em Metáforas

Não sei traduzir em palavras; palavras não parecem o suficiente quando a falta de ar é esmagadora. São sentimentos que me tornam, entortam e remontam — até me dissolverem em natureza exposta. Por vezes, sou a criança faminta de sentido, o silêncio não compreendido entre o grito e o eco, os pequenos destroços de grandes abandonos. Em outras, sou a voz da desesperança, a fagulha que pode orquestrar incêndios de revolta. Sou a semente murcha antes do plantio, uma pétala arrancada por vendavais violentos e deixada no caminho. Carrego o peso de desertos inteiros, conto cada grão de areia para me distrair da mórbida trajetória que tracei. O meu mundo — esse avesso constante. Vi montanhas caminharem para longe de mim, vi o sol morrer no tapete da entrada. Enquanto isso, o caos instalado no meu corpo, como doença silenciosa, costurava o medo na pele por baixo da alma cansada. Sou feita de restos e quedas, artesã de fios partidos e nós cegos. Mas há uma multidão de nós erguendo castelos de poeira e velhos egos. Vi o céu desabar inteiro sobre a terra, espalhando estrelas sem luz. Vi o rio desistir do mar, incontáveis vezes, até que suas ondas não tinham força para vingar. O que sobra é esse espaço sem batismo: uma hemorragia de veias invisíveis. Onde o fim não é o ponto — é o leito onde me deito e me recolho para esquecer. E, no entanto, o que sinto ainda é pouco demais e não cabe aqui dentro; é um peso sem densidade calculada, um grito sem garganta, um nome sem fôlego para ser anunciado.

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Gênese do Abismo

Relutando para chegar até a borda, Abandonando a atmosfera densa e sombria a qual pertencia, Sinto ainda meu ser ancorado em longa extensão de um tecido gelatinoso Na torpe memória de uma carne que me engana, Fui exposta a sons e luzes pulsantes Que me esculpiram brutalmente em moldes errantes. Recolhendo-me ao meu eu vazio de propósitos e paixões, Sou o monólogo de um corpo que nunca se encontrou, Entre o escarro do mundo e o horror de estar; Vim de uma sede antiga, profunda e cruel: A insistência cega de querer ficar Um sopro amargo! Emitindo estilhaços de vigília! Quisera fundir meu nada à poeira do chão, Numa simbiose de asco e de covardia, Antes que o parto fosse minha maldição. Bebendo o veneno do tempo vertiginoso, Eu me embriaguei com a dolorosa sentença; Engolindo o grito e o descompasso Que me tritura os nervos, alma vazia de nascença. E o que resta deste peito em guerra É a dor de uma chegada incompleta Aguardando o retorno ao silêncio, Cumprindo a penitência que me resta.

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​​>>> FATAL_ERROR://

​​> [SYSTEM_HALTED_BY_EXCESS] >_ [CRITICAL] FATAL_ERROR at. 0x000180BPM { "cause": "excess_of_everything", "result": "loop_of_pain", "action": "distort_and_bleed" } minha carne em buffer latência de dor o sangue em loop meu corpo falhando em 180 bpm ـــــــــﮩ٨ـ os ossos rangendo tenho antenas tortas cravadas no crânio captando gritos fora de frequência os nervos escapam como fios sem isolamento chiando >_em curto dentes afiados e saliva vermelha estar viva 《dói》 demais pulsa não desliga sou falha aberta animal de código corrompido lançando espasmos no meio do caos repeat / distort / bleed ​[STATUS]: HTTP ⁴⁰⁴ (not found)

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Decassílabo em Notas Ausentes

No velho couro, o corpo se reclina; o blues ecoa dentro do cristal. O vinho, qual navalha, me domina no amargo desta noite de vendaval. As gotas que a janela vão riscando são lágrimas de um sangue tão rubro, enquanto o disco as horas vai contando no gosto morno que no peito nutro. O olhar vagueia pela sala fria, onde o meu eu se encontra anestesiado. Não estou só, mas falta a companhia, pois algo senta sempre ao meu lado. Ocupa o espaço onde eu seria inteiro, presença que me invade e me cativa. Velha armadilha: o meu cativeiro, numa memória que se mantém viva. Aceita a taça que eu lhe ofereço, no nevoeiro que a visão inunda. No sono, enfim, de tudo me esqueço, nesta penumbra mística e profunda.

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Mantra Mastigado

Maldita memória, mórbida mestra, Murmura medos, mortes, mágoas. Mausoléu mudo, mofado, melancólico, Mantém mistérios, máscaras macabras. Mortalha manchada, mãos maculadas, Monstruosa maldição me morde. Madrugada medonha, mente mártir, Mergulha, mutilada, mórbida ordem. Miséria mística, mundo maldito, Mutilando manhãs, matando mentes. Medonho momento, mudo monólogo, Mortal mesura, muros maldizentes.

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Devora-me e Decifro-te

​Sob a pele crua, onde as cicatrizes reluzem com a luz da lua, O sangue que escorre por entre elas é o resto do que você tentou colher. ​Te observo fria, ajoelhando-se como quem busca o sagrado, Mas minhas mãos estão sujas de terra e carmesim. ​Não há pureza no altar que criamos. Como larvas que adentram a carne sem permissão, Me consomes sem ar ou paixão. ​Enquanto meus dentes cerrados amaldiçoam teu nome, Decifro o teu vazio enquanto me sinto ausente e disforme. ​Te embebedas da taça que transborda o amargo, Pois o doce é apenas a superfície da dor. Se eu sou o abismo onde você se perde, Você é a queda... que eu chamo amor.

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Réquiem para os Sonhos Perdidos

Distante de um jardim de alegrias e de um ludismo afável, prevaleceram labirintos infinitos: paredes úmidas, luminescências espectrais, tons amarelados que perpetuavam o tédio. Inarticuladas eram as falas daqueles que puderam apenas vislumbrar o léxico do pavor e jamais compreenderam o significado de “lar”. Tiveram apenas cristalizado, em raízes podres, o reduto de telha rubra jorrando dos céus, a indiferença penetrante de um cobertor frio sobre um corpo trêmulo. Agora andam a vagar, sem rumo, comunicando-se em um dialeto morto, à beira de abismos — escolhendo olhar para baixo na tentativa de avistar alguma beleza perdida nos escombros de brinquedos quebrados.

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