Decassílabo em Notas Ausentes
No velho couro, o corpo se reclina; o blues ecoa dentro do cristal. O vinho, qual navalha, me domina no amargo desta noite de vendaval. As gotas que a janela vão riscando são lágrimas de um sangue tão rubro, enquanto o disco as horas vai contando no gosto morno que no peito nutro. O olhar vagueia pela sala fria, onde o meu eu se encontra anestesiado. Não estou só, mas falta a companhia, pois algo senta sempre ao meu lado. Ocupa o espaço onde eu seria inteiro, presença que me invade e me cativa. Velha armadilha: o meu cativeiro, numa memória que se mantém viva. Aceita a taça que eu lhe ofereço, no nevoeiro que a visão inunda. No sono, enfim, de tudo me esqueço, nesta penumbra mística e profunda.
Agradeço por tudo
muito bom, parabéns.
𝔅𝔯𝔢𝔫𝔡𝔞
muito obrigada! 🍷 💐