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Darllyz Tavares

@Darliene · desde 2021

Dona dos livros: Sou eu, mesmo quando doeu, do livro " Ficou em mim" e de onde nascem os laços. Diagnosticado pelo amor apaixonada por vc.✍🏽❤️😍

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Desabafo do Luto Parte 2 final

Desabafo do Luto Parte 2 final Sou mãe atípica. Mãe de uma criança precoce, de duas autistas e, talvez, de uma quarta também autista. Mesmo assim, Deus é misericordioso. Ele me deu forças para atravessar cada perda, cada medo, cada noite de incerteza. Não tenho medo de gerar novamente. O que me assusta é perder mais uma filha. E ainda assim, sigo lutando. Sigo criando forças todos os dias para vê-las crescer, para vê-las sorrir, para vê-las vivas… Pois só o amor de mãe entende essa dor — e é ele que me mantém inteira, mesmo entre lágrimas e saudade. Entre o vazio e o abraço, entre a dor e o milagre, aprendi que ser mãe é sentir tudo ao mesmo tempo: perder, sofrer, amar, agradecer, lutar e continuar. Darllyz Tavares✍🏽

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Desabafo do luto parte 1

Desabafo do Luto. Eu sei o que é a dor do luto. Ser mãe de anjos é carregar no peito um silêncio que nunca se desfaz. Às vezes me pego imaginando como seria se todas as minhas filhas estivessem aqui comigo… Eram para ser doze vidas, doze histórias. Entre elas, duas gêmeas de 8 e 6 anos que não tive a chance de ver crescer. Na gestação de Ariàdylla e Ariàdynne, apenas Ariàdylla sobreviveu. Perdi Ariàdynne ainda com seis meses, e quase perdi Ary também. Depois, na segunda gestação gemelar, de Darllenny e Dennyse, vivi a mesma dor: perdi Dennyse com quase seis meses. Com Madellaynne (Madeleine), a luta foi outra. Aos oito meses, recebi um remédio errado e precisei ser levada para Belo Horizonte. Quase a perdi, e todas as lembranças das outras perdas voltaram a doer. E houve também minha pequena que nasceu natimorta. Era tão pequenina, com apenas cinco meses, tão frágil que não dava para saber se seria menina ou menino. Se sobrevivesse, viveria presa a aparelhos, comendo por sonda, sem andar nem falar. Não chegamos a escolher um nome. Quando a vi, dentro de um pote de vidro, senti uma dor que dilacerou meu peito. Não era Afrodite, pois havia apenas um canal para tudo, e os pulmões não tinham se formado. Não pude abraçá-la. Apenas pude olhar, supliquei a Deus que a recebesse com carinho, e guardei sua lembrança dentro de mim para sempre. E então veio Mayh (Maythê). No parto, estava com o cordão enrolado no pescoço. Sem dor alguma, ela nasceu, e eu chorei, supliquei a Deus que não a levasse de mim. Quando ouvi o seu choro, agradeci de todo coração. Mesmo com minhas quatro preciosidades nos braços — Ary, de 8 anos; Alleh, de 6 anos; Mady, de 3 anos; e Mayh, de 7 meses — ainda existe um vazio que nada consegue preencher. É um espaço invisível, mas tão real, que pulsa dentro de mim todos os dias. Não é apenas o luto pelas filhas que se foram. É também a falta do meu pai-avô, da minha tia Lucinete, do meu pai verdadeiro… São ausências que atravessam minha vida como sombras silenciosas.

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Ao caps/ assistência social

Ao CAPS / assistente social "Eu venho passando por momentos muito difíceis de saúde, e recentemente fui diagnosticada com síndrome conversiva. Durante o acompanhamento no posto de saúde em que sempre fui atendida, encontrei acolhimento e atenção, especialmente de profissionais que me ajudaram a me sentir segura e ouvida. No entanto, fui informada de que meu endereço faz parte de outra área de cobertura, o que significa que precisarei ser transferida para um novo posto. Essa mudança me deixa extremamente ansiosa e triste, porque me afasta de profissionais que já conhecem meu histórico e que construíram um vínculo de confiança comigo. Sinto que minha saúde física e emocional pode ser afetada se for acompanhada por um lugar onde não me sinto acolhida, como já aconteceu no passado. Peço que essa situação seja avaliada com cuidado, para que eu possa continuar recebendo atendimento adequado, que respeite minha história e meu bem-estar." Darllyz Tavares✍🏽

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - continuação

Quando voltei da feira, disse com calma: “Tive que cortar caminho pra não dar problema pra você.” Ela fingiu que acreditou. Eu fui direto pros afazeres. Lavei as roupas — as minhas, as dela. Com mãos doídas e alma em silêncio. No dia seguinte, fomos ao parque. O único. O dia em que pude sorrir sem medo. Comi o que tive direito. Andei. Ri. E quando subi na roda-gigante, o mundo ficou pequeno. Ela, lá embaixo, era só uma silhueta. Mas ali, no alto, eu tive o pensamento que mudou tudo. Eu percebi. Ela odiava ser contrariada. Detestava teimosia. Não suportava pirraça. E então, entre as luzes da cidade, eu fiz um plano: > "Mesmo que me bata… vou provocar. Vou resistir. Vou ser a faísca que ela não consegue apagar. E aí… ela mesma vai me mandar embora." E foi isso que fiz. Dia após dia. Sem gritar. Sem correr. Só com a força de quem quer voltar pra casa. Porque agora, eu já sabia o caminho. Foi ali que comecei os primeiros passos. Ela mandava fazer de um jeito — eu fazia de outro. Não por desobediência, mas por estratégia. Por sobrevivência. Chegamos da rua. Ela mandou os filhos subirem. Me olhou com raiva, com a voz seca: > “Tá abrindo as asinhas, moleca? Fica esperta comigo… não esqueci de hoje.” E eu, pela primeira vez, não abaixei os olhos. Olhei direto no rosto dela. E sorri. Não com deboche, mas com certeza. Com a certeza de quem já enxergou a saída. De quem não tem mais medo. De quem descobriu que até uma gaiola pode ser empurrada com a força de um olhar. E então… eu subi. Não fugi. Não corri. Subi. Continuar...

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - continuação

Eu sabia que não podia fugir. Não tinha um real no bolso. Nunca fui paga. Nunca tive nem como ir embora, nem pra onde. Então comecei a pensar: "Se ela não me deixa sair… eu preciso fazer com que ela me mande embora." O plano era sobreviver até a chance. E a chance veio do único gesto gentil naquela casa: o marido dela. Ele chegou de viagem, viu que os filhos iam ao parque de diversões e que ela não queria me levar. Ele não aceitou. Disse que eu ia sim. Brigou com ela. E me deu dinheiro. Disse: “É só pros seus lanches, tá? Pros seus brinquedos. Ela vai comprar os ingressos.” Foi a primeira e única vez em que me diverti. Mas antes do parque, ela ainda tentou roubar o brilho: me levou à feira do rolo. Talvez pra me lembrar que eu não era livre. Mas o que ela não sabia é que naquele parque meu coração andou pela primeira vez em muito tempo. E foi ali que a certeza cresceu: Eu não nasci pra ser prisioneira. Eu nasci pra ser livre. A feira do rolo era cheia, barulhenta, crua. Ela comprava blusas, casacos, uma calça e um sapato. Disse que era pra eu não parecer uma mendiga quando fosse ao parque com os filhos dela. Eu carregava as sacolas, pesadas como o mundo. E foi então que chegou a polícia. Os vendedores ilegais correram. A multidão se espalhou. E ela… foi embora. Com os filhos. Me deixou lá. Sozinha. Eu, adolescente, carregando as compras de uma mulher que me escondia, tive que achar a saída da feira por conta própria. Mas mesmo assim, voltei. Cheguei com as sacolas pesadas, as mãos doendo. Ela estava na cadeira de balanço, fumando um cigarro, como se nada tivesse acontecido. Me olhou com desdém. E soltou: “Pensei que você não viria mais.” Não me abraçou. Não agradeceu. Nem perguntou se eu tinha me perdido. Nem se eu estava com medo. Naquele momento, eu soube: ela nunca ia mudar. Mas eu já tinha mudado. Continuar...

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - Continuação

Ela voltava só às dez da noite. Das 8:30 ao meio-dia, a casa era minha — mas não era liberdade, era silêncio vigiado pelo medo. Mas num desses dias, Angel voltou. Chegou pra conversar. Do lado de fora da casa, eu falei o mais rápido que pude — com os olhos, com as mãos, com o que sobrou de voz. Expliquei. Rápido, rasteiro, com medo de dar tempo da dor me alcançar. E então… veio o domingo. Ela apareceu de novo. Com roupas nas mãos. Na frente da minha patroa, disse: “Olha, Boneca… trouxe essas roupas pra você. Porque só vejo você com essa roupa ou com a de trabalho.” Eu olhei pra patroa. Ela disse com os dentes fechados: “Pega. Ela está te dando. Agradeça.” E eu agradeci. Mas meu corpo tremia. Nesse dia, meu pai ligou. Angel estava ao meu lado. A patroa não pôde me ameaçar. “Bença, pai”, eu disse. “Deus te abençoe, filha”, ele respondeu. Perguntou como eu estava. Eu queria gritar, chorar, contar… mas tudo o que consegui dizer foi: “É saudade.” Porque se eu dissesse mais, a dor voltaria em dobro depois. Meu pai insistiu. “Passa pra minha irmã. Quero falar com ela.” Ela desligou. Na cara. Angel viu. E foi aí que ela não ficou mais calada. Disse que eu podia tomar banho na casa dela quando a patroa saísse. Falou com firmeza: “Ela não devia ter desligado esse telefone.” As duas discutiram. Mas eu já sabia: a partir dali, eu não estava mais sozinha. Ela proibiu a Angel de entrar. Disse que a casa era dela. Que não queria mais visitas, nem bondade atravessando o portão. Mas o que ela não sabia é que eu já tinha acesso ao banho na casa de quem me via. E foi lá — no vapor quente, no cheiro de sabonete, no silêncio sem ameaças — que eu falei, baixinho, mas com o coração inteiro: “Eu já não aguento mais isso.” Angel olhou pra mim, firme. Com olhos de quem sabia o caminho. E disse: “Se você não tomar coragem, vai continuar sofrendo. Mais. E mais. E mais.” Foi aí que algo em mim começou a quebrar. Mas não como um copo. Como um casulo. Continuar...

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - Continuação

Mas um dia, minha mãe ligou. E talvez o universo tenha feito um favor: fez minha voz falhar. Minha voz… já não era a mesma. Não era firme, não era viva. Era vazia. E minha mãe percebeu. Ela perguntou: “Você tá bem?” E antes que eu respondesse, a mulher tomou o telefone da minha mão. Fez de conta que o sinal caiu. Desligou. Só que meu pai — meu padrasto — estranhou. E ligou de volta. Percebeu que ela desligou de propósito. Talvez ali, uma pulga ficou atrás da orelha. Talvez ali, o silêncio tenha começado a rachar. Naquela mesma tarde, uma vizinha veio visitar a casa. E ela me olhou… e sentiu o cheiro da minha dor. Literalmente. Meu corpo, sem banho há dias, revelava o que eu escondia com sorrisos forçados. Foi ali. Naquele instante. Que o segredo começou a apodrecer por fora. E as pessoas, enfim, começaram a enxergar o que já doía em mim há muito tempo. A vizinha, Angel, me olhou. Sentiu meu cheiro de ausência. E me perguntou: “Você tomou banho?” Olhei pra baixo, disfarçando meu medo. Minha voz saiu baixa, educada, com culpa: “Não, Angel… ainda não. Só depois dos meus afazeres.” Quando ela foi embora, minha patroa mandou: “Sobe.” Fui pra parte de cima, em silêncio. A casa parecia ainda mais vazia. Ela subiu logo atrás, com a raiva fervendo no olhar. Chegou perto e disse: “Você tá doida? Quase acaba com a minha vida!” Eu não entendi. Mas pedi desculpas mesmo assim. Porque é isso que a dor ensina: a pedir perdão por existir. E foi aí… que veio o tapa. Seco. Rápido. Cruel. Ardeu no rosto, mas doeu mais no peito. Porque naquele instante, eu entendi que nenhum silêncio me salvaria dela. Continuar...

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - A rotina que me engoliu

Às 7:10, eu voltava da escola. Nem sentava. Ia direto pra limpeza da casa. Acordava a patroa às 7:40, e enquanto ela se arrumava, eu limpava o quarto dela — cada canto, cada rastro. Às 8h, acordava o outro filho. Dava banho, dava o café. Às 8:30, levava pra escola. E era só então que a patroa saía pro trabalho. Mas mesmo com ela fora… o medo ficava. Medo de estar sendo filmada, de pisar em falso, de respirar fora do ritmo que ela tinha imposto pra mim. Então eu fazia tudo como ela queria. Com precisão. Com cuidado. Com medo. Não havia descanso. Nem música. Nem voz. Eu era o silêncio da casa. E o fantasma do que sobrou de mim. Às vezes, meus pais ligavam. Era minha mãe, querendo saber se eu estava bem. Mas não havia como responder de verdade. Porque minha tia — a patroa — ficava do meu lado com o celular no viva voz. E ficava me encarando, com um cinto na mão, ou com uma chinela de couro, como se dissesse com os olhos: “Abre a boca e você apanha.” Ela era irmã do meu padrasto. E ele… sabia. Sabia onde eu estava. Sabia o que ela era. Mas ninguém fazia nada. Então eu sorria pela voz. Dizia "tô bem", mesmo tremendo por dentro. Mesmo querendo gritar: “Me tira daqui.” Mas não podia. Porque minha liberdade dependia do silêncio. E por isso, eu engolia a verdade. Mais uma vez. Mais uma vez. Continuar...

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - Parte 5 Sera 0 final?

Hoje, eu ainda canto, escrevo, desenho. Ainda penso nas cores — azul, roxo, rosa — não no cabelo, mas na alma. Ainda sou largada, mas inteira. Ainda sou vento, mas tenho raiz. Não tenho diploma, mas tenho a prova viva de que sobrevivi ao que muitos não suportariam. E essa história, por mais que tenha doído, me ensinou: ninguém apaga uma mulher que se ama, mesmo quando o mundo inteiro tentou ensiná-la a se odiar. Por: Darllyz Tavares

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História

Sou eu, mesmo quando doeu - Continuação Parte 4

Mas a esperança morava no fundo do peito, como um botão de flor que ninguém via. Eu pensava nela. Na professora de artes que virou de português. Na mulher que eu amei em segredo e que nunca soube que era minha força quando tudo me faltava. Eu lembrava do caderno escondido, da confissão na prova, do dia em que fugi com dor, mas com o nome dela ainda brilhando no pensamento. E então, o tempo andou. A madrugada me cansou. O corpo pediu paz. O coração pediu casa. E num agosto qualquer, voltei. Voltei pra minha cidade. Voltei pra mim. Voltei com marcas que não se viam, mas que gritavam. E ela estava lá. A professora. Com o mesmo olhar firme, mas agora… eu era outra. Não mais a menina calada. Eu era mulher — com história, com rachaduras, com coragem. Não precisei dizer tudo. Mas meu olhar contou. E no fundo, eu sei… ela entendeu. Continuar...

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