Desabafo do luto parte 1
Desabafo do Luto. Eu sei o que é a dor do luto. Ser mãe de anjos é carregar no peito um silêncio que nunca se desfaz. Às vezes me pego imaginando como seria se todas as minhas filhas estivessem aqui comigo… Eram para ser doze vidas, doze histórias. Entre elas, duas gêmeas de 8 e 6 anos que não tive a chance de ver crescer. Na gestação de Ariàdylla e Ariàdynne, apenas Ariàdylla sobreviveu. Perdi Ariàdynne ainda com seis meses, e quase perdi Ary também. Depois, na segunda gestação gemelar, de Darllenny e Dennyse, vivi a mesma dor: perdi Dennyse com quase seis meses. Com Madellaynne (Madeleine), a luta foi outra. Aos oito meses, recebi um remédio errado e precisei ser levada para Belo Horizonte. Quase a perdi, e todas as lembranças das outras perdas voltaram a doer. E houve também minha pequena que nasceu natimorta. Era tão pequenina, com apenas cinco meses, tão frágil que não dava para saber se seria menina ou menino. Se sobrevivesse, viveria presa a aparelhos, comendo por sonda, sem andar nem falar. Não chegamos a escolher um nome. Quando a vi, dentro de um pote de vidro, senti uma dor que dilacerou meu peito. Não era Afrodite, pois havia apenas um canal para tudo, e os pulmões não tinham se formado. Não pude abraçá-la. Apenas pude olhar, supliquei a Deus que a recebesse com carinho, e guardei sua lembrança dentro de mim para sempre. E então veio Mayh (Maythê). No parto, estava com o cordão enrolado no pescoço. Sem dor alguma, ela nasceu, e eu chorei, supliquei a Deus que não a levasse de mim. Quando ouvi o seu choro, agradeci de todo coração. Mesmo com minhas quatro preciosidades nos braços — Ary, de 8 anos; Alleh, de 6 anos; Mady, de 3 anos; e Mayh, de 7 meses — ainda existe um vazio que nada consegue preencher. É um espaço invisível, mas tão real, que pulsa dentro de mim todos os dias. Não é apenas o luto pelas filhas que se foram. É também a falta do meu pai-avô, da minha tia Lucinete, do meu pai verdadeiro… São ausências que atravessam minha vida como sombras silenciosas.
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