Sou eu, mesmo quando doeu - Continuação Parte 4
Mas a esperança morava no fundo do peito, como um botão de flor que ninguém via. Eu pensava nela. Na professora de artes que virou de português. Na mulher que eu amei em segredo e que nunca soube que era minha força quando tudo me faltava. Eu lembrava do caderno escondido, da confissão na prova, do dia em que fugi com dor, mas com o nome dela ainda brilhando no pensamento. E então, o tempo andou. A madrugada me cansou. O corpo pediu paz. O coração pediu casa. E num agosto qualquer, voltei. Voltei pra minha cidade. Voltei pra mim. Voltei com marcas que não se viam, mas que gritavam. E ela estava lá. A professora. Com o mesmo olhar firme, mas agora… eu era outra. Não mais a menina calada. Eu era mulher — com história, com rachaduras, com coragem. Não precisei dizer tudo. Mas meu olhar contou. E no fundo, eu sei… ela entendeu. Continuar...
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