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Victor

@Snoll · desde 2025

🌊 The ocean is blue; to love is to be primal.

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Taça Vazia

Irei à tua morada ao fim da tarde, Quando a luz se desfaz em ouro e bruma; Levando o coração, que em vão se guarde, E a sede antiga que nenhuma espuma Aplaca — pois há sede que não arde Na boca, mas na alma, e se avoluma; Há quem procure o amor, chegue bem tarde, E encontre o próprio eco em vez de alguma Promessa. Beberemos, taciturnos, O vinho que seduz e que condena, Sob o olhar adormecido dos noturnos. E quando a noite, enfim, soltar-me a pena, Verás que há taças cheias de infortúnios E lábios que não curam a alma plena.

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Emocionado

Emocionado? Talvez. Que mal seria Trazer no peito um mar que não se encerra? Se há tanto amor em mim, tanta poesia, Por que esconder o sol debaixo da terra? Não sou excesso, nem sou fantasia, Nem peço à flor que floresça antes da hora; Mas há invernos que prolongam o dia E deixam fria a luz que o peito aflora. Hei de esperar o tempo que floresce, Sem dar saltos por sobre o que não sei; Há verdades que o silêncio desconhece, E promessas que jamais pronunciei. Mas se a estação não vier, nem a flor, Que ao menos não me culpe por ter sido amor.

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Ausência

Se acaso me encontrares, hei de sorrir, Como a manhã que beija a flor deserta; E haverá, sob a luz que me desperta, Um não sei quê que não saberei traduzir. Serei talvez o avesso do que sou, Ou a lembrança de um lugar ausente; O orvalho há de escorrer, tão mansamente, Por sobre aquilo que jamais vingou. Há dias em que sou maré vazia, Noutros, o mar que a própria lua esquece; E a noite, em mim, floresce ao fim do dia. Quem sabe o que se perde não perece, Mas muda de estação, de cor, de via, E habita o que o silêncio não confesse.

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Talvez eu bata a porta

Talvez eu bata a porta e deixe o nosso amor partir, Talvez eu bata a porta, sem sequer me despedir, Talvez eu bata a porta pra esquecer o que vivi, E deixe que o silêncio diga tudo que eu não disse a ti. Talvez eu bata a porta e deixe o tempo me curar, Talvez eu bata a porta pra aprender a te soltar, Talvez eu bata a porta, mesmo querendo ficar, E aceite que há amores que nasceram pra acabar. Talvez eu bata a porta e me esconda da saudade, Talvez eu bata a porta pra fugir da realidade, Talvez eu bata a porta contra a minha própria vontade, Só pra não continuar amando aquilo que virou metade. Talvez eu bata a porta e finalmente deixe-te ir, Talvez eu bata a porta sem esperar-te ressurgir, Talvez eu bata a porta e deixe a vida prosseguir, Para que eu viva em tua memória, enquanto aprendo a não te sentir... Talvez eu bata a porta para te deixar ir embora ....

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Complexa

Não sei se é amor ou vontade de permanecer na parte de mim que só desperta quando te vê. Há qualquer coisa no teu olhar que me faz perder a certeza das palavras que eu ensaiei dizer. Teu nome atravessa meus pensamentos sem pedir, e, quando percebo, já não sei o que pretendia pensar. É estranho como alguém pode, sem sequer insistir, mudar o rumo de uma tarde apenas ao chegar. Não te quero como quem teme a solidão, nem como quem confunde desejo com necessidade. Quero esse silêncio depois da tua presença, quando fico sozinho e ainda encontro tua verdade. Talvez amar seja isso: não saber definir, mas reconhecer em alguém aquilo que falta nomear. E se me perguntarem por que escolhi te sentir, eu talvez não responda. Há coisas que só sabem ficar.

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Girassol

Um dia, quero plantar um girassol, com a mesma cor dos teus cabelos, e, quando ele se inclinar diante do sol, Talvez eu veja nele um pouco de você. Eu ria de Fabrício Corsaletti, por ver nomes escritos pelo céu, mas hoje entendo seus olhos de poeta, pois vejo o teu nome escrito nas estrelas. Penso e falo tanto em ti, sem perceber, que até os astros já sabem teu nome, e quando perguntam se tu vais aparecer, meu peito sorri só de saber que tu vens. Lembro de ti chegando à minha casa, voltando da Bahia, e eu todo desordenado, fui sorrindo até você. Sentamos à mesa, esquecidos da hora marcada, e nenhum de nós queria deixar aquele lado. Falamos do que o tempo fez guardar, das águas que deixamos presas no peito, até que, de mãos dadas, pude enfim contar tudo aquilo que julgava jamais ser dito daquele jeito. E quando partiste, até meu gato quis saber quando tu voltarias para alegrar a casa, talvez ele também tenha aprendido a te querer, Pois você é a cura que minhas rimas abraça.

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Caso à parte

Se me vires aqui, tão só, deixado ao abandono, não perguntes por quê: vem, e fica um instante; há noites em que o homem perde até o próprio nome e precisa de outro olhar para tornar-se constante. Tira-me desse lugar onde o silêncio pesa, onde meus olhos cansados já não sabem repousar; não há lágrima que diga, com exata clareza, o que a boca, por orgulho, não consegue confessar. Tu és meu porque, não de existir por costume, mas de ainda caminhar quando tudo parece cessar; és a pequena desordem que, contra o próprio lume, me devolve alguma coragem de tentar. E eu te amo sem a astúcia de quem teme o que sente, sem promessa ensaiada, sem disfarce ou condição; amo-te até quando teu coração, tão ausente, parece ter aprendido a negar-me a própria mão. Dá-me um abraço antes que eu desaprenda teu calor, antes que a distância torne estranho aquilo que foi nosso; há uma espécie de inverno que não vem do frio, vem quando já não reconheço o lugar do teu rosto. Então me toca a alma, se ainda houver caminho, e deixa que eu te diga, sem precisar de alarde: há encontros que o mundo chama de acaso, e nós, por alguma razão, fomos caso à parte.

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Perdoa-me

Meu amor, perdoa a minha ingenuidade ao teu lado, por vezes não sei pensar quando te tenho tão perto; perco o juízo, a razão, o rumo antes traçado, e o coração, desobediente, fala mais que o pensamento; talvez eu não compreenda os teus sinais tão delicados, mas há beleza até naquilo que não consigo compreender. Perdoa-me pelas vezes em que te fiz entristecer, por minhas tolas inquietações, meus receios e enganos; é que tenho medo — confesso — de um dia te perder, de que outros olhos conheçam os teus mais belos encantos; de que outra voz possa chamar-te pelo nome que amo dizer, e que outro alguém descubra o universo que há em teus olhos. Eu sei de tuas cores, dos teus sonhos e dos teus segredos, do laranja que te alegra, do azul, do rosa e do verde; sei dos teus cachos que proteges com tamanho zelo, do teu amor pelo Sol, pela chuva e pelo entardecer; e guardo cada palavra tua, mesmo sendo esquecedor, pois aquilo que vem de ti encontra morada em minha alma. Amo teu sorriso, tua voz, teu olhar quando estás contente, e até quando estás brava há ternura que me desarma; perco a postura quando tua presença chega de repente, e um simples toque teu transforma silêncio em calma; eu te amo — não pelo que espero que venhas a ser, mas porque, sendo somente tu, já és tudo o que me encanta.

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Eu já não gosto de você

Eu já não gosto de você — é o que digo, sem saber a razão, mas penso em você todos os dias, com a mesma atenção; finjo que o peito não reconhece o que sente o coração, enquanto o seu nome permanece em mim, tranquilo, sem explicação. Eu já não gosto de você, embora ainda saiba esperar, embora guarde cada palavra que você me fez guardar; seu jeito de falar ainda me ensina o que não consigo calar, e até quando fico em silêncio, há vontade de te procurar. Eu já não gosto de você — foi o que escolhi acreditar, desde o dia em que toquei sua mão e esqueci de me afastar; desde que os meus olhos encontraram os seus, sem saber disfarçar, e eu entendi que certas coisas não se escolhem: simplesmente passam a ficar. Eu já não gosto de você, mas reconheço o seu olhar, sei quando sua voz se acalma, quando precisa descansar; você conhece partes de mim que eu nem consigo explicar, e, sem pedir licença ao meu medo, fez de mim um lugar para ficar. Eu já não gosto de você — e hoje aceito a contradição: porque chamar isso de gostar seria diminuir o que sinto no coração; eu já não gosto de você — talvez essa seja minha mais bonita confissão: eu passei a te amar, com cuidado, ternura e a mais sincera intenção.

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Talvez

Dizem que talvez, em outra vida, nossos passos tenham direção. Que o tempo seja menos cruel e mais generoso o coração. Mas eu desconfio dos futuros que inventam salvação; quem ama no presente não sobrevive de imaginação. Se houver outro céu, que eu não precise te procurar. Que teus olhos reconheçam os meus antes mesmo de eu chegar. Que teu abraço não descubra meu nome depois de abraçar; e que o destino, desta vez, não se esqueça de nos juntar. Cansei de confiar em universos que prometem o impossível. O amor já é difícil demais para depender do invisível. Prefiro a dor de um adeus verdadeiro, ainda que irreversível, à esperança de um amanhã bonito, porém inacessível. Talvez em outra vida eu seja a calma do teu vendaval. Talvez teu coração não me trate como um mero temporal. Talvez o mundo não nos escreva um final tão desigual; ou talvez o amor continue sendo apenas um ponto final. Se existir outra vida, que ela não me devolva o que perdi. Que apenas me ensine a viver sem tudo aquilo que nunca vivi. Porque o amor mais triste não é o que um dia teve fim; é aquele que passou por nós... sem jamais começar em mim.

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