Ausência
Se acaso me encontrares, hei de sorrir, Como a manhã que beija a flor deserta; E haverá, sob a luz que me desperta, Um não sei quê que não saberei traduzir. Serei talvez o avesso do que sou, Ou a lembrança de um lugar ausente; O orvalho há de escorrer, tão mansamente, Por sobre aquilo que jamais vingou. Há dias em que sou maré vazia, Noutros, o mar que a própria lua esquece; E a noite, em mim, floresce ao fim do dia. Quem sabe o que se perde não perece, Mas muda de estação, de cor, de via, E habita o que o silêncio não confesse.
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