Eu já não gosto de você
Eu já não gosto de você — é o que digo, sem saber a razão, mas penso em você todos os dias, com a mesma atenção; finjo que o peito não reconhece o que sente o coração, enquanto o seu nome permanece em mim, tranquilo, sem explicação. Eu já não gosto de você, embora ainda saiba esperar, embora guarde cada palavra que você me fez guardar; seu jeito de falar ainda me ensina o que não consigo calar, e até quando fico em silêncio, há vontade de te procurar. Eu já não gosto de você — foi o que escolhi acreditar, desde o dia em que toquei sua mão e esqueci de me afastar; desde que os meus olhos encontraram os seus, sem saber disfarçar, e eu entendi que certas coisas não se escolhem: simplesmente passam a ficar. Eu já não gosto de você, mas reconheço o seu olhar, sei quando sua voz se acalma, quando precisa descansar; você conhece partes de mim que eu nem consigo explicar, e, sem pedir licença ao meu medo, fez de mim um lugar para ficar. Eu já não gosto de você — e hoje aceito a contradição: porque chamar isso de gostar seria diminuir o que sinto no coração; eu já não gosto de você — talvez essa seja minha mais bonita confissão: eu passei a te amar, com cuidado, ternura e a mais sincera intenção.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.