Perdoa-me
Meu amor, perdoa a minha ingenuidade ao teu lado, por vezes não sei pensar quando te tenho tão perto; perco o juízo, a razão, o rumo antes traçado, e o coração, desobediente, fala mais que o pensamento; talvez eu não compreenda os teus sinais tão delicados, mas há beleza até naquilo que não consigo compreender. Perdoa-me pelas vezes em que te fiz entristecer, por minhas tolas inquietações, meus receios e enganos; é que tenho medo — confesso — de um dia te perder, de que outros olhos conheçam os teus mais belos encantos; de que outra voz possa chamar-te pelo nome que amo dizer, e que outro alguém descubra o universo que há em teus olhos. Eu sei de tuas cores, dos teus sonhos e dos teus segredos, do laranja que te alegra, do azul, do rosa e do verde; sei dos teus cachos que proteges com tamanho zelo, do teu amor pelo Sol, pela chuva e pelo entardecer; e guardo cada palavra tua, mesmo sendo esquecedor, pois aquilo que vem de ti encontra morada em minha alma. Amo teu sorriso, tua voz, teu olhar quando estás contente, e até quando estás brava há ternura que me desarma; perco a postura quando tua presença chega de repente, e um simples toque teu transforma silêncio em calma; eu te amo — não pelo que espero que venhas a ser, mas porque, sendo somente tu, já és tudo o que me encanta.
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