Victor @Snoll

Taça Vazia

Irei à tua morada ao fim da tarde, Quando a luz se desfaz em ouro e bruma; Levando o coração, que em vão se guarde, E a sede antiga que nenhuma espuma Aplaca — pois há sede que não arde Na boca, mas na alma, e se avoluma; Há quem procure o amor, chegue bem tarde, E encontre o próprio eco em vez de alguma Promessa. Beberemos, taciturnos, O vinho que seduz e que condena, Sob o olhar adormecido dos noturnos. E quando a noite, enfim, soltar-me a pena, Verás que há taças cheias de infortúnios E lábios que não curam a alma plena.

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.