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Luciano

@Lucian_Wolker · desde 2022

Só para me abrir mais com o mundo

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Poema

Fundo do mar

Afundo em mim mesmo, como pedra jogada no fundo do mar. Meu peito é um oceano sem fim, onde os gritos viram bolhas e sobem… só pra estourar. Há tempestades que ninguém vê, relâmpagos mudos rasgando o céu do meu pensar. Sorrio como farol apagado — bonito por fora, inútil no escuro que há. Minha mente é um labirinto espelhado, me perco em reflexos que não sei se são meus. Procuro uma porta, mas elas me olham… e somem, como sonhos de Deus. Me canso de nadar nesse vazio, meus braços já não pedem salvação, mas talvez — só talvez — alguém escute essa canção. Porque às vezes, o que parece silêncio, é um pedido de socorro em forma de poesia.

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Poema

"Carta que nunca te dei"

Guardei-te em versos que nunca escrevi, num olhar que desvia quando te vê. Falo contigo em silêncios sutis, mas tu nunca ouve — e nem vais saber. Tenho um mundo em mim que é só teu, mas tranco a porta por medo da dor. Já amei demais, e isso me doeu. Por isso escondo esse quase-amor. Às vezes ensaio dizer-te tudo, mas a voz falha e a coragem some. Prefiro o refúgio do não dito, a correr o risco de perder teu nome. Então deixo aqui, sem destinatário, esta carta que nunca enviei. Se um dia sentires algo no ar, era o amor que eu te guardei.

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Poema

"Te amar é o meu destino"

Te amar não é escolha, é algo que o coração decidiu desde o primeiro olhar, desde o primeiro sorriso teu. Eu amo o jeito que você é, tão única, tão intensa, com essa alma leve que me abraça mesmo quando o mundo pesa. Cada palavra tua me ensina, cada gesto teu me mostra a beleza de ser quem se é sem medo, sem pressa, sem máscara. Você é a calma no meu caos, o riso no meio do dia, o sonho que virou desejo e agora é pura poesia. Eu quero ficar contigo, não por um tempo, mas sempre. Te escolher em cada manhã, te amar em cada entardecer. Porque amar você é me encontrar inteiro. E ficar com você é o que mais quero no mundo inteiro

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Poema

Versos Que Não Merecias

Não me arrependo das noites em claro, nem do tanto que dei sem esperar, te dei meu tempo, meu riso mais raro, e mesmo assim, sou eu a lamentar. O que dói não é o que vivi contigo, nem os sonhos que deixei por te ter, mas os versos que escrevi como abrigo pra alguém que só soube se esconder. Te escrevi como se fosses poesia, como se amar fosse tua natureza, mas hoje, vejo que era fantasia, te idealizei... perdi a clareza. Cada linha foi flor em deserto, cada estrofe, um grito sem eco, e mesmo tão longe, tão incerto, teu nome ainda mancha meu caderno. Hoje, rasgo as páginas do passado, não por raiva, nem por dor, mas pra libertar o que foi sufocado: meu direito de viver um novo amor.

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Poema

Uvinha Do Meu Coracão

Entre cachos doces do meu pensar, surgiu você, uvinha a brilhar. Tão pequena, tão cheia de cor, cabia no mundo inteiro o teu sabor. Seu jeitinho doce, meio tímido, encantador, me lembra o primeiro riso do amor. Quando te vi, meu céu clareou, o tempo parou, o peito cantou. Você é fruta que a vida ofertou, em cada mordida, carinho brotou. Na tua pele roxinha, um universo se esconde, onde o amor é leve, e o coração responde. Tão delicada, tão cheia de encanto, tua presença acalma, dissolve meu pranto. És a canção que brota no pé, vinho dos dias, néctar da fé. Uvinha pequena, pedaço do céu, tão doce que o tempo perdeu o papel. Com você, os dias ganham sabor, e até o silêncio sussurra amor. Gosto da forma que brilha ao luar, como se o mundo quisesse te guardar. Uvinha, és mais que fruta, és poesia, és sol da tarde, és minha alegria. Vamos dançar sob a parreira do tempo, sem pressa, sem medo, ao som do vento. De mãos dadas, sem hesitação, te levo comigo no coração. E se um dia alguém perguntar quem és, direi sorrindo com toda altivez: “É minha uvinha, meu doce querer, é o amor que escolhi pra sempre ter.”

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Poema

Cansaço

Há um cansaço em mim que não se explica, um peso frio que os ossos conhecem, um esgotamento que não se cura com sono, com tempo, com nada. Eu olho para os dias que se arrastam, todos iguais, sem cor, sem alma, como se fossem apenas restos de algo que já foi vida um dia. O silêncio grita dentro da casa, mas ninguém escuta, ninguém responde. A dor, essa velha amiga ingrata, senta ao meu lado e segura minha mão. Eu quis tanto encontrar um abrigo, um colo onde a alma coubesse inteira… Mas as portas estavam sempre trancadas, e eu sempre do lado de fora. Agora, só restam memórias gastas, como cartas esquecidas na chuva, e o medo de que, no fim das contas, eu nunca tenha existido de verdade.

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Poema

O Peso da saudade

O vento canta tua ausência na fresta fria da janela. O tempo, esse algoz sem pressa, desfia os dias, arrasta as horas e me deixa preso em ontem. Teu nome pesa nos meus lábios, mas não ouso pronunciá-lo. Se o digo, ele se esfarela, vira eco, vira sombra, vira nada. Tua falta é faca cega que fere lenta, sem piedade. Dói no peito, dói nos ossos, dói na alma, dói onde nem sei que existe dor. Se ao menos a saudade matasse… Mas não, ela me faz viver só para me ver morrer um pouco mais a cada dia.

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Poema

O canto da solidão

Há um silêncio gritando nas frestas da casa, um vento antigo sussurrando nomes que esqueci. As paredes murmuram histórias já mortas, fantasmas dançam nas sombras que eu nunca vi. O relógio mastiga o tempo com dentes de ferro, cada segundo é um suspiro que se esvai. Minha alma, um barco sem velas no oceano, flutua ao sabor do nada e jamais volta atrás. As cartas que nunca enviei amarelam na gaveta, papéis frágeis como promessas quebradas. As palavras afogadas no tinteiro seco são peixes mortos em águas paradas. E a lua, sempre indiferente e fria, como um velho amigo que não mais me vê, se debruça no céu sem dar explicações, brilhando para quem não quer entender. Meus passos ecoam no vão do silêncio, chamando por nomes que nunca respondem. O eco devolve apenas a minha própria voz, um lamento rouco que ninguém esconde. E no espelho, um estranho me encara, olhos de vidro, um sorriso em ruínas. Sou um corpo vestido de ausências, abraçado apenas por suas próprias neblinas. A noite engole as últimas luzes, as estrelas caem sem fazer barulho. E eu me afundo, tão leve, tão quieto, como folhas mortas levadas pelo julho.

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Poema

Cemitério de Silêncio

Há um peso no ar que ninguém enxerga, uma névoa densa que se agarra à pele. Cada palavra que não disse se empilha em mim, como lápides de um cemitério invisível. As horas me olham com olhos fundos, ociosos vigias do tempo perdido. Eu as escuto arranhando as paredes, tentando escapar do cárcere dos ponteiros. Os dias se dobram sobre mim como lençóis úmidos, pesados, mofados, cobrindo meu peito cansado. A noite, essa velha conhecida, desenha em meu teto constelações de solidão. Sou um rio que já esqueceu o caminho do mar, uma vela acesa em um quarto vazio. Meus sonhos são folhas amareladas, presas em um livro que ninguém abriu. Se eu gritasse, será que o vento ouviria? Se eu chorasse, será que a terra beberia? Mas tudo que faço é caminhar em círculos, seguindo pegadas que sempre foram minhas. O tempo me veste com um manto de ausências, e o mundo passa sem me notar. Sou apenas um nome murmurando ao vento, um eco perdido, sem ninguém para escutar.

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Poema

Ruinas do Eu

Carrego nos olhos a poeira dos dias gastos, como um prédio esquecido que insiste em ficar de pé. As horas me atravessam como lâminas enferrujadas, cortando o que resta do que um dia fui. A noite me abraça com braços de névoa, sussurrando silêncios que só eu entendo. O vento canta um lamento nas janelas trincadas, como se soubesse o peso que não se vê. Sou um mar sem ondas, um fogo sem luz, um nome escrito na areia que ninguém lê. Tudo que toquei virou cinza nos dedos, e até a esperança já me esqueceu. Se um dia fui primavera, já não me lembro, sou apenas inverno que nunca tem fim.

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