O canto da solidão
Há um silêncio gritando nas frestas da casa, um vento antigo sussurrando nomes que esqueci. As paredes murmuram histórias já mortas, fantasmas dançam nas sombras que eu nunca vi. O relógio mastiga o tempo com dentes de ferro, cada segundo é um suspiro que se esvai. Minha alma, um barco sem velas no oceano, flutua ao sabor do nada e jamais volta atrás. As cartas que nunca enviei amarelam na gaveta, papéis frágeis como promessas quebradas. As palavras afogadas no tinteiro seco são peixes mortos em águas paradas. E a lua, sempre indiferente e fria, como um velho amigo que não mais me vê, se debruça no céu sem dar explicações, brilhando para quem não quer entender. Meus passos ecoam no vão do silêncio, chamando por nomes que nunca respondem. O eco devolve apenas a minha própria voz, um lamento rouco que ninguém esconde. E no espelho, um estranho me encara, olhos de vidro, um sorriso em ruínas. Sou um corpo vestido de ausências, abraçado apenas por suas próprias neblinas. A noite engole as últimas luzes, as estrelas caem sem fazer barulho. E eu me afundo, tão leve, tão quieto, como folhas mortas levadas pelo julho.
G
Caramba muito bom hein
G
Gostei!! Continue fazendo poemas assim.
Luciano
agradeço por suas palavras ❣️, sou um pouco ausente mas de vez em quando venho com alguns presentes kkk