Cansaço
Há um cansaço em mim que não se explica, um peso frio que os ossos conhecem, um esgotamento que não se cura com sono, com tempo, com nada. Eu olho para os dias que se arrastam, todos iguais, sem cor, sem alma, como se fossem apenas restos de algo que já foi vida um dia. O silêncio grita dentro da casa, mas ninguém escuta, ninguém responde. A dor, essa velha amiga ingrata, senta ao meu lado e segura minha mão. Eu quis tanto encontrar um abrigo, um colo onde a alma coubesse inteira… Mas as portas estavam sempre trancadas, e eu sempre do lado de fora. Agora, só restam memórias gastas, como cartas esquecidas na chuva, e o medo de que, no fim das contas, eu nunca tenha existido de verdade.
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