Ruinas do Eu
Carrego nos olhos a poeira dos dias gastos, como um prédio esquecido que insiste em ficar de pé. As horas me atravessam como lâminas enferrujadas, cortando o que resta do que um dia fui. A noite me abraça com braços de névoa, sussurrando silêncios que só eu entendo. O vento canta um lamento nas janelas trincadas, como se soubesse o peso que não se vê. Sou um mar sem ondas, um fogo sem luz, um nome escrito na areia que ninguém lê. Tudo que toquei virou cinza nos dedos, e até a esperança já me esqueceu. Se um dia fui primavera, já não me lembro, sou apenas inverno que nunca tem fim.
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