Cemitério de Silêncio
Há um peso no ar que ninguém enxerga, uma névoa densa que se agarra à pele. Cada palavra que não disse se empilha em mim, como lápides de um cemitério invisível. As horas me olham com olhos fundos, ociosos vigias do tempo perdido. Eu as escuto arranhando as paredes, tentando escapar do cárcere dos ponteiros. Os dias se dobram sobre mim como lençóis úmidos, pesados, mofados, cobrindo meu peito cansado. A noite, essa velha conhecida, desenha em meu teto constelações de solidão. Sou um rio que já esqueceu o caminho do mar, uma vela acesa em um quarto vazio. Meus sonhos são folhas amareladas, presas em um livro que ninguém abriu. Se eu gritasse, será que o vento ouviria? Se eu chorasse, será que a terra beberia? Mas tudo que faço é caminhar em círculos, seguindo pegadas que sempre foram minhas. O tempo me veste com um manto de ausências, e o mundo passa sem me notar. Sou apenas um nome murmurando ao vento, um eco perdido, sem ninguém para escutar.
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