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Juan Esdras

@Esdras_11 · desde 2020

Indivíduo melancólico com aspirações arcadistas

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Poema

Incerto de Ser

Um poeta do destino Sem um mapa nem noção Não sabe o que faz com o que sente Promessas para pura ilusão Sofrendo deixa de conformar Mas continuando torna a noção. Poeta da promessa Que não sabe o refrão Vê com dois e se compara Cospe e tange com escarra Mesmo encabrestado e pidão Encalho do destino Cegueira visceral A busca acha a dor a vontade cospe o perdão Morre etéreo e infame A promessa de seus irmãos. Noite de muitas relvas Céu de tingidor Quem és tu no grande termidor? Que tanto gaba mas geme Aceitando o inefável servidor. Ser poeta de poetas um dito prometido Mas basta a esperança com temor Ainda que entulhe e cambaleie o tal do escritor.

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Poema

Quando a neve cai lá fora

A neve cai lá fora, fria como aço criogenado Só quem mais precisa anda pelas ruas a essa hora Os carros andam com dificuldade A neve lhes penetra desde as juntas E esfriam os motores suburbanos. Quando abre-se a boca na neve lá de fora Vê-se uma nuvem de vida se formar E face a face você percebe a sensibilidade Que só algo como a vida poderia ter Porque nos protegemos da neve para ter como correr E viver mais algumas horas de uma vida sutil. Quando neva lá fora, as folhas param de viajar As aves cessam de granjear Os insetos saem sem nem demorar Porque o frio não perdoa os fracos Não amansa os de coração quente Ela quer esfriar o que sente Conformar o que entende Que assim será até a neve cessar. Quando a neve cai lá fora, as latas de lixo parecem castiçais Uma imundícia disfarçada de prudência Que continua guardando lixo Mas que não presume deixar de aparentar plenitude Porque achem o que achar Nunca algo podem mudar. É que ninguém lembra das latas de lixo Deixadas nas calçadas Na neve lá fora E que é quando neva lá fora Que eu percebo  A extasia da mansidão O acaso advento da paixão Que me romantiza o fato de então Ser só eu, só eu e a solidão.

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Amor

Poesia líquida

Uma vez eu quis escrever uma poesia. Não sabia por onde começar. Fiz que queria saber, fui investigar. Poesia é feita do pensar. Então por que quer escrever? Pois quero sobre sentimentos falar Pois quê? Onde está? Era sobre uma moça, uma de beleza singular Engraçado que quando nela pensava, não sabia o que deflagrar. Mas então me fugiram os sonetos As rimas foram passear Pois ela de mim não gostava Queria mais me baratear. Então meu sorriso se sumiu Meu sentimento ruiu E a poesia, pra outra moça, vou deixar.

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Poema

Não Sei

Não sei. Sei lá. Não sei ler. Só ouvir. Não sei tocar. Só refletir. Não sei escrever. Só protelar. Não sei amar. Só adiar. Não sei dizer. Só titubear. Não sei sorrir. Só tentar. Não sei sentir. Só ficar. Não sei nada. Quiçá. A única coisa que sei é pensar.

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Jesus

Venit Tempus

Mas que delícia este século Andem, andem, Ele virá Toda chaga, todo torpor findará Porque amaste, quiçá, sanguinolentos Por favor, chegue, pare estes dias truculentos Vive o bem, sobrevive o mal Mas às portas há Um celestial Olhem e vejam: é O profeta! Sim, ele virá como um poeta Anunciando os júbilos de seu Pai Matando um deus foeta Reunirá os sazonados; os abraçará Paguem, expiem, Ele os amará Todo ser a cantar: Venit tempus! Chegou a hora do rei, em paz, reinar!

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Infância

Passado é Papel

Quantas folhas. São memórias? Leria com um pouco de raiva estes termos Por que deveria queimá-las? O cheiro seria terrível e a dor profunda Se é que criança anda e afunda Bate bola no chão No chão a bola bate e em mim também Caramelos e balões, saiam do colchão Papiros! Parecem papiros! Não me lembrava disso! Também que tocá-los traria sorrisos. Isto era lá atrás? Oi, jovem semente. Pois não? Queimou-os? Ah, Tudo bem. Eles precisam ser esquecidos Não há mais tinta para tanto papel Amo ser velho, novo como tal Ter o olhar de pureza O vigor e a esperteza de um pretérito jovial Belas minhas rugas, não? Ontem fui moço e hoje sou velho De muitos conselhos e bloqueios Não escrevo mais, ainda amo meu ursinho Ainda tenho a vida como qualquer criança ama. Mamãe dizendo: não vá com caramelos para a cama.

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Amor

Ironias do Amor

Até quando terei eu que esperar? Minhas botas não fazem primavera Sinto que esse alguém nunca vai chegar Minha vida é suficiente nessa era. Sobre a luz do sol e a fria neblina O universo observa e ri das nossas alucinações Um teatro sem plateia, vidas sem realidade Ao menos, com isso, conseguimos superar. O amor não existe, ou ainda não o vi Ontem gosto, hoje ama, amanhã parte daqui Deixando o coração pesado, ah bagagem infeliz Ela me deixou. E eu, poeta e pesador, fico ao compasso do universo No banco da praça sorrindo os pesares da vida. E eu? Hei de ficar só Se o amor existe deixe-o pra lá Não quero mais procurar, tampouco aguardar Diga-me: até quando terei que esperar? Sou compreensivo e conformado Talvez, deste sentimento, manipulado Prefiro o platônico, o imaginário Sou homem que ama, porém solitário.

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Poema

Fati, fatídico

Fati, fati, fati Que coisa absurda, mas decerta Veja o caos comum, como é formoso Por que tal coisa, não se sabe Quando este respiro perdeu a linha? Em que era foi-se a beldade? Veja tudo tão sádico e egoísta Onde está o meu amor? Por que secos estão os olhos? Poderia viver sem tal direito? E a praga da injustiça? E essa dor que só empetece? Nada se perde, nada se cria Tudo empobrece. Posse do amor ou amor por posse? O meu já se acabou, sumiu. E à luz da razão sanou, ao escuro da verdade fugiu. Por que tanto odor onde há dor? Fati amor ou amor de funil E o que me diz do sofrimento anil? Era porque o homem arrefeceu Ou simplesmente, de si, não se arrependeu?

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Debilidade

Dane-se o que os outros pensam Dane-se o que pede o impulso Dane-se aquilo o que folículos pensam. Estar só não significa sentir-se só. Sinto-me normal, mas logo se dissipa Penso razão como homens são Mas dane-se o que sinto, bem será a razão Não é para isso a luz? Minha carne será vendida! Minha mente me transcende Meu corpo se ascende Mas não é o trilho regular Não que a vida me dirija Mas também não sou livre. Dane-se os folículos Estou triste, mas dane-se isso O que chamam de felicidade é podre O que acham podre é simples O que é simples tem sementes de felicidade Simplesmente viva! Não reflita O choro vem com o vazio A angústia, pela comparação Viver é um doce! Para muitos, amargo.

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Os livros

O livro na estante com corpo alvo e limpo As páginas vão passando e as letras indo A luz jovem erradeia e os aquece E isso é o que, todos os dias, se repete. As luas trocam e o monte cresce As folhas amassam e difícil parece Mas o monte cresce Na leitura contínua a poeira repousa no papel A estante balança e alguns caem Eles criam pernas e são arrastados Voltam a crescente pilha com pouco atraso O monte para e os rasgos se atenuam Finda-se, e o vento sopra leve E de cair e fracassar Os ácaros deles se apossam Porque quando livros se fecham Não voltam mais Os parágrafos se ofuscam do papel Mas dos novos livros, não apagar-se-ão jamais.

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