Ironias do Amor
Até quando terei eu que esperar? Minhas botas não fazem primavera Sinto que esse alguém nunca vai chegar Minha vida é suficiente nessa era. Sobre a luz do sol e a fria neblina O universo observa e ri das nossas alucinações Um teatro sem plateia, vidas sem realidade Ao menos, com isso, conseguimos superar. O amor não existe, ou ainda não o vi Ontem gosto, hoje ama, amanhã parte daqui Deixando o coração pesado, ah bagagem infeliz Ela me deixou. E eu, poeta e pesador, fico ao compasso do universo No banco da praça sorrindo os pesares da vida. E eu? Hei de ficar só Se o amor existe deixe-o pra lá Não quero mais procurar, tampouco aguardar Diga-me: até quando terei que esperar? Sou compreensivo e conformado Talvez, deste sentimento, manipulado Prefiro o platônico, o imaginário Sou homem que ama, porém solitário.
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