Passado é Papel
Quantas folhas. São memórias? Leria com um pouco de raiva estes termos Por que deveria queimá-las? O cheiro seria terrível e a dor profunda Se é que criança anda e afunda Bate bola no chão No chão a bola bate e em mim também Caramelos e balões, saiam do colchão Papiros! Parecem papiros! Não me lembrava disso! Também que tocá-los traria sorrisos. Isto era lá atrás? Oi, jovem semente. Pois não? Queimou-os? Ah, Tudo bem. Eles precisam ser esquecidos Não há mais tinta para tanto papel Amo ser velho, novo como tal Ter o olhar de pureza O vigor e a esperteza de um pretérito jovial Belas minhas rugas, não? Ontem fui moço e hoje sou velho De muitos conselhos e bloqueios Não escrevo mais, ainda amo meu ursinho Ainda tenho a vida como qualquer criança ama. Mamãe dizendo: não vá com caramelos para a cama.
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