Juan Esdras @Esdras_11
Poema

Quando a neve cai lá fora

A neve cai lá fora, fria como aço criogenado Só quem mais precisa anda pelas ruas a essa hora Os carros andam com dificuldade A neve lhes penetra desde as juntas E esfriam os motores suburbanos. Quando abre-se a boca na neve lá de fora Vê-se uma nuvem de vida se formar E face a face você percebe a sensibilidade Que só algo como a vida poderia ter Porque nos protegemos da neve para ter como correr E viver mais algumas horas de uma vida sutil. Quando neva lá fora, as folhas param de viajar As aves cessam de granjear Os insetos saem sem nem demorar Porque o frio não perdoa os fracos Não amansa os de coração quente Ela quer esfriar o que sente Conformar o que entende Que assim será até a neve cessar. Quando a neve cai lá fora, as latas de lixo parecem castiçais Uma imundícia disfarçada de prudência Que continua guardando lixo Mas que não presume deixar de aparentar plenitude Porque achem o que achar Nunca algo podem mudar. É que ninguém lembra das latas de lixo Deixadas nas calçadas Na neve lá fora E que é quando neva lá fora Que eu percebo  A extasia da mansidão O acaso advento da paixão Que me romantiza o fato de então Ser só eu, só eu e a solidão.

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