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Emerson Ribeiro

@Eme_O_Poeta · desde 2024

Eu escrevo aquilo que sinto Eu escrevo aquilo que nunca senti Eu escrevo aquilo que nunca sentirei

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Poema

Ruptura do Sofrer

Para ti, ser falido das intenções malfeitas desse absurdo cósmico. ​Não chores. Porque agora não choras. ​És livre de todo ar poluído dos pensamentos inconsequentes. És poeta. És niilista. És estoico. És de um tudo e mais um pouco, se puder. ​Não chores... porque agora não choras. ​O ser que um dia foi vida e angústia no compasso só: és divino. És suspiro de alívio, mesmo não suspirando por aqui. ​Suicídio benigno de um ser pequeno, que está farto de sentir todas as amarras do sufocamento inexplicavelmente perfeito

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Poema

Mente deprimida

Restam-me as mágoas dessa exorbitante e absurdista vida. Calaram-me com o repúdio lamaçal das sobriedades inlúcidas. O tempo virou estereótipo de sanguessuga: Suga-me o pouco de sanidade que tinha emprestado com juros pouco abusivos. A cama virou areia movediça. À medida que me mexo, me afundo nessa cegueira dogmática, niilista; Schopenhauer, Nietzsche, Cioran — meus pensamentos são eles. Meus poemas não refletem mais nada para mim. Só vejo palavras, verbetes e vocábulos; em resumo, só vejo um conjunto de letras. Consciência tornando-se daltônica quando vejo o mundo pelas minhas lentes: tão sem cor, tão cinema anos 30, tão eu. Tão eu...

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Poema

Noite Mal Dormida de Cafeína (Poema/Relato)

O cálice sagrado ao qual eu sempre me refiro como café me acorda do sono exagerado de um passo mal dado de um dia qualquer. Qualquer este que me perturba os nervos. ​Como bem mãe me dizia: "A diferença do remédio para o veneno é a dose". Ignorei, como bem entendia. Se bem que não entendia do desgaste do mau sono causado pela noite de cafeína. ​Ademais, sempre foi assim, um psicólogo ao meu ouvido suplicando por equilíbrio de uma vida infeliz: "O excesso esconde uma causa", Freud disse. ​O primitivismo da minha autossabotagem é sempre o mesmo: um nunca é o suficiente, mais que isso é exagero. ​Tomei seis xícaras de café sem açúcar. ​Cortei, ah! E como! Cortei reclamando: "Como vou manter o equilíbrio se tudo é porta de entrada? Não sabes? Em um gole de xícara a rebeldia do meu vício já busca a golada da garrafa!" ​Parei, cortei. Café? Nunca ouvi falar, o que é isso? Suponho que seja uma semente plantada por Deus pra fazer morto levantar... E reclamar das despesas. ​Dor de cabeça... Não seria tampouco uma simples dor de cabeça; era enxaqueca, leiga, por ser lenta demais passando por minhas artérias estreitas. ​Tomei medicamento como um poeta (buscando suprir a dor que, por ora, era por medicamentos e não por lirismo). ​O remédio tinha cafeína... Em outras palavras: A tinta da caneta do poeta estourou, fazendo seus sentimentos plenos sumirem à medida que a tinta acaba. ​POEMA/remédio BONITO DEMAIS/a cura Para no final ser uma desgrafeína.

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Poema

Apoteose do Falar

Falar virou um vício do tanto-quanto-me-digo, Falando versos variados e ascos, Com uma hombridade de risos Calados, mofados casacos, num levantar imaginário de um pobre ruído. — Papai, compra sorvete? — Filho... sorvete de baunilha ou chocolate? — Não sei, papai... tanto faz, o importante é que não contenha vaidade. Sabe... dependendo da idade, vontade, vitalidade da alma do funcionário que está agindo na bondade, que por mero capricho se destaque... não vou querer o sorvete sabor superficialidade. Falar virou uma busca de sentido num tom mais sarcástico e sinistro: falar a si mesmo para si mesmo saber do que está falando. É algo que, no final, me gera páginas de livros — poéticos, de preferência. “Nuh, que exaustão, sô! Quem disse que tem como ler algo neste pobre cangaço, tal qual o sol me dói os braços? Se ler fosse ouvir as asneiras que os fofoqueiros falam por aqui num tom de sermões, então me considere um leitor de tal prestígio aguçado, que ensinou português seco e quebrado ao pobre Camões.” Falar sempre me pareceu um paradigma. Não sei dizer ao certo. Falamos por falar, incertos, Disfarçando o abstrato cor-de-concreto, Manejando nossas ideias de cunho improvisado nessa selva de... concreto. Voz do alter ego: “Rimou concreto com concreto. Os parnasianos vão puxar sua perna debaixo da cama para te lançar ao teto... Cuidado, anônimo poético.” Mas, no final, é isto que eu lhe digo: falar demais é perigoso, sim, eu sei, mas sua fala é seu mais íntimo amigo. Até porque, na ausência das externas vontades, do calor, do transparecer de outra carne, você tem a si a sua língua, diante de uma mente confusa de detalhes. E quando percebes, num mero contraste #&a@##: nasceu um poeta.

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Poema

Chão de Rubi

Apartei-me de mim faz um bom tempo; Um bom tempo apertei-me de mim (antítese maldita). Fugi descalço por esses chãos de rubis, Amaldiçoando as superficialidades das mentes que ali estavam. O chão, nobre de história, mas oco de sentidos. O chão sou eu... Pus este cálice, que me embebedava, para fora da "taberna perturbada" que eu, inelutavelmente, chamo de coração. Tinha que vir de dentro, eu já sabia; por saber disso, poucas foram as noites em que eu não sabia de nada — ou quase nada. Desvencilhei-me de mim ao negar meus desejos, ou aproximei-me de mim ao almejar o mais bruto de mim? Vale a indagação. Apartei-me de mim (antítese maldi-)... Apertei-me de mim numa nova visão de mundo, sem ares poluídos. O tédio do desejo ao ruído, pacato demais para ser levado a sério; logo eu, que prefiro o silêncio das noites místicas que, por sua vez, sempre me aproxima da realidade, causando-me calafrios. O tédio é um resultado básico de que — desprendi-me de mim. A âncora pesada da minha inocência desaprendeu-se do meu cerne, tão cortisado de razão, e chafurdou nessas lamas esquecidas, chamadas inevitavelmente de passado.. E no bom tom de melodia desse silêncio, em que não há nada a não ser partículas e átomos vagantes, Tenho a razão de que me encontrei. Ao tirar todos esses artefatos, eu me vi em sua forma mais viva e nítida, e notei que não sou nenhuma daquelas vaidades sobre mim — chão de rubi. Por baixo dessa casca dura, existe a terra dos animídeos; esse sou eu em sua forma mais pura, onde tudo floresce, e se deixa florescer. Apartei-me de mim, e é isso que eu precisava. Pensei, num tom de lucidez, que a única matéria que eu seria obrigado a carregar seria minha própria carne; porém, num lapso de ultralucidez, vi que fugi de mim sem usar minhas pernas. Não preciso de um mapa para decifrar os enigmas das minhas angústias. Sob um sol que me ilumina, Sobre uma cama que me aconchega, Apartei-me de mim.

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Bloco Preto e Branco

O silêncio que ocorre entre a timidez dos nossos olhos, tão rebeldes de contatos, suplica o conformismo das nossas cobertas, tão cobertas por razões. Onde ficar em casa é uma dádiva para uma alma sensível a situações, adocicada de virtudes e sonolenta. Mexo-me no meu assento, não coloco ponto na inquietude; parafraseio seus pensamentos, tão barulhentos de expressões. Sinto-me down ao seu lado. Ajo clemente por razões as quais não sei dizer — logo a ti, que me faz sentir como um poeta descrente de mim. Eu ando pelo salão, escolhendo pisar entre os blocos pretos e brancos; a mesma anda no desleixo apressado de não se importar onde pisa. Pisaste em mim como algo sem valor, pisaste num tom meio La Valse d'Amélie. Pisaste com maestria entre as harmonias dos meus olhos, tão escassos de compaixão. Calei-me

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Árvores Prateadas Não Nascem de Moedas

Ó minha carne, Dói em mim como choro mal compreendido. Dói numa dor sem estimativa, Dói numa dor perdida. Ó minha carne improdutiva, Quando vieste ao mundo, não passaste de desgaste. Não tiveste propósito algum e, quando pensaste que tinhas, enganaste-te — Como um cachorro que procurava comida em lixo eletrônico. Minha carne fere a mim. Oh, céus, fere a mim numa ferida irreversível, Do lado realístico, que nenhuma pomada é capaz de cicatrizar, Esse sangue cor-de-iludido. Sou um desgraçado sem tamanha exceção, Exceto quando... Não, não, sem exceção. Aos frangalhos sobre um leito velho, Que já vivenciou meus choros e risos Em uma noite fleumática de cartelas e mais cartelas de comprimidos. Subo-me eu mesmo, puxando-me à força Para ver o efeito do que é tentar algo diferente, A não ser... minha carne frágil. É o espírito silencioso em meio à multidão; É o olho embaçado de lágrimas enxergando o ponto de visão; É o abraço sem motivo do porquê ao não; É o espírito que se move com fluidez nesse absurdo de vida consciente. O espírito é aquele menino que pensava que doce era seu alimento favorito — saudades — Quando plantava moedas pensando que ia nascer uma árvore enorme e prateada, Que se machucava descalço e fingia estar bem para não levar bofetadas. Porém, aos meus 21, sou carne, E me sinto menos racional que meus 8 de espírito. Tentei, busquei, mas não sabia que crescer demais mata... E matou-me. Matou-me porque carne morre, espírito prevalece — Seja para os meus, seja para quem nunca conheci.

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Ricardo Almeida e a Mais Bela Morte

Morrer é uma herança do pecado para nossas agonias. Agonia corriqueira dentre várias conduções cheias de esperança mal-sucedida, que prevalece nos olhos cansados de uma noite mal dormida de cafeína. Morrer é o acaso mais belo, onde todas as coisas tornam-se especiais, absolutamente especiais, por termos a ideia da finitude. Absolutamente fria, estoica, niilista, minimalista: a morte. Aquela que sussurra nos seus ouvidos em momentos de deslumbre. Sim, aquela que resgata o seu olhar frio de apatia ao momento oportuno. Num chá, num café, ela vem dentre as fumaças que entram em suas narinas, a fim de estabelecer uma novidade da realidade que não é mais aceita aos seus moldes. "A dor é uma constância; a morte é um mero detalhe", ouvi-lhe dizer. E ele, falando, chorando como uma criança nova de vida, porém sabida de morte, demasiadamente infermo de uma alma insolsa. E, chorando aos meios-fios de uma avenida apressada de sonhos, ele quase caiu. Só não caiu por não ter visto sentido na queda e, sabendo que um dia se vai, para ele tanto faz os movimentos descuidados. Choro no choro, olho ao abismo, pulso contraído, olhos fluídos. Ele se deixa ocorrer. Ele se permite acontecer. E, se acontecendo, ele aprende a mais bela morte de uma alma pressionada por velas e palavras que se dissolvem ao ar. Ricardo Almeida amadureceu seus pensamentos, tornando-se um homem íntegro de vontades breves. Para ele, não fazia mais sentido se deslumbrar com as perdas, mas sim agradecer à linha do tempo em que aquilo ocorrera, eternizando-a em seus neurônios com prazo de validade. Num contraste de um soluço sem saudade, sobre um chão marcado por passagens finitas. Finitas, finitas, finitas e finitas...

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Niilismo Transversado de Conselho

Essa chatice que me consome Vem do evitar de todas essas, e mais outras, noites mal dormidas de dúvidas. Esse calor extremo sem necessidade de sombra, Toda essa ambição inútil que, no fim, gera ansiedade, Todo o excesso, sem exceção de fôlego, Todo esse desespero ilusório de que estás atrás de tudo. O mundo não é uma corrida constante, mas sim obras de acasos: Ao acaso você acorda e ao acaso você dorme; Ao acaso você se apaixona e ao acaso você decide; Ao acaso você desiste e ao acaso você prossegue. A intranscendível e constante necessidade humana de pôr fundamentalismo em tudo que o toca... Não há uma regra específica para que se aja de forma que se deva agir. Se tudo é o acaso, então tudo será frio e seco, Que, no fim, faz uma lesma vencer o Ayrton Senna na corrida — porque, para ela, quem vence é quem corre mais lento. O John Lennon me disse: "Take it easy". E eu disse: "Do heavy work". No fim, ele estava certo. É o mais puro e inocente veredito: para tudo fluir, antes, perdoe-se pela sua ambição. Pegue leve e perceberás que não precisa de muito para fazer, e sim manter a calma. Take it.

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Poema

Segunda-Feira Absurda

Dedos entrelaçados, rosto franzido: é uma manhã de segunda-feira. O efeito de um copo de café não está surtindo; demasiadamente, busca por mais. Acende um cigarro e pensa: Albert Camus. Cospe no chão sem olhar e anda. Os olhos estão pesados; os fecha por dois segundos e vem à mente: "quero meu quarto". Olha o transporte público chegando. Joga o cigarro no chão e o amassa com o pé, logo pensa: Clint Eastwood. A tensão toma conta: ônibus cheio demais. Encontra um canto tímido na última fileira, perto da janela; senta com o cortisol circulando. Olha o aparato com um olhar revoltado, cria cenários... Com o viés de um velho chato e um adulto frustrado, teatro! Cria um teatro: no começo, uma criança; no fim, um adulto assassinado. Logo saca: Shakespeare! Saiu do ônibus deslumbrado pelos cenários imaginados e, de forma recorrente, trouxe a conexão com o obscuro passado: notou o abismo. Com medo, descarta o pensamento induzente e faz uma piada na própria mente: — Tive a ânsia de possuir essa frustração, agora o tédio de sofrer por isso grita mais alto. Se Nietzsche tivesse dito isso antes, eu deixaria o Schopenhauer de lado, haha! Daí então, Ivanildo desperta no pátio do asilo e nota todo mundo rindo dele, chamando-o de esquisito. Volta para sua poltrona e enforca a si mesmo, gritando: — CIORAN, SEU MALDITO!

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