Chão de Rubi
Apartei-me de mim faz um bom tempo; Um bom tempo apertei-me de mim (antítese maldita). Fugi descalço por esses chãos de rubis, Amaldiçoando as superficialidades das mentes que ali estavam. O chão, nobre de história, mas oco de sentidos. O chão sou eu... Pus este cálice, que me embebedava, para fora da "taberna perturbada" que eu, inelutavelmente, chamo de coração. Tinha que vir de dentro, eu já sabia; por saber disso, poucas foram as noites em que eu não sabia de nada — ou quase nada. Desvencilhei-me de mim ao negar meus desejos, ou aproximei-me de mim ao almejar o mais bruto de mim? Vale a indagação. Apartei-me de mim (antítese maldi-)... Apertei-me de mim numa nova visão de mundo, sem ares poluídos. O tédio do desejo ao ruído, pacato demais para ser levado a sério; logo eu, que prefiro o silêncio das noites místicas que, por sua vez, sempre me aproxima da realidade, causando-me calafrios. O tédio é um resultado básico de que — desprendi-me de mim. A âncora pesada da minha inocência desaprendeu-se do meu cerne, tão cortisado de razão, e chafurdou nessas lamas esquecidas, chamadas inevitavelmente de passado.. E no bom tom de melodia desse silêncio, em que não há nada a não ser partículas e átomos vagantes, Tenho a razão de que me encontrei. Ao tirar todos esses artefatos, eu me vi em sua forma mais viva e nítida, e notei que não sou nenhuma daquelas vaidades sobre mim — chão de rubi. Por baixo dessa casca dura, existe a terra dos animídeos; esse sou eu em sua forma mais pura, onde tudo floresce, e se deixa florescer. Apartei-me de mim, e é isso que eu precisava. Pensei, num tom de lucidez, que a única matéria que eu seria obrigado a carregar seria minha própria carne; porém, num lapso de ultralucidez, vi que fugi de mim sem usar minhas pernas. Não preciso de um mapa para decifrar os enigmas das minhas angústias. Sob um sol que me ilumina, Sobre uma cama que me aconchega, Apartei-me de mim.
Ariell
Amei! Ficou muito bom!!!
Emerson Ribeiro
obgg!!!! ^^