Emerson Ribeiro @Eme_O_Poeta
Poema

Árvores Prateadas Não Nascem de Moedas

Ó minha carne, Dói em mim como choro mal compreendido. Dói numa dor sem estimativa, Dói numa dor perdida. Ó minha carne improdutiva, Quando vieste ao mundo, não passaste de desgaste. Não tiveste propósito algum e, quando pensaste que tinhas, enganaste-te — Como um cachorro que procurava comida em lixo eletrônico. Minha carne fere a mim. Oh, céus, fere a mim numa ferida irreversível, Do lado realístico, que nenhuma pomada é capaz de cicatrizar, Esse sangue cor-de-iludido. Sou um desgraçado sem tamanha exceção, Exceto quando... Não, não, sem exceção. Aos frangalhos sobre um leito velho, Que já vivenciou meus choros e risos Em uma noite fleumática de cartelas e mais cartelas de comprimidos. Subo-me eu mesmo, puxando-me à força Para ver o efeito do que é tentar algo diferente, A não ser... minha carne frágil. É o espírito silencioso em meio à multidão; É o olho embaçado de lágrimas enxergando o ponto de visão; É o abraço sem motivo do porquê ao não; É o espírito que se move com fluidez nesse absurdo de vida consciente. O espírito é aquele menino que pensava que doce era seu alimento favorito — saudades — Quando plantava moedas pensando que ia nascer uma árvore enorme e prateada, Que se machucava descalço e fingia estar bem para não levar bofetadas. Porém, aos meus 21, sou carne, E me sinto menos racional que meus 8 de espírito. Tentei, busquei, mas não sabia que crescer demais mata... E matou-me. Matou-me porque carne morre, espírito prevalece — Seja para os meus, seja para quem nunca conheci.

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