Emerson Ribeiro @Eme_O_Poeta
Poema

Ricardo Almeida e a Mais Bela Morte

Morrer é uma herança do pecado para nossas agonias. Agonia corriqueira dentre várias conduções cheias de esperança mal-sucedida, que prevalece nos olhos cansados de uma noite mal dormida de cafeína. Morrer é o acaso mais belo, onde todas as coisas tornam-se especiais, absolutamente especiais, por termos a ideia da finitude. Absolutamente fria, estoica, niilista, minimalista: a morte. Aquela que sussurra nos seus ouvidos em momentos de deslumbre. Sim, aquela que resgata o seu olhar frio de apatia ao momento oportuno. Num chá, num café, ela vem dentre as fumaças que entram em suas narinas, a fim de estabelecer uma novidade da realidade que não é mais aceita aos seus moldes. "A dor é uma constância; a morte é um mero detalhe", ouvi-lhe dizer. E ele, falando, chorando como uma criança nova de vida, porém sabida de morte, demasiadamente infermo de uma alma insolsa. E, chorando aos meios-fios de uma avenida apressada de sonhos, ele quase caiu. Só não caiu por não ter visto sentido na queda e, sabendo que um dia se vai, para ele tanto faz os movimentos descuidados. Choro no choro, olho ao abismo, pulso contraído, olhos fluídos. Ele se deixa ocorrer. Ele se permite acontecer. E, se acontecendo, ele aprende a mais bela morte de uma alma pressionada por velas e palavras que se dissolvem ao ar. Ricardo Almeida amadureceu seus pensamentos, tornando-se um homem íntegro de vontades breves. Para ele, não fazia mais sentido se deslumbrar com as perdas, mas sim agradecer à linha do tempo em que aquilo ocorrera, eternizando-a em seus neurônios com prazo de validade. Num contraste de um soluço sem saudade, sobre um chão marcado por passagens finitas. Finitas, finitas, finitas e finitas...

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