Segunda-Feira Absurda
Dedos entrelaçados, rosto franzido: é uma manhã de segunda-feira. O efeito de um copo de café não está surtindo; demasiadamente, busca por mais. Acende um cigarro e pensa: Albert Camus. Cospe no chão sem olhar e anda. Os olhos estão pesados; os fecha por dois segundos e vem à mente: "quero meu quarto". Olha o transporte público chegando. Joga o cigarro no chão e o amassa com o pé, logo pensa: Clint Eastwood. A tensão toma conta: ônibus cheio demais. Encontra um canto tímido na última fileira, perto da janela; senta com o cortisol circulando. Olha o aparato com um olhar revoltado, cria cenários... Com o viés de um velho chato e um adulto frustrado, teatro! Cria um teatro: no começo, uma criança; no fim, um adulto assassinado. Logo saca: Shakespeare! Saiu do ônibus deslumbrado pelos cenários imaginados e, de forma recorrente, trouxe a conexão com o obscuro passado: notou o abismo. Com medo, descarta o pensamento induzente e faz uma piada na própria mente: — Tive a ânsia de possuir essa frustração, agora o tédio de sofrer por isso grita mais alto. Se Nietzsche tivesse dito isso antes, eu deixaria o Schopenhauer de lado, haha! Daí então, Ivanildo desperta no pátio do asilo e nota todo mundo rindo dele, chamando-o de esquisito. Volta para sua poltrona e enforca a si mesmo, gritando: — CIORAN, SEU MALDITO!
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.