Apoteose do Falar
Falar virou um vício do tanto-quanto-me-digo, Falando versos variados e ascos, Com uma hombridade de risos Calados, mofados casacos, num levantar imaginário de um pobre ruído. — Papai, compra sorvete? — Filho... sorvete de baunilha ou chocolate? — Não sei, papai... tanto faz, o importante é que não contenha vaidade. Sabe... dependendo da idade, vontade, vitalidade da alma do funcionário que está agindo na bondade, que por mero capricho se destaque... não vou querer o sorvete sabor superficialidade. Falar virou uma busca de sentido num tom mais sarcástico e sinistro: falar a si mesmo para si mesmo saber do que está falando. É algo que, no final, me gera páginas de livros — poéticos, de preferência. “Nuh, que exaustão, sô! Quem disse que tem como ler algo neste pobre cangaço, tal qual o sol me dói os braços? Se ler fosse ouvir as asneiras que os fofoqueiros falam por aqui num tom de sermões, então me considere um leitor de tal prestígio aguçado, que ensinou português seco e quebrado ao pobre Camões.” Falar sempre me pareceu um paradigma. Não sei dizer ao certo. Falamos por falar, incertos, Disfarçando o abstrato cor-de-concreto, Manejando nossas ideias de cunho improvisado nessa selva de... concreto. Voz do alter ego: “Rimou concreto com concreto. Os parnasianos vão puxar sua perna debaixo da cama para te lançar ao teto... Cuidado, anônimo poético.” Mas, no final, é isto que eu lhe digo: falar demais é perigoso, sim, eu sei, mas sua fala é seu mais íntimo amigo. Até porque, na ausência das externas vontades, do calor, do transparecer de outra carne, você tem a si a sua língua, diante de uma mente confusa de detalhes. E quando percebes, num mero contraste #&a@##: nasceu um poeta.
ỌHAR
começou com um lírico bem apresentado, e terminou bem radical, gostei da escrita, é magnífica 👏👌✍️🏼
Emerson Ribeiro
fico maravilhado por ter gostado!!
Marcos Cordas Vogais
magnífico poema... ensinar português seco e quebrado a Camões... me veio como ensinar o padre a rezar, uma vez que lhe falta fé. parabéns, Belo trabalho.