Noite Mal Dormida de Cafeína (Poema/Relato)
O cálice sagrado ao qual eu sempre me refiro como café me acorda do sono exagerado de um passo mal dado de um dia qualquer. Qualquer este que me perturba os nervos. Como bem mãe me dizia: "A diferença do remédio para o veneno é a dose". Ignorei, como bem entendia. Se bem que não entendia do desgaste do mau sono causado pela noite de cafeína. Ademais, sempre foi assim, um psicólogo ao meu ouvido suplicando por equilíbrio de uma vida infeliz: "O excesso esconde uma causa", Freud disse. O primitivismo da minha autossabotagem é sempre o mesmo: um nunca é o suficiente, mais que isso é exagero. Tomei seis xícaras de café sem açúcar. Cortei, ah! E como! Cortei reclamando: "Como vou manter o equilíbrio se tudo é porta de entrada? Não sabes? Em um gole de xícara a rebeldia do meu vício já busca a golada da garrafa!" Parei, cortei. Café? Nunca ouvi falar, o que é isso? Suponho que seja uma semente plantada por Deus pra fazer morto levantar... E reclamar das despesas. Dor de cabeça... Não seria tampouco uma simples dor de cabeça; era enxaqueca, leiga, por ser lenta demais passando por minhas artérias estreitas. Tomei medicamento como um poeta (buscando suprir a dor que, por ora, era por medicamentos e não por lirismo). O remédio tinha cafeína... Em outras palavras: A tinta da caneta do poeta estourou, fazendo seus sentimentos plenos sumirem à medida que a tinta acaba. POEMA/remédio BONITO DEMAIS/a cura Para no final ser uma desgrafeína.
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