O melhor jeito é sempre aquele
que te beneficia da
maneira certa.
Mas existem caminhos
dos quais você não pode fugir,
nem deixar de sentir,
por mais que eles existam.
A esmola sem tato é vazia,
como um vaso de barro
sem flores.
É preciso significado nas palavras:
cada sílaba, cada vírgula,
deve ter um destino orquestrado.
A necessidade é grande,
mas poucos escolheriam
se arriscar pelo bem do outro.
Quantos são esquecidos,
ou postos em pequenos degraus?
E quantos reclamam prêmios
dos quais não possuem direito?
O homem esconde seu brilho
quando escolhe brilhar
mais que o sol.
Os problemas da vida
não são duradouros,
e o sofrimento é quase como um potinho no escuro,
camuflado em meio ao céu noturno.
Temos a opção de fugir,
mas, para onde olharíamos,
e encontraríamos socorro?
Eles ainda estarão lá,
nossos aperreios,
fazendo questão de nos perturbar.
Por um descuido,
poderíamos tropeçar e cair.
Porém, se pudéssemos
usar nossos medos e dificuldades,
tentássemos ver uma forma de lutar
não com espadas, nem com torrões.
Mas mostra posicionamento,
o seu “eu”,
a sua força de vontade,
o que antes era um dragão cuspindo fogo,
é uma lagoa rasa,
onde você caminha e não afunda,
e nenhum mal te desgasta,
ou afronta.
E um dia de tempestade
se transformou em uma noite macia,
como penas, e doce,
assim como o mel.
Porque o que destrona
não são os problemas,
mas o efeito que deixamos surtir em nós.
E, a cada minuto, segundo, dia,
parece que procuramos acumular coisas
que não nos levarão a lugar nenhum.
E nosso corpo cansado,
nossa mente fadigada,
começa a vacilar.
E tudo ao nosso redor começa a ganhar um novo padrão,
onde você deixa de ser o foco,
e presencia a sua vida do avesso.
Continuar lendo
O que confunde um barqueiro
Jamais confundirá
Um músico:
O barqueiro sente quando a maré sobe,
E o músico percebe quando
O acorde está desafinado.
Nada disso é importante, pois somos todos Iguais.
Só fazemos, de diferentes maneiras,
Aquilo que temos em mãos.
Continuar lendo
Como o verde e o branco,
Como a pomba azul da tela,
De trombone,
Como as esquisitices, com
Tambores em tamanhos,
Como cordas, em cordialidades,
Em falsas expressões,
Como sorrisos de gato fantasma,
Que veem como vícios,
Sem hora,
Porque viu, não se ouviu,
O motivo de tanta insistência,
Tanto apreço, com presa a impulsividade,
Que move a sanidade de uma vida,
Agarrando a presa, antes fuga,
Antes que cruzem caminhos diferentes,
E a sua imagem se torne
Distante como sonhos,
De vaga-lumes, que escafedeu-se,
Ao cumprir o sol do amanhecer.
Continuar lendo
Ao percorrer florestas e montes,
Em um só instante, tua voz galante,
De forma vibrante, abraçou meus ouvidos,
E com olhos, beijamos os céus.
Que os mares, com sua escuridão,
Não ofusquem o que os olhos não veem,
Mas que nossos corações sentem.
A vela que acessa
Aplaude o espetáculo que somos nós.
E a descoberta de que somos maiores
Do que as densas luas,
Fez com que as estrelas
Levassem a culpa.
Por uma noite, olhamos para elas e, nos pulmões,
Escutamos lindas canções,
As quais nos trouxeram ao caminho
De uma nova vida,
Sem pesos ou saudades.
Por tão claro brilho no visor
De teus pés de marfim,
Que caminham lado a lado
Com pensamentos corriqueiros e sem fim.
Me senti perdido, sem estribeiras,
Aquele que pensava ser
Era uma fantasia, mas em você
Descobri a minha realidade.
Como um esperto roteirista,
Seduziste minha alma
E carregou-me em teus braços de veludo,
Para muito além das expectativas.
Você apareceu a mim
Quando nada fazia sentido,
E os teus esforços foram
Como um desvio de marcha.
De início, não medi loucuras em teu nome,
Por tão pouco tempo achei
Teu sobrenome.
Dize-me, por que assombras
Meus devaneios?
Por que minhas madrugadas
São intermináveis?
Por que em um milésimo de segundo
Tudo resume em perguntas e não respostas?
Por que afiada é a tua sorte para comigo?
E por que o tempo está
Ao seu favor?
Continuar lendo
As flores de azul atemporal
Renasciam ao ressonar do vento,
Mergulhadas na areia,
Ao som dos gritos do silêncio,
Sacrificadas ao belo prazer dos montes.
Disputadas pelas dores
Do sol em noites frias,
Abraçavam as cinzas
De suas próprias lágrimas.
Com os olhos, viram.
Com os pensamentos,
Imaginaram um mundo
Onde tudo é vulgar
Para corações inertes,
Afundados há anos
Em seus próprios dogmas de subsolo.
Palavras desconexas
Se encontravam, em choque,
Com o flautista —
Que, com seu encanto anormal,
Me levou além da imortalidade,
Além daquilo que mereço
E quero.
Mas o que eu desejo?
Seriam esses mesmos
Uma lua completa, ou uma
Meia lua coberta de poeira?
Seria uma jarrete
Sem rodas e sem mula?
Seria uma verdade dura e crua,
Uma mentira com meias verdades,
Ou uma loucura comportada,
Com passos curados da sua aversão?
Um vigia, vigiando em serviço,
Com olhos de águia... Alguém o
Observa em calado tropeço.
Caminhando a galopes de um zangão,
Não conseguimos fugir da sombra que
Nos segue — abaixo e em cima —
Em um pega-pega fora dos limites.
Quem já fugiu do céu?
Escurece... e amanhece... E
Ele está ali, olhando pra
Alma de quem deve e teme,
Até os caroços do angu.
Continuar lendo
Refrescante em refrigerante,
A vida se tornaria constante
Ao paladar das amoras,
Que, como brotos, florescem
Em meu sangue.
Se com palavras
Talheres brilhassem,
E refrescassem as energias
Do corpo, como vaga-lumes
Que bailam sob estrelas
Sem fim.
Pelos meus lábios,
Tribunar-se em castigo
Os furos que vestem a alma,
Descortinando
O querer e o merecer.
Dos quais sustentados pela carência,
Que carinhosamente fere
E esmaga minhas estruturas.
Assim é o torsador: de lá em lá,
Sobra apenas a ovelha sem
Sua proteção.
.
Continuar lendo
Se o inverno fosse quente,
As abelhas colheriam os flocos
De neve?
Se o gato latisse,
O cachorro entendesse,
Eles seriam aliados?
Se a noite fosse dia
E o dia fosse a noite,
Que horas seria no Alasca?
E se eu fosse todos
E todos fossem um,
Tantas línguas afiadas
Teriam muito o que julgar?
Se o cavalo fosse o toureiro,
Será que parariam de chamá-lo de alazão?
Tantos “e se”
E nem uma atitude,
Será que o sol continua
Redondo
Ou se tornará
Retangular?
Tantos materiais, tantos necessitados,
Mas tampouco mão de obra,
Nesta cidade deserta
Que é a mente do desocupado.
Continuar lendo
Às vezes, é bom deixar
Que as pequenas coisas
Acreditem ter o controle de tudo.
Nem sempre demonstrar grandeza
É sinal de ser grande;
Muitas vezes, é só revelar
O quão pequeno é o cérebro do gigante.
Tão baixo se torna o monte
Quando tenta, com os olhos,
Contar os asteroides.
Ainda que constante seja
A tintura dos lábios,
As palavras não se decifram —
Escondem-se
Por trás dos sorrisos das estrelas.
Mas os pequeninos também
Convulsionam a doença dos ricos,
Feita de prata e ouro.
Contradizem o mundo
Quando a língua cresce —
Não por culpa,
Nem por autoestima,
Mas por vingança
Da vida que lhes foi deficiente.
Continuar lendo
Sofrer, morrer essa é a tua
Sorte, porque viver seria
O porque de tanta má
Morbidade.
A popularidade do fim
Dos dias está em descansar
Vendo tudo inundar, segundo
A perplexidade da tão egoísta
Sorte.
O desejo que arde na carne
De restringir minhas vaidades
No estopim dessa veracidade
Degustar do vinho da externa
Saudade.
A madura certeza do teu azar
Te faz azarento e rabugenta são
As tuas atitudes e me faz pensar o
Real motivo de sua rebeldia, será por apreço Ou desprezo que tanto confundas
A vida com o inferno?
Tem almas que amaram tanto
Na morte do que na vida
Porque não tinham corações para
Aguarda a pessoa querida.
Foi depois de mortos
Que encontraram risos
Em pleno lago, os quais visitam
O cemitério, a morada dos que encontram
O verdadeiro sortilégio.
Se o meu barco afundar
Que o mar possa engolir
Mi alma, antes que cruze o transatlântico,
E abrace a senhora forca.
Disfarça de bom moço
Mas, mais pesada que uma foice em
Delicado pescoço.
Porque afiada é a serra
Em lábios do que o choque
De cada mês sem ti ter em
Ao meu lado.
Porque vazio é os passos
De quem volta cheio
De beleza, os olhos
Porcelana não são ricos
Como a sandália furada
Com prego,
Que conta altas aventuras
Para os seus netos.
Porque afiada é a serra que corta
Os galhos — e desconcertante seria
A falta de pertecer, a quem não pesa na Balança
Que representa a sua vida.
Continuar lendo
Por que espero o elevador,
Se tenho escadas para subir?
Sei que preguiçoso sou, mas
Até quando me manterei inerte,
Sem ações diretas?
Até quando deixarei
O medo
Dirigir a minha vida?
Sou louco ou não vejo
O pôr do sol reacendendo
A esperança de um novo
Norte?
O Passado é um livro
Completo, uma
Construção encerrada.
O Presente se rende
Como uma vela
Derretendo.
O Futuro é uma rede
Lançada, que escolhe
Qual peixe vai pescar.
Mas o nosso pé direito
Pesa na balança,
Porque temos credibilidade
Em tudo que fazemos
E escolhemos.
Continuar lendo