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Adala

@Adala_2004 · desde 2024

Uma amante introspectiva✍️ Literatura Fixa: Novela Poética: Serafina Adala: A sua própria Essência A Dois Passos da Queda.

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Limiar

O melhor jeito é sempre aquele que te beneficia da maneira certa. Mas existem caminhos dos quais você não pode fugir, nem deixar de sentir, por mais que eles existam. A esmola sem tato é vazia, como um vaso de barro sem flores. É preciso significado nas palavras: cada sílaba, cada vírgula, deve ter um destino orquestrado. A necessidade é grande, mas poucos escolheriam se arriscar pelo bem do outro. Quantos são esquecidos, ou postos em pequenos degraus? E quantos reclamam prêmios dos quais não possuem direito? O homem esconde seu brilho quando escolhe brilhar mais que o sol. Os problemas da vida não são duradouros, e o sofrimento é quase como um potinho no escuro, camuflado em meio ao céu noturno. Temos a opção de fugir, mas, para onde olharíamos, e encontraríamos socorro? Eles ainda estarão lá, nossos aperreios, fazendo questão de nos perturbar. Por um descuido, poderíamos tropeçar e cair. Porém, se pudéssemos usar nossos medos e dificuldades, tentássemos ver uma forma de lutar não com espadas, nem com torrões. Mas mostra posicionamento, o seu “eu”, a sua força de vontade, o que antes era um dragão cuspindo fogo, é uma lagoa rasa, onde você caminha e não afunda, e nenhum mal te desgasta, ou afronta. E um dia de tempestade se transformou em uma noite macia, como penas, e doce, assim como o mel. Porque o que destrona não são os problemas, mas o efeito que deixamos surtir em nós. E, a cada minuto, segundo, dia, parece que procuramos acumular coisas que não nos levarão a lugar nenhum. E nosso corpo cansado, nossa mente fadigada, começa a vacilar. E tudo ao nosso redor começa a ganhar um novo padrão, onde você deixa de ser o foco, e presencia a sua vida do avesso.

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Somos o que temos

O que confunde um barqueiro Jamais confundirá Um músico: O barqueiro sente quando a maré sobe, E o músico percebe quando O acorde está desafinado. Nada disso é importante, pois somos todos Iguais. Só fazemos, de diferentes maneiras, Aquilo que temos em mãos.

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Cores, Sons e Sombras

Como o verde e o branco, Como a pomba azul da tela, De trombone, Como as esquisitices, com Tambores em tamanhos, Como cordas, em cordialidades, Em falsas expressões, Como sorrisos de gato fantasma, Que veem como vícios, Sem hora, Porque viu, não se ouviu, O motivo de tanta insistência, Tanto apreço, com presa a impulsividade, Que move a sanidade de uma vida, Agarrando a presa, antes fuga, Antes que cruzem caminhos diferentes, E a sua imagem se torne Distante como sonhos, De vaga-lumes, que escafedeu-se, Ao cumprir o sol do amanhecer.

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O Nome que aclama minha Alma

Ao percorrer florestas e montes, Em um só instante, tua voz galante, De forma vibrante, abraçou meus ouvidos, E com olhos, beijamos os céus. Que os mares, com sua escuridão, Não ofusquem o que os olhos não veem, Mas que nossos corações sentem. A vela que acessa Aplaude o espetáculo que somos nós. E a descoberta de que somos maiores Do que as densas luas, Fez com que as estrelas Levassem a culpa. Por uma noite, olhamos para elas e, nos pulmões, Escutamos lindas canções, As quais nos trouxeram ao caminho De uma nova vida, Sem pesos ou saudades. Por tão claro brilho no visor De teus pés de marfim, Que caminham lado a lado Com pensamentos corriqueiros e sem fim. Me senti perdido, sem estribeiras, Aquele que pensava ser Era uma fantasia, mas em você Descobri a minha realidade. Como um esperto roteirista, Seduziste minha alma E carregou-me em teus braços de veludo, Para muito além das expectativas. Você apareceu a mim Quando nada fazia sentido, E os teus esforços foram Como um desvio de marcha. De início, não medi loucuras em teu nome, Por tão pouco tempo achei Teu sobrenome. Dize-me, por que assombras Meus devaneios? Por que minhas madrugadas São intermináveis? Por que em um milésimo de segundo Tudo resume em perguntas e não respostas? Por que afiada é a tua sorte para comigo? E por que o tempo está Ao seu favor?

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Uma Nuvem de Testemunhas

As flores de azul atemporal Renasciam ao ressonar do vento, Mergulhadas na areia, Ao som dos gritos do silêncio, Sacrificadas ao belo prazer dos montes. Disputadas pelas dores Do sol em noites frias, Abraçavam as cinzas De suas próprias lágrimas. Com os olhos, viram. Com os pensamentos, Imaginaram um mundo Onde tudo é vulgar Para corações inertes, Afundados há anos Em seus próprios dogmas de subsolo. Palavras desconexas Se encontravam, em choque, Com o flautista — Que, com seu encanto anormal, Me levou além da imortalidade, Além daquilo que mereço E quero. Mas o que eu desejo? Seriam esses mesmos Uma lua completa, ou uma Meia lua coberta de poeira? Seria uma jarrete Sem rodas e sem mula? Seria uma verdade dura e crua, Uma mentira com meias verdades, Ou uma loucura comportada, Com passos curados da sua aversão? Um vigia, vigiando em serviço, Com olhos de águia... Alguém o Observa em calado tropeço. Caminhando a galopes de um zangão, Não conseguimos fugir da sombra que Nos segue — abaixo e em cima — Em um pega-pega fora dos limites. Quem já fugiu do céu? Escurece... e amanhece... E Ele está ali, olhando pra Alma de quem deve e teme, Até os caroços do angu.

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A Dor se Torna Réu

Refrescante em refrigerante, A vida se tornaria constante Ao paladar das amoras, Que, como brotos, florescem Em meu sangue. Se com palavras Talheres brilhassem, E refrescassem as energias Do corpo, como vaga-lumes Que bailam sob estrelas Sem fim. Pelos meus lábios, Tribunar-se em castigo Os furos que vestem a alma, Descortinando O querer e o merecer. Dos quais sustentados pela carência, Que carinhosamente fere E esmaga minhas estruturas. Assim é o torsador: de lá em lá, Sobra apenas a ovelha sem Sua proteção. .

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O Errado que Parece Certo

Se o inverno fosse quente, As abelhas colheriam os flocos De neve? Se o gato latisse, O cachorro entendesse, Eles seriam aliados? Se a noite fosse dia E o dia fosse a noite, Que horas seria no Alasca? E se eu fosse todos E todos fossem um, Tantas línguas afiadas Teriam muito o que julgar? Se o cavalo fosse o toureiro, Será que parariam de chamá-lo de alazão? Tantos “e se” E nem uma atitude, Será que o sol continua Redondo Ou se tornará Retangular? Tantos materiais, tantos necessitados, Mas tampouco mão de obra, Nesta cidade deserta Que é a mente do desocupado.

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As Pequenas Grandes Coisas

Às vezes, é bom deixar Que as pequenas coisas Acreditem ter o controle de tudo. Nem sempre demonstrar grandeza É sinal de ser grande; Muitas vezes, é só revelar O quão pequeno é o cérebro do gigante. Tão baixo se torna o monte Quando tenta, com os olhos, Contar os asteroides. Ainda que constante seja A tintura dos lábios, As palavras não se decifram — Escondem-se Por trás dos sorrisos das estrelas. Mas os pequeninos também Convulsionam a doença dos ricos, Feita de prata e ouro. Contradizem o mundo Quando a língua cresce — Não por culpa, Nem por autoestima, Mas por vingança Da vida que lhes foi deficiente.

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Os Versículos de uma Vida

Sofrer, morrer essa é a tua Sorte, porque viver seria O porque de tanta má Morbidade. A popularidade do fim Dos dias está em descansar Vendo tudo inundar, segundo A perplexidade da tão egoísta Sorte. O desejo que arde na carne De restringir minhas vaidades No estopim dessa veracidade Degustar do vinho da externa Saudade. A madura certeza do teu azar Te faz azarento e rabugenta são As tuas atitudes e me faz pensar o Real motivo de sua rebeldia, será por apreço Ou desprezo que tanto confundas A vida com o inferno? Tem almas que amaram tanto Na morte do que na vida Porque não tinham corações para Aguarda a pessoa querida. Foi depois de mortos Que encontraram risos Em pleno lago, os quais visitam O cemitério, a morada dos que encontram O verdadeiro sortilégio. Se o meu barco afundar Que o mar possa engolir Mi alma, antes que cruze o transatlântico, E abrace a senhora forca. Disfarça de bom moço Mas, mais pesada que uma foice em Delicado pescoço. Porque afiada é a serra Em lábios do que o choque De cada mês sem ti ter em Ao meu lado. Porque vazio é os passos De quem volta cheio De beleza, os olhos Porcelana não são ricos Como a sandália furada Com prego, Que conta altas aventuras Para os seus netos. Porque afiada é a serra que corta Os galhos — e desconcertante seria A falta de pertecer, a quem não pesa na Balança Que representa a sua vida.

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Inércio

Por que espero o elevador, Se tenho escadas para subir? Sei que preguiçoso sou, mas Até quando me manterei inerte, Sem ações diretas? Até quando deixarei O medo Dirigir a minha vida? Sou louco ou não vejo O pôr do sol reacendendo A esperança de um novo Norte? O Passado é um livro Completo, uma Construção encerrada. O Presente se rende Como uma vela Derretendo. O Futuro é uma rede Lançada, que escolhe Qual peixe vai pescar. Mas o nosso pé direito Pesa na balança, Porque temos credibilidade Em tudo que fazemos E escolhemos.

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