Adala @Adala_2004

Uma Nuvem de Testemunhas

As flores de azul atemporal Renasciam ao ressonar do vento, Mergulhadas na areia, Ao som dos gritos do silêncio, Sacrificadas ao belo prazer dos montes. Disputadas pelas dores Do sol em noites frias, Abraçavam as cinzas De suas próprias lágrimas. Com os olhos, viram. Com os pensamentos, Imaginaram um mundo Onde tudo é vulgar Para corações inertes, Afundados há anos Em seus próprios dogmas de subsolo. Palavras desconexas Se encontravam, em choque, Com o flautista — Que, com seu encanto anormal, Me levou além da imortalidade, Além daquilo que mereço E quero. Mas o que eu desejo? Seriam esses mesmos Uma lua completa, ou uma Meia lua coberta de poeira? Seria uma jarrete Sem rodas e sem mula? Seria uma verdade dura e crua, Uma mentira com meias verdades, Ou uma loucura comportada, Com passos curados da sua aversão? Um vigia, vigiando em serviço, Com olhos de águia... Alguém o Observa em calado tropeço. Caminhando a galopes de um zangão, Não conseguimos fugir da sombra que Nos segue — abaixo e em cima — Em um pega-pega fora dos limites. Quem já fugiu do céu? Escurece... e amanhece... E Ele está ali, olhando pra Alma de quem deve e teme, Até os caroços do angu.

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