Há uma estranha quietude à beira da cama
onde te espero
onde repouso...
E me ponho a refletir sobre meu drama.
Este que agora sobrevivo
este que eu nunca havia provado
a solidão do meu sorriso
e a falta da tua risada ao meu lado.
Há uma estranha quietude na cortina que se afasta,
na janela que se abre
na noite que chega sem pressa
e na saudade que me arde.
Porque antes de conhecê-lo
eu ainda não havia me importado com a solidão
era contente com minha própria companhia
um fone e uma canção.
Há uma estranha quietude na lua que derrama prata
sobre o imenso céu vazio.
Outrora, ela parecia sozinha — assim como eu,
antes de encontrar teu abrigo.
Mais uma vez me ponho a procurar-te,
não é uma missão impossível
porque a cada vez que parte
a solidão sobe de nível.
É por causa dos teus braços, amor,
que a distância pesa tanto.
Eles me envolvem como abrigo,
como porto depois do pranto.
Há segurança no teu abraço,
há um mundo inteiro em teu colo
onde tudo parece perfeito.
É tua breve ausência, amor,
que me faz contar as horas
como criança contando estrelas,
esperando a manhã lá fora.
Cada minuto se alonga,
cada segundo demora,
e meu coração, impaciente,
te procura pela casa inteira
mesmo sabendo que estás longe agora.
Há uma estranha quietude
nas gotas de chuva sobre o telhado,
nas horas que parece que se estendem,
no meu suspiro calado.
O relógio insiste em andar,
mas meu olhar, desesperado,
permanece na porta,
como se acelerasse sua chegada.
Porque partes e eu me sinto em solidão
como os versos perdidos de um poeta...
Porque chegas e eu me sinto criança
repousando minha cabeça em teu peito afim de ouvir teu coração...
Para assim dormir com a paz de alma.
E então fecho os olhos,
compreendendo que o amor também é isso:
ter alguém que transforma o silêncio
em lar,
a ausência em saudade,
e o abraço em lugar.
Enquanto teus braços me envolvem devagar,
toda a estranha quietude
deixa, enfim, de me assustar.
Porque quando estou em teus braços,
amor,
até o silêncio parece descansar.
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Estive pensando em te esquecer,
em não te ver,
em não ceder
à vontade de sofrer.
Esses pensamentos
sempre me fazem reviver,
porque pensar em você,
imaginar te ver,
lembrar de tudo o que te faz renascer
é me perder.
Não vou mais me permitir sofrer.
Prometo esconder,
até a última lágrima
que derramei por você.
Porque, pela primeira vez,
eu quero viver.
Quero aprender
como é não morrer,
dia após dia,
tentando te esquecer.
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Permaneci em ti, sem necessidade de falar ou pensar no que fazer. O tempo e a espontaneidade do desejo já haviam falado por nós.
Quando já estávamos seguros do calor, da fome e da sede, a chuva desceu, confortando-nos e trazendo alívio à adrenalina que o próprio calor despertara.
Do teu corpo brilhante de suor,
dos teus olhos sedentos encontrando os meus,
de nossas bocas que se procuraram com urgência,
correndo ao encontro daquilo que sempre lhes pertenceu.
E, diante de tudo o que era belo, meus dedos envolveram cada cacho escuro. Anseiei mergulhar em cada palavra que disseste, morar nessas horas de prazer, de paz e de querer.
Porque, naquele breve infinito, o tempo calou-se, e apenas nós permanecemos.
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Quando ouvi de tua boca a frase tão repentina, entreguei-me sem pressa. Com que razão nos desesperaríamos, se podíamos despir a alma pouco a pouco, como quem prolonga uma boa conversa?
Ouvi teu coração inquieto e deixei de lado o nervosismo, pois, enquanto nos conhecíamos, pareceu-me impossível sentir insegurança.
Foi como se houvéssemos percorrido um longo caminho sob a fome e o calor e, enfim, encontrássemos a sombra necessária, onde a brisa fria saciara nosso cansaço e acalmara o desespero. Como água que descera por uma garganta sedenta, teu afeto apaziguou meu peito e refrescou minha pele.
Unimos as mãos. Unimos as bocas. Conheci teu corpo e esqueci-me do tempo.
Tateei teu tronco com lábios tímidos, escalando-te pouco a pouco, enquanto cada suspiro rimava com o silêncio que nos envolvera.
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Era manhã, e o vento soprara desejo e ternura.
O dia passou; as horas dispersaram-se, e eu permanecera sozinha, porém segura.
Quando decidi simplesmente entregar-me à montanha de sentimentos, eles foram como uma tarde dourada de sol, como se eu ouvisse, ao pé do ouvido, a música das árvores dançando ao ritmo da brisa fresca. Houvera, naquele instante, uma paz que nenhuma palavra alcançaria.
Então olhei em teus olhos, buscando a resposta que completaria a razão do que eu sentira. Persegui tuas mãos, teus cabelos, teu corpo por inteiro, procurando que dissesses aquilo que meu coração tanto desejara ouvir:
— Quero-te.
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"Tua cabeça recostada ao meu ombro é meu violino, num momento de pausa."
— J. G. de Araújo Jorge, Música.
Sorte daquele que ouve pela primeira vez..
Daquele que sente o corpo desprender-se do chão ao primeiro acorde,
como se a melodia descobrisse, antes dele,
o caminho exato do peito.
Daquele que recebe cada nota
como se nenhuma outra tivesse existido;
que encosta o silêncio ao ouvido
e o escuta respirar feito um violino soluçando sobre um ombro.
— Você ouve?
Sorte daquele que vive a música
como quem ainda não conhece o fim da canção.
Ela o acompanha em surdina,
ao pé do ouvido,
pelas ruas,
pelos dias,
até que a própria pele aprende o refrão.
Há uma coragem estranha em dividir o mesmo fone durante anos e descobrir que o som não se desgasta.
Há quem more em cada tom
como quem escolhe permanecer.
Correm notas altas,
baixas,
graves,
leves — e todas resistem,
como se uma força invisível
as chamasse de volta.
Existe a música
que seca a boca
como a terra sob um sol antigo.
Existe aquela
que faz as mãos suarem
antes mesmo da primeira batida.
Existe a que envelhece,
arranha o disco,
repete o mesmo verso,
falha,
hesita.
Arranha,
arranha,
mas nunca se quebra.
Porque algumas melodias
não sobrevivem pela perfeição,
e sim pela vontade de continuar sendo ouvidas.
E quando o peito acompanha o compasso — tão alto que já não se sabe se é música ou coração,
talvez a verdadeira sorte nunca tenha sido ouvir uma canção pela primeira vez.
Talvez tenha sido encontrar alguém
que a escutasse como se também fosse a sua primeira.
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“meu corpo é uma cidade histórica
& sou a única
com permissão para
incendiar
as construções.”
– reivindique a si mesma.
– A bruxa não vai para a fogueira neste livro
Hoje acordei em silêncio,
silêncio de fora, eco de dentro,
tão alto que me faz explodir em lamento,
e assim me enveneno.
S.E.N.T.I.M.E.N.T.O.
Pra onde eu o mando? Às vezes, eu tento.
Tento me distrair até com o vento,
mas nem sempre é o suficiente,
então estou sempre comendo.
Mas se eu cortar isso ou aquilo, será que alivia?
É o que me pergunto dia após dia.
E se eu diminuir esse prato, tenho resultado?
acho que exagerei na quantidade
acho que perdi a vontade.
Uma receita comum num domingo á tarde
um pouco menos de pressão
um pouco menos de ansiedade
talvez assim a roupa caiba de verdade.
Hoje não sinto fome, só tormento.
Uma foto aqui, outra ali,
e um suspiro intenso.
Um espelho aqui, outro ali,
que eu passo correndo.
Comer sentimentos,
comer sentimentos para
s
e
n
t
i
r
menos.
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Nesta manhã, atrasei-me para o trabalho,
não costumo passar por estas ruas, se não necessário.
Obriguei-me a tomar aquele atalho,
de passos leves, solitários.
Uma rua conhecida de outrora,
de risadas altas — ecos no ar;
hoje, um silêncio que devora,
duro, denso, a me sufocar.
À medida que avanço, cai como um peso,
tudo vem à tona, sem qualquer apreço;
estremeço —
esmago lembranças num atalho sem fim,
ruas que gritam nomes, memórias em mim.
Retravo,
apago,
esqueço,
ignoro — e prossigo sozinho.
A vida é, de fato, tão frágil,
recuso-me a torná-la fútil;
algo tão belo e tão ágil
não deve ser gasto no inútil.
Na manhã seguinte, se eu me atrasar,
tomarei o caminho mais longo, sem hesitar;
não me importo com o horário —
chegarei… eu sempre chego, necessário.
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Nunca me interessei em dirigir,
na verdade, sempre temi o caminho.
Eu sabia exatamente como agir,
mas travava guerras inteiras sozinha, em silêncio.
Até que, naquela noite, eu parti —
sem destino, sem freio, sem direção.
Só me lembro do impulso de seguir…
e, de repente, você invadiu minha mão.
Olhos claros, profundos — doce tentação,
um sorriso que cantava dentro do peito.
Ali, perdi o controle, a razão,
e me entreguei ao inevitável, sem direito.
Não havia fuga,
não havia escolha,
não havia mais chão —
na vertigem da adrenalina,
tudo virou um só borrão.
Nunca quis dirigir,
porque sei: minha intensidade é perigo, é colisão.
Mas abri uma exceção —
só para viver o risco do seu sorriso.
Um vício doce, cruel, repetido como canção,
daqueles que grudam na mente e não têm fim.
Você ecoa em mim como refrão,
invade minha memória…
retorna sem avisar,
se instala, quieto
e faz parte da minha história.
(Inspirado por: Uma segunda Chance - Colleen Hoover)
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Sinto que nasci na geração certa
pois amo cada nova descoberta
pertenço ao lápis e à linha reta,
onde escrevo ideias ainda incertas.
Despejo a alma com palavras vazias
tão cheias que por vezes não são o suficiente
então elas preenchem meus dias
aqueles em que não estou contente.
Aqueles que me sinto indiferente
também tem os que me sinto apaixonada
contudo os que me sinto inspirada
ela — palavras — seguem comigo,
fazem parte da minha jornada.
Sim, a poesia.
Seja vazia
toque o profundo
transborde o amor
descreva o mundo
o meu, que em seu valor — tão antigo
melódico,
leve
abrigo.
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