Solilóquio Amoroso III
Permaneci em ti, sem necessidade de falar ou pensar no que fazer. O tempo e a espontaneidade do desejo já haviam falado por nós. Quando já estávamos seguros do calor, da fome e da sede, a chuva desceu, confortando-nos e trazendo alívio à adrenalina que o próprio calor despertara. Do teu corpo brilhante de suor, dos teus olhos sedentos encontrando os meus, de nossas bocas que se procuraram com urgência, correndo ao encontro daquilo que sempre lhes pertenceu. E, diante de tudo o que era belo, meus dedos envolveram cada cacho escuro. Anseiei mergulhar em cada palavra que disseste, morar nessas horas de prazer, de paz e de querer. Porque, naquele breve infinito, o tempo calou-se, e apenas nós permanecemos.
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