Foto de Thalles Nathan

Thalles Nathan

@Thalles_Nathan_7 · desde 2019

Na morte do que a mão escrevia, viveriam os sonhos do poeta https://www.instagram.com/thalles.nathan_23/

242 poemas 172 seguidores 127 seguindo

Seguir
Efêmero

Descarte

Tudo quebrado eu jogo fora Me disse ela, tragando o seu cigarro Com o canto dos lábios arqueado Então olhei pra mim Será que ela sabe como estou? Pensei se dava pra notar Que, embora inteiro, tava todo trincado Pode ser que eu vá de Vasco Porque ela continuou: "Não tenho paciência pra nada Vivo no meu limite, meu amor O que me segura é só um fiapo" Tudo quebrado eu jogo fora Não sei mais como colar Tudo quebrado eu jogo fora Me diz como não me desfazer E eu vou ficando em cacos Me vendo em estilhaços Sei nem dizer Que tô todo quebrado Ela não aguentaria Nenhum dos meus fracassos Thalles Nathan

Continuar lendo
Sociedade

Espelho de Narciso

Te vi no metrô das seis, cara de quem cansou de tentar. Li teu tédio no reflexo, bem ali no vidro do vagão No bar da esquina, outra versão sua, rindo alto de coisa nenhuma, brincando de ser feliz quando digo que não ligo. É sempre assim estranhos que me refletem, pisam nas mesmas poças, erram do mesmo jeito. Eu que não me amo acho que me encontro nos outros que supus amar, nos outros que supus amar. Curti tua falta de graça. Sei também como fingir que tá tudo bem. Li nas entrelinhas o mesmo desespero educado que também tenho. Assim como você, costumo engolir pra não dar o braço a torcer. É sempre assim estranhos que me devoram, andam nas mesmas rachaduras, tropeçam nos mesmos buracos. Eu que mal me encaro jurando que me encaixo nos outros que supus amar. Outros têm outros compassos. Thalles Nathan

Continuar lendo
Sanidade

Messias de Duna

Eu amei... como um louco varrido. Pois era lâmina de luz, invadindo o meu abrigo. Desenhava monstros na parede e eu jurava que eram anjos. Entre o medo do escuro e a coragem pra te inventar. Tropeçava no nada, culpando o meu destino e a luz sempre apagada. Pra quê dizer o quanto eu amei, se quem foi amado partiu? Fiquei falando com a porta, ela sabe mais de nós que eu. Ela me escutou, calou e devagar nos engoliu. Ignorei meus desertos, dunas e ilhas desenhadas em guardanapos. Busquei a eternidade num bar cheio de cacos, palavras duras, quase uma outra língua. Foi assim que entendi, você nunca existiu. Thalles Nathan ........................................*Reimaginando poema*.............

Continuar lendo

Mansplaining

Você se esconde em seus silêncios claros, transforma o incômodo num troço vivo e acha que ninguém vai te entender. A sua dor cria dez mil cenários que só você pode percorrer. Há tantos labirintos lindos quem dera houvesse algum prazer. Eu não sou teu salvador, Nem o vilão que você tanto fala. Só bato na janela que você mesmo escala. Se quiser cair, eu abro os braços. Tudo bem. Mas a escolha é sua nunca foi de mais ninguém. Não vim te oferecer um conto de fadas, invadir seus sonhos pra vislumbrar as madrugadas, nem assistir de mãos dadas ao fim do mundo. Eu sei... é confortável se afogar nesse discurso e isso soa tão bonito. Eu sei que erro, mas sou concreto. Monotonia, mesa cheia e louça suja … tudo o que nunca foi dito. Thalles Nathan

Continuar lendo
Amor

Futuro do Pretérito

Fundei uma nova cidade Só pra você se perder Uma pracinha assim meio torta Um coreto esperando você Plantei árvores, fileiras de hortas Cobri de verde o chão inteiro Talvez nem as veja crescer, Mas vivo esse sonho, desejo e anseio. Se um dia cansar da distância, Das ruas sem o meu lugar, Tem um mapa batendo no peito, Te chamando pra ficar. Fiz esse alicerce no coração, Caso um dia cê sinta… Que talvez me ame. Vai que desiste da distância, Muda o eixo, Eu paro de drama, E algum caminho do mundo Te traga pra minha cama. Há versos presos em fios, Cortinas de fiapo no ar, Cartas dobradas no quarto Que nunca vou mandar. Bilhetes colados em postes, Nomes riscados no portão, Tudo esperando teu tempo, Tudo esperando tua decisão. Pode vir em silêncio, Pode vir ou nunca voltar, Meu medo é te ver se afastando E meus olhos voltarem a transbordar. Pode vir no seu tempo, Pode até nunca vir, Mas, se não vier, Quem é que vai me impedir De ver essa cidade ruir, Rua por rua… Ladeiras a inundar, Cada lembrança virando poeira? Thalles Nathan

Continuar lendo
Amor

Genealogia de Teseu

Perdi em escala, foi a presença o ego no cais, silêncio que pensa acabaram as respostas da maré. Resta um cisco do adeus que você é. O que se separa? O que se desfaz? É o que amou com tudo, Ou só um reflexo que a memória traz? O barco parte, mas fica um pedaço Casco trocado, último espasmo Risco no mar, visto na alma Quem sou eu sem tua calma? Se cada tábua for substituída, Ainda é o barco ou só a ferida? Se cada lembrança muda de lugar, Ainda sou eu ou é só o mar? Thalles Nathan *esticando um poeminha

Continuar lendo
Sociedade

Noites Artificiais

​Pernas pro ar adeus, moralidade... Sonho que é minha; Teu corpo é minha quinta pele. Fantasio todos os dias com o que me fere. ​Entre a noite e a pressa do gozo, Beijo proibido; É hora de manchar batom. Camarim dos pecados, desejos e delírios; Espelho no teto e luzes de néon. ​Toca o rádio Prazer disfarça a tua melancolia. Entende de mim, Assumo as ironias. ​É só um quarto barato no fim da rua, Onde o amor é encenado e a culpa paira... doces maravilhas. Onde o macho frágil está em carne crua Noites artificiais... ​Cinzas de um cigarro desenham as trilhas, Vícios, sussurros... gemidos ardentes. Um celular vibra no canto, insistente. Lá fora espera quem não faz parte. A traição dança sozinha, Entre o que se diz e o que se cala, Colorindo espaços vazios Com dores e presenças de quem se apunhala. ​Foi num motel barato no fim da rua, Onde o amor é encenado e a culpa paira. Onde o macho frágil está em carne crua Noites artificiais, Vícios de homens normais. ​A cidade inteira conspira, Guarda segredos, entrelaça as pernas. Oh, meu bem... Esquece o mundo, Fecha os olhos e respira. ...Adeus, moralidade... Vícios dos que dormem em paz Thalles Nathan

Continuar lendo
Rito

Trilogia das Nuvens

Perguntas ao Vento Bisa, às vezes acho que posso amassar as nuvens é só esticar os dedos e fechar bem devagarinho. Quando a luz se apagou, não te vi. Isso me assustou. Então fingi ser maior. Mais forte. Mas o medo não foi embora. Duas vozes brigavam. Quando veio o silêncio, um trovão... ...tudo brilhou. A janela se abriu com o vento, e o ar frio correu pra se esconder talvez dentro de mim. Que me fez pensar... será que, aí do céu, Bisa, Deus brinca de ser grande, tentando esmagar a gente? O Poeta e o Vento Eu, poeta desatento, perco a noção se são seus lábios a produzirem tal vento. ...Às vezes acho que sopras amor, mas, ainda assim, brisa é vento. Menino levado, correndo pra ver se alcança o tempo... – Pra onde vai, menino? – Correr das horas! Do chão preto do vajado, olhos buscam alento nas nuvens. E nessas nuvens, formas acrescento mas inventa o vento de fazê-las passarem... Poeta proseando à sombra do umbuzeiro, na esgrima do galho e do vento. Vó Denise ria, se balançando toda, na análise das minhas analogias – Pra onde vai, menino levado? – Vou levando ali um quilo de poesia. Nublado Sou nuvens condensadas; nublado, sem saber chover. Sinto o peso no vento, mas não deságuo. Por vezes, garôo. Noutras, não. Mas sempre, dissolvido em silêncio. Veem o que é belo, mas não leem o quanto me rasgo ao escrever. O amor me abandonou em dois funerais Primeiro, em culpa; o segundo, por minha ausência. O caminho torto não era o problema era o que levava comigo. São céus demais. E o pior estive sempre em minha companhia. Há um ar assombrado cá dentro. Sendo eu, um cemitério nômade, não importam os lugares É muito para um só corpo. Thalles Nathan

Continuar lendo
Efêmero

Amigos

Ontem pediu que fôssemos amigos. Fechei os olhos, contei até fingir que continuava a contagem esperei dar tempo do amor se esconder. quis um lugar em minha vida, não seria nunca um adeus e eu, buscando o motivo de continuar, te olhei assim, e te vi num lugar tão comum. Venha, seja bem-vinda. Pode entrar. Sente-se. Mas você nem ao menos veio. Não espere a casa estar uma bagunça. O caos habita meu peito, a cabeça, a casa, não. Aqui, espero, deitado no quarto, por uma brecha, um lampejo na tela uma notificação. Thalles Nathan

Continuar lendo
Amor

Evangelho Segundo o Corpo e Espírito

Amo, sim. E como amo. Olha só como cabe, nesse sentimento, o desvario. Uma parte de mim se diz inteira, ainda assim, se perde em cio. É a razão pela qual minha cama esquenta. Prometi fidelidade, mas quem precisa de promessas quando sente a carne sedenta? Na boca... por vício... Vinho mordido na ponta dos lábios. Corpos suados. Pulsão de forma tranquila e violenta Amo, sim. E olha como amo. Na liberdade. Entre a sacanagem e a adoração. Me esfrego no corpo de quem detém meu coração, minha alma assídua, uma visitante pervertida de sua matéria. Assim o amor se encanta E se ilude. como um animal, me sinto livre então me divide. E Deus nos ajude para que não recobre a consciência. Thalles Nathan . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (Faixa Secreta) Amo, sim. Mas não como mandam os santos. Com sede, com falha, com imensidão, com fúria, com fome, sem absolvição. Com a língua, antes e durante a palavra. Com o toque, antes da promessa. Sou pecado antes de ser prece. Sou entrega e pressa, sem arrependimento. No altar do teu corpo, me ajoelho, oro, choro... Escorro. Na fé de um descrente que ainda acredita no calor. Se queima; padece. Esporro. Amo, sim. Na beira do erro, no som do que berro, na falta de juízo. De um jeito esquisito Esquecido. No agora. Na pele. Sem alusão. No que não pôde ser dito. Sem volta. No gozo. Em combustão.

Continuar lendo