Tudo quebrado eu jogo fora
Me disse ela, tragando o seu cigarro
Com o canto dos lábios arqueado
Então olhei pra mim
Será que ela sabe como estou?
Pensei se dava pra notar
Que, embora inteiro, tava todo trincado
Pode ser que eu vá de Vasco
Porque ela continuou:
"Não tenho paciência pra nada
Vivo no meu limite, meu amor
O que me segura é só um fiapo"
Tudo quebrado eu jogo fora
Não sei mais como colar
Tudo quebrado eu jogo fora
Me diz como não me desfazer
E eu vou ficando em cacos
Me vendo em estilhaços
Sei nem dizer
Que tô todo quebrado
Ela não aguentaria
Nenhum dos meus fracassos
Thalles Nathan
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Te vi no metrô das seis,
cara de quem cansou de tentar.
Li teu tédio no reflexo,
bem ali no vidro do vagão
No bar da esquina, outra versão sua,
rindo alto de coisa nenhuma,
brincando de ser feliz
quando digo que não ligo.
É sempre assim
estranhos que me refletem,
pisam nas mesmas poças,
erram do mesmo jeito.
Eu que não me amo
acho que me encontro
nos outros que supus amar,
nos outros que supus amar.
Curti tua falta de graça.
Sei também como fingir
que tá tudo bem.
Li nas entrelinhas
o mesmo desespero educado
que também tenho.
Assim como você,
costumo engolir
pra não dar o braço a torcer.
É sempre assim
estranhos que me devoram,
andam nas mesmas rachaduras,
tropeçam nos mesmos buracos.
Eu que mal me encaro
jurando que me encaixo
nos outros que supus amar.
Outros têm outros compassos.
Thalles Nathan
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Eu amei... como um louco varrido.
Pois era lâmina de luz, invadindo o meu abrigo.
Desenhava monstros na parede e eu jurava que eram anjos.
Entre o medo do escuro e a coragem pra te inventar.
Tropeçava no nada, culpando o meu destino e a luz sempre apagada.
Pra quê dizer o quanto eu amei, se quem foi amado partiu?
Fiquei falando com a porta, ela sabe mais de nós que eu.
Ela me escutou, calou e devagar nos engoliu.
Ignorei meus desertos, dunas e ilhas
desenhadas em guardanapos.
Busquei a eternidade num bar cheio de cacos,
palavras duras, quase uma outra língua.
Foi assim que entendi, você nunca existiu.
Thalles Nathan
........................................*Reimaginando poema*.............
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Você se esconde
em seus silêncios claros,
transforma o incômodo num troço vivo
e acha que ninguém vai te entender.
A sua dor cria dez mil cenários
que só você pode percorrer.
Há tantos labirintos lindos
quem dera houvesse algum prazer.
Eu não sou teu salvador,
Nem o vilão que você tanto fala.
Só bato na janela
que você mesmo escala.
Se quiser cair,
eu abro os braços.
Tudo bem.
Mas a escolha é sua
nunca foi de mais ninguém.
Não vim te oferecer um conto de fadas,
invadir seus sonhos
pra vislumbrar as madrugadas,
nem assistir de mãos dadas
ao fim do mundo.
Eu sei...
é confortável se afogar
nesse discurso
e isso soa tão bonito.
Eu sei que erro,
mas sou concreto.
Monotonia,
mesa cheia e louça suja
… tudo o que nunca foi dito.
Thalles Nathan
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Fundei uma nova cidade
Só pra você se perder
Uma pracinha assim meio torta
Um coreto esperando você
Plantei árvores, fileiras de hortas
Cobri de verde o chão inteiro
Talvez nem as veja crescer,
Mas vivo esse sonho, desejo e anseio.
Se um dia cansar da distância,
Das ruas sem o meu lugar,
Tem um mapa batendo no peito,
Te chamando pra ficar.
Fiz esse alicerce no coração,
Caso um dia cê sinta…
Que talvez me ame.
Vai que desiste da distância,
Muda o eixo,
Eu paro de drama,
E algum caminho do mundo
Te traga pra minha cama.
Há versos presos em fios,
Cortinas de fiapo no ar,
Cartas dobradas no quarto
Que nunca vou mandar.
Bilhetes colados em postes,
Nomes riscados no portão,
Tudo esperando teu tempo,
Tudo esperando tua decisão.
Pode vir em silêncio,
Pode vir ou nunca voltar,
Meu medo é te ver se afastando
E meus olhos voltarem a transbordar.
Pode vir no seu tempo,
Pode até nunca vir,
Mas, se não vier,
Quem é que vai me impedir
De ver essa cidade ruir,
Rua por rua…
Ladeiras a inundar,
Cada lembrança virando poeira?
Thalles Nathan
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Perdi em escala,
foi a presença
o ego no cais,
silêncio que pensa
acabaram as respostas da maré.
Resta um cisco do adeus que você é.
O que se separa?
O que se desfaz?
É o que amou com tudo,
Ou só um reflexo que a memória traz?
O barco parte,
mas fica um pedaço
Casco trocado,
último espasmo
Risco no mar, visto na alma
Quem sou eu sem tua calma?
Se cada tábua for substituída,
Ainda é o barco ou só a ferida?
Se cada lembrança muda de lugar,
Ainda sou eu ou é só o mar?
Thalles Nathan
*esticando um poeminha
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Pernas pro ar
adeus, moralidade...
Sonho que é minha;
Teu corpo é minha quinta pele.
Fantasio todos os dias
com o que me fere.
Entre a noite e a pressa do gozo,
Beijo proibido;
É hora de manchar batom.
Camarim dos pecados,
desejos e delírios;
Espelho no teto e luzes de néon.
Toca o rádio
Prazer disfarça a tua melancolia.
Entende de mim,
Assumo as ironias.
É só um quarto barato
no fim da rua,
Onde o amor é encenado
e a culpa paira...
doces maravilhas.
Onde o macho frágil
está em carne crua
Noites artificiais...
Cinzas de um cigarro desenham as trilhas,
Vícios, sussurros...
gemidos ardentes.
Um celular vibra no canto, insistente.
Lá fora espera
quem não faz parte.
A traição dança sozinha,
Entre o que se diz e o que se cala,
Colorindo espaços vazios
Com dores e presenças
de quem se apunhala.
Foi num motel barato
no fim da rua,
Onde o amor é encenado
e a culpa paira.
Onde o macho frágil
está em carne crua
Noites artificiais,
Vícios de homens normais.
A cidade inteira conspira,
Guarda segredos,
entrelaça as pernas.
Oh, meu bem...
Esquece o mundo,
Fecha os olhos e respira.
...Adeus, moralidade...
Vícios dos que dormem em paz
Thalles Nathan
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Perguntas ao Vento
Bisa, às vezes acho que posso amassar as nuvens
é só esticar os dedos
e fechar bem devagarinho.
Quando a luz se apagou,
não te vi.
Isso me assustou.
Então fingi ser maior.
Mais forte.
Mas o medo não foi embora.
Duas vozes brigavam.
Quando veio o silêncio,
um trovão...
...tudo brilhou.
A janela se abriu com o vento,
e o ar frio correu pra se esconder
talvez dentro de mim.
Que me fez pensar...
será que, aí do céu, Bisa,
Deus brinca de ser grande,
tentando esmagar a gente?
O Poeta e o Vento
Eu, poeta desatento, perco a noção
se são seus lábios a produzirem tal vento.
...Às vezes acho que sopras amor,
mas, ainda assim, brisa é vento.
Menino levado, correndo pra ver se alcança o tempo...
– Pra onde vai, menino?
– Correr das horas!
Do chão preto do vajado,
olhos buscam alento nas nuvens.
E nessas nuvens, formas acrescento
mas inventa o vento de fazê-las passarem...
Poeta proseando à sombra do umbuzeiro,
na esgrima do galho e do vento.
Vó Denise ria, se balançando toda,
na análise das minhas analogias
– Pra onde vai, menino levado?
– Vou levando ali um quilo de poesia.
Nublado
Sou nuvens condensadas;
nublado,
sem saber chover.
Sinto o peso no vento,
mas não deságuo.
Por vezes, garôo.
Noutras, não.
Mas sempre, dissolvido em silêncio.
Veem o que é belo,
mas não leem
o quanto me rasgo ao escrever.
O amor me abandonou
em dois funerais
Primeiro, em culpa;
o segundo, por minha ausência.
O caminho torto
não era o problema
era o que levava comigo.
São céus demais.
E o pior
estive sempre
em minha companhia.
Há um ar assombrado cá dentro.
Sendo eu,
um cemitério nômade,
não importam os lugares
É muito para um só corpo.
Thalles Nathan
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Ontem pediu que fôssemos amigos.
Fechei os olhos,
contei até fingir que continuava a contagem
esperei dar tempo do amor se esconder.
quis um lugar em minha vida,
não seria nunca um adeus
e eu, buscando o motivo de continuar,
te olhei assim,
e te vi num lugar tão comum.
Venha, seja bem-vinda.
Pode entrar.
Sente-se.
Mas você nem ao menos veio.
Não espere a casa estar uma bagunça.
O caos habita meu peito,
a cabeça,
a casa, não.
Aqui, espero, deitado no quarto,
por uma brecha,
um lampejo na tela
uma notificação.
Thalles Nathan
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Amo, sim.
E como amo.
Olha só como cabe,
nesse sentimento, o desvario.
Uma parte de mim se diz inteira,
ainda assim, se perde em cio.
É a razão pela qual minha cama esquenta.
Prometi fidelidade,
mas quem precisa de promessas
quando sente a carne sedenta?
Na boca... por vício...
Vinho mordido na ponta dos lábios.
Corpos suados.
Pulsão de forma tranquila e violenta
Amo, sim.
E olha como amo.
Na liberdade.
Entre a sacanagem e a adoração.
Me esfrego no corpo
de quem detém meu coração,
minha alma assídua,
uma visitante pervertida de sua matéria.
Assim o amor se encanta
E se ilude.
como um animal, me sinto livre
então me divide.
E Deus nos ajude
para que não recobre a consciência.
Thalles Nathan
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(Faixa Secreta)
Amo, sim.
Mas não como mandam os santos.
Com sede,
com falha,
com imensidão,
com fúria,
com fome,
sem absolvição.
Com a língua,
antes e durante a palavra.
Com o toque,
antes da promessa.
Sou pecado antes de ser prece.
Sou entrega e pressa,
sem arrependimento.
No altar do teu corpo,
me ajoelho,
oro,
choro...
Escorro.
Na fé de um descrente
que ainda acredita no calor.
Se queima; padece.
Esporro.
Amo, sim.
Na beira do erro,
no som do que berro,
na falta de juízo.
De um jeito esquisito
Esquecido.
No agora.
Na pele.
Sem alusão.
No que não pôde ser dito.
Sem volta.
No gozo.
Em combustão.
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