Evangelho Segundo o Corpo e Espírito
Amo, sim. E como amo. Olha só como cabe, nesse sentimento, o desvario. Uma parte de mim se diz inteira, ainda assim, se perde em cio. É a razão pela qual minha cama esquenta. Prometi fidelidade, mas quem precisa de promessas quando sente a carne sedenta? Na boca... por vício... Vinho mordido na ponta dos lábios. Corpos suados. Pulsão de forma tranquila e violenta Amo, sim. E olha como amo. Na liberdade. Entre a sacanagem e a adoração. Me esfrego no corpo de quem detém meu coração, minha alma assídua, uma visitante pervertida de sua matéria. Assim o amor se encanta E se ilude. como um animal, me sinto livre então me divide. E Deus nos ajude para que não recobre a consciência. Thalles Nathan . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (Faixa Secreta) Amo, sim. Mas não como mandam os santos. Com sede, com falha, com imensidão, com fúria, com fome, sem absolvição. Com a língua, antes e durante a palavra. Com o toque, antes da promessa. Sou pecado antes de ser prece. Sou entrega e pressa, sem arrependimento. No altar do teu corpo, me ajoelho, oro, choro... Escorro. Na fé de um descrente que ainda acredita no calor. Se queima; padece. Esporro. Amo, sim. Na beira do erro, no som do que berro, na falta de juízo. De um jeito esquisito Esquecido. No agora. Na pele. Sem alusão. No que não pôde ser dito. Sem volta. No gozo. Em combustão.
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