Trilogia das Nuvens
Perguntas ao Vento Bisa, às vezes acho que posso amassar as nuvens é só esticar os dedos e fechar bem devagarinho. Quando a luz se apagou, não te vi. Isso me assustou. Então fingi ser maior. Mais forte. Mas o medo não foi embora. Duas vozes brigavam. Quando veio o silêncio, um trovão... ...tudo brilhou. A janela se abriu com o vento, e o ar frio correu pra se esconder talvez dentro de mim. Que me fez pensar... será que, aí do céu, Bisa, Deus brinca de ser grande, tentando esmagar a gente? O Poeta e o Vento Eu, poeta desatento, perco a noção se são seus lábios a produzirem tal vento. ...Às vezes acho que sopras amor, mas, ainda assim, brisa é vento. Menino levado, correndo pra ver se alcança o tempo... – Pra onde vai, menino? – Correr das horas! Do chão preto do vajado, olhos buscam alento nas nuvens. E nessas nuvens, formas acrescento mas inventa o vento de fazê-las passarem... Poeta proseando à sombra do umbuzeiro, na esgrima do galho e do vento. Vó Denise ria, se balançando toda, na análise das minhas analogias – Pra onde vai, menino levado? – Vou levando ali um quilo de poesia. Nublado Sou nuvens condensadas; nublado, sem saber chover. Sinto o peso no vento, mas não deságuo. Por vezes, garôo. Noutras, não. Mas sempre, dissolvido em silêncio. Veem o que é belo, mas não leem o quanto me rasgo ao escrever. O amor me abandonou em dois funerais Primeiro, em culpa; o segundo, por minha ausência. O caminho torto não era o problema era o que levava comigo. São céus demais. E o pior estive sempre em minha companhia. Há um ar assombrado cá dentro. Sendo eu, um cemitério nômade, não importam os lugares É muito para um só corpo. Thalles Nathan
Ella
😞💚🤝... Linda poesia e homenagem. Lembrei da minha vozinha... Parabéns pelo escrito.
Ella
Teria ficado lindo e poético se na frase "brisa é vento" vc tivesse colocado "bisa é vento"... ☺️ mas é meu eu poético, se intrometendo na sua poesia. Gostei muito msm.
Thalles Nathan
Muito obrigado. Sua visão é interessante na frase da Bisa ser vento ao se tratar de amor, mas no primeiro poema o vento é ausência, medo... é o garoto conhecendo a fragilidade humana. No segundo, ele, já poeta, tenta camuflar... dar leveza
Thalles Nathan
ele quer figir que só existe amor. No terceiro, o vento volta a ser um ar assombrado, por ser um luto não muito bem digerido e pela perda da base amorosa que o sustentava depois da perda da Bisa
Thalles Nathan
E novamente agradeço pelo carinho e pelo feedback