A sobrevoar sentimentos cinzentos.
Consumidos pelo fogaréu jaz nossas almas
Jogadas em brasas vermelhas a queimar.
Fuligem impregnam teus lábios
Por palavras esfumaçadas
No teu certeiro golpe
De lascívia e amor.
Ataque qual se faz guiar por ideias alheias
Movidas ao desígnio da destruição.
Apagar aquilo que acendemos
Será um desfavor caloroso
Em sua excelência ardente.
Afasto o peito do teu que flameja.
E volto a me desfazer contigo.
O desajeitar da incerteza faz tilintar,
Faíscas vislumbram nossa peça.
Riscam o sombrio do aposento.
Nossos sons nos dimensionam
Como dantes, íntimos amantes.
Teus lábios fumegantes me traçam
Trilhas sinuosas de delírio e graça.
E, então percorrem o meu colo.
Deslizam o corpo suavemente.
Me desvendam o instante
E devoram o âmago.
Nos enlaçam
Perfeitamente,
Porém com nós.
Nós, que marcam o pavio.
São detalhes, meros passados passageiros.
Certezas em glória fincadas em incertezas
Mas não impedem o estopim de queimar
E seguir adiante em seu fim pecaminoso.
Um brilho de ilumina a feição.
O breu de acaricia os modos.
Nesse desfecho egoísta que cumpre nosso ego.
A harmonia nos afoga em uma sintonia carnal
Banhada em romances fantasiosos
Lustrados à memória.
Eram chamas vermelhas,
Agora, miúdas.
Por fim a última nota incandescente.
O silencio faz ecoar o martelar dos batimentos.
Um feixe de luz vaza pela cortina, morto.
Faz saber de que o satélite enaltece e vibra
Pela obra consumada em cinzas.
Olhos cruzam, desviam e buscam.
Nossa mortalidade se vai ao esquecimento.
Cada qual com sua função.
As labaredas recaem.
Voltam a dançar no íntimo interno
Em sua profundidade particular,
À espera da próxima fagulha.
No traço desde laço
Que nos enrola o coração.
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Corríamos entre feixes luminosos
Que singelamente pincelavam
O magnífico e nebuloso bosque.
Atrás de ti erguia-se apenas a poeira âmbar
Mesclando tua ilustre silhueta,
O teu desespero encoberto por medo
E teu pranto feroz.
Quis imensamente afagar-te,
atar-me justamente em teu corpo e alma.
Se entre nós não há posse ou afeição romântica, descuido-me de qualquer culpa,
Senão ao maldizer divino.
Talvez nos amaríamos em todas as delícias prezáveis do amor sem lâminas.
Agraciado do destino inevitável
Não mais havia vantagem.
Em fadiga, seu desalento jamais suportaria Qualquer abatimento bruto e viril.
Alcancei-a esmorecida.
A cabeleira negra jogada ao rosto te mascarava
E logo, rasas lágrimas pendiam ao rosto
Diluídas ao escarlate de nosso amor.
A tive como bem quis
E os deuses a tiveram-na também,
Por quanto pôde, me atirou ao inferno
No detalhe de que a caça a fez caçadora.
Seus passos seguiam sem rumo.
Nada mais havia além de mim
E seu feito atroz.
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Mantive-me nas aflições diárias,
Para maiores distrações achincalhei adágios
Que me roíam crenças frustrantes.
Num bate-volta de sim e nãos,
Repeli a imagem de vencido
E vencedor numa confusão incógnita
Parecia viajar em planos estreitos.
Restrito a uma área campestre e surreal,
Tão sonhada, mas hermética
E de um límpido amolador e maçante.
Espíritos sádicos e maliciosos pranteavam graças,
Alegorias em pachorras de meu estado
[em confidência.
De instantes em tempos,
Na penumbra destas aflições desejáveis,
A fadiga embotava-as à medida deste desenrolar [conflituoso e jovial.
Quando diplomaticamente peco nas lembranças,
Deste amável e horrendo delírio.
Em mãos estavam a alacridade
E um estranho humor escorria por elas.
Possivelmente minhas aflições entregaram-me
À dada penitência e julgo
Em um orgasmo nada durável,
Mas poético.
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#minhasobrasempoeiradas
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Chamas consomem o momento.
Demônios dançam valsas fúnebres.
Sinfonias cortam a mente, riscando-a
Ao passo que entorpecem os sentidos
Em um conflito de remorso lastimável.
Estão a corroer, ardentes a ferir com fel
As despedidas avulsas do apego palpável.
Ora estraçalham, outra contidos, beijam.
Brama o dia monstruoso de labaredas
Ao derradeiro tinir das baladas célebres.
A garganta abraça espinhos às roseiras.
Então, emudece a voz afogada no delírio.
Os ouço bradar e estremecer no silêncio,
São criaturas incertas, bêbadas de malícia
Guiadas à volúpia carnal do dado divórcio.
A maresia segue, arruinando com espúrio
Os sonhos póstumos às trilhas traiçoeiras.
A mente embala um engasgo cíclico, mortal,
Dos porquês aos quais do infindável fim.
Engasgado nas precipitações egocêntricas,
Se vai o dia em sua monotonia enfurecida.
Desespero amarra o peito, desgraçadamente
Vozes estridentes em sua agonia particular.
Maldito, o tormento lhe vem acariciar o rosto.
A abraçar sua essência em angústias,
Se passa a noite a afogar o farol.
Sua chama enfraquece e apaga.
Brasas e faíscas despontam.
Os olhos fecham em cinzas.
Fumaça e carvão restam
Além das memórias.
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Olhares cruzavam-me na alvorada,
Sentia-me distante à qualquer familiaridade.
De certa temperança desvinculada,
O monótono jazia monções com intimidade.
Ressuscitávamos afeto de paliçada
E voltávamos a exumar as fartas aparências.
Nos amávamos nas margens da luxúria
E nas profundezas dos desejos carnais.
Loucuras e delírios viveríamos com fúria.
Ouviríamos em nós solicitudes infernais.
Ouvíamos gritante apenas tais essências
Teus ruídos dimensionavam a congruente
Sonoplastia de infindas noites em escuridão
que, retida, instava em um canto adjacente.
Trôpega e esmaecida pela lâmpada negra.
Ela incitava tonalidades em alvor mágico.
Logo o atrito de teu rosto, estranho e amável, Incitava-me o alvor de caminhos inacabados.
Excitados, por tal amor fronteiriço, vaiávamos.
A moralidade difusa nos consumia sedenta.
O odor dos teus encantos me eram novos.
Algo como humor nos entreteve.
Nos afogávamos em oceanos límpidos.
Que nasciam além dos lábios,
De teus grandes lábios à saliva.
Em contração aos feitios factícios,
Pude sentir-me inteiramente incompleto.
E não era isto problema algum.
E estava entregue ao silêncio ensurdecedor.
Nossos corpos conversavam por si e gritavam.
A semelhança íntegra me parecia conhecida. Vívida, talvez por meus sonhos esquecidos.
Rapidamente, senti-me distante.
Algo imensurável nos apartava, era fugaz.
A repulsa estava convicta por delírios.
Tua imagem opaca a fumaçar desprendia.
Busquei-me lembrar dos teus caminhos
E embora fossem poucos e breves,
Não mais haviam ou resquício algum.
Rastros de nós extinguiam em calendários.
E o nosso papel estava por amassado.
Rasquei-a, após o delírio devaneio.
Momentos em frente, na turva vista,
Me era apenas mais uma desconhecida.
E assim, voltei a ser mais um sonhador
Esquecido em minhas próprias loucuras.
Jogado ao destino de um coração solto.
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Palavras lhe embebedam o discurso.
Contrastam-no a mudança entorpecida.
O hálito a baforar incertezas.
A mudança ilusória por riscada.
Na esperança, trouxe-nos murmúrios
Dos porquês que não mais lhe cabiam.
Bastava ouvir e sentir,
Abrir os lábios ao que passava
Não livraria-me a chance de viver,
O inevitável foi um cumprimento ilustre.
Por tanto lhe afogar às letras invisíveis
Subverteu o teu corpo os sentimentos
E assim construiu um labirinto de razão
Para se perder em si com teus segredos.
Um abismo nos engolia sedento,
Nos desencontros profundos
Talhados em solidão e silêncio.
Mal pude notar o quanto sangrava,
Não importava, pois a dor estava esquecida,
Anestesiada por questões diplomáticas.
Ainda me perco nos porquês.
Mas certas razões são vibrantes.
Se, com tantos rodeios, me seduz as horas.
Hei de dizer-te que o contrário domaria igual.
Aceito a questão de que és tão meu
Quanto seria eu de alguém como você.
Eu não sei, também sou um labirinto.
Porém és tu o meu único mapa.
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Um retrocesso me engasga o avesso
Passo a ser uma edição passada.
Descarilada de sonhos e incertezas.
Vazia por completo em desígnios.
Traço em um folha amassada listas,
Respostas e desenhos... Rabiscos.
Aflora dos lábios planos em demasia.
Ao fundo, por certo, me são como a cortesia
Desajeitada de possíveis futuros prévios.
O dia vai consumindo o estopim das horas.
Com má receptividade mais um dia a clarear.
Meu corpo se destroça, se desgasta e refaz
A boa mente perdida em sua própria saúde,
Jogada em uma roleta aleatória e incerta
Por qual não se sabe o que virá ou se virá.
Mas inegavelmente há de passar por mim.
Sou o montante confuso e problemático.
Irremediável ao destino inexistente.
Volto a suster àqueles sorrisos
Aquela máscara podre de flores.
Na expectativa da decepção certa
Volto a esperar uma surpresa alheia.
Encontro o suficiente no pouco que existe
Em mim e nos outros deste vil universo.
Abraços e beijos se tornam inúteis,
Porém às vezes são valiosos e necessários,
Como apertos de mãos e sorrisos discretos.
Sou realista por uns, pessimista à outros.
Mas por fim sou apenas mais um
Na esperança de me encontrar e encontrar
Um jeito de viver e ser, talvez, feliz.
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Muitos passos se perderam à fora.
Distrações insignificantes presas a memória
Que seguia ingênua a direção qualquer.
Houve poucos olhos a guiar uma tal mulher.
Adiante, a vida a escorrer solidão e pétalas.
Há mais desculpas floradas em matá-las
Em sinais confusos de silêncio e descaso.
O embalo a tritura os jeitos no mormaço.
À espera soberba de um amanhã desperto
Que declare aos ventos um sonho, certo.
As madrugadas não enxergam ninguém
Quando o temporal dança em seu vaivém.
Quiçá, as horas se enrodilham cansadas.
O baque é um sorrir de dores casadas.
Menina, atiça o pé em seu julgamento,
Pois desnivelado consome o sentimento
De pairar sossegada o céu dantes azulado.
Quem sabes encontre tu um ser a ser amado.
Olhe, por deus, o chão em sua magnitude
E não ouse batalhar com forças ou virtude
Disse muitos alguéns nesta torpe multidão.
Correntes ligam o peito a nenhum coração.
Grilhões lhe prendem o fôlego restante,
Censuram a voz e o desígnio palpitante
Se cala a mendigar o precioso amor.
Apaga o infindável e prestado calor
Que lhe aquece a tênue esperança
De trilhar assertiva a confiança
E a independência singular
De se permitir a se amar.
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Vil solitude dentre trilhas sinuosas.
Há o embalo pútrido e traiçoeiro.
Trincheiras disparam estrondosas
Nos lábios de fogo do morteiro.
Ciladas tracejam o ponteiro devorador
Que, horário, enrodilha infindas prosas,
Herméticas, afogam o solitário orador
O compassar de vãs idéias penosas.
Desponta solene o guerrear, a sã desgraça.
Pensamentos bramam e uram impropérios
Adornos reluzem visões que com graça
Remontam o apogeu de certos impérios.
O remoer, estremece e o engasga.
Incertezas são postas em lista
Seja qual for, vencedor ou vencido
Serás este campo sua conquista
Ou uma mera quimera posta ao ouvido.
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Não que seja por maldade,
Mas me despeça as honrarias
De tê-lo incrustado em minha mente.
Então desfaça o que tu chamarias
De bom feito, presente, o que sente.
Me entardece em teu celeste universo
Que deveras ser, em ilusão, alheio.
Tampouco, enxumas tu as memórias do verso
Daquelas fotografias perdidas em anseio.
Me desfaça o amanhã incerto
Que por sonhos padece tal vil desejo.
Me encobram os teus braços com aperto,
Os muitos laços que nos amarram os beijos
E que nos desgraçam os lábios em saudade.
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