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Sovereign

@Saida · desde 2019

Olá, humanos :) ● Além de um infinito particular, há apenas finitas particularidades. ●

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Chamas de nós

A sobrevoar sentimentos cinzentos. Consumidos pelo fogaréu jaz nossas almas Jogadas em brasas vermelhas a queimar. Fuligem impregnam teus lábios Por palavras esfumaçadas No teu certeiro golpe De lascívia e amor. Ataque qual se faz guiar por ideias alheias Movidas ao desígnio da destruição. Apagar aquilo que acendemos Será um desfavor caloroso Em sua excelência ardente. Afasto o peito do teu que flameja. E volto a me desfazer contigo. O desajeitar da incerteza faz tilintar, Faíscas vislumbram nossa peça. Riscam o sombrio do aposento. Nossos sons nos dimensionam Como dantes, íntimos amantes. Teus lábios fumegantes me traçam Trilhas sinuosas de delírio e graça. E, então percorrem o meu colo. Deslizam o corpo suavemente. Me desvendam o instante E devoram o âmago. Nos enlaçam Perfeitamente, Porém com nós. Nós, que marcam o pavio. São detalhes, meros passados passageiros. Certezas em glória fincadas em incertezas Mas não impedem o estopim de queimar E seguir adiante em seu fim pecaminoso. Um brilho de ilumina a feição. O breu de acaricia os modos. Nesse desfecho egoísta que cumpre nosso ego. A harmonia nos afoga em uma sintonia carnal Banhada em romances fantasiosos Lustrados à memória. Eram chamas vermelhas, Agora, miúdas. Por fim a última nota incandescente. O silencio faz ecoar o martelar dos batimentos. Um feixe de luz vaza pela cortina, morto. Faz saber de que o satélite enaltece e vibra Pela obra consumada em cinzas. Olhos cruzam, desviam e buscam. Nossa mortalidade se vai ao esquecimento. Cada qual com sua função. As labaredas recaem. Voltam a dançar no íntimo interno Em sua profundidade particular, À espera da próxima fagulha. No traço desde laço Que nos enrola o coração. ●

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Drama

Celerado Amor

Corríamos entre feixes luminosos Que singelamente pincelavam O magnífico e nebuloso bosque. Atrás de ti erguia-se apenas a poeira âmbar Mesclando tua ilustre silhueta, O teu desespero encoberto por medo E teu pranto feroz. Quis imensamente afagar-te, atar-me justamente em teu corpo e alma. Se entre nós não há posse ou afeição romântica, descuido-me de qualquer culpa, Senão ao maldizer divino. Talvez nos amaríamos em todas as delícias prezáveis do amor sem lâminas. Agraciado do destino inevitável Não mais havia vantagem. Em fadiga, seu desalento jamais suportaria Qualquer abatimento bruto e viril. Alcancei-a esmorecida. A cabeleira negra jogada ao rosto te mascarava E logo, rasas lágrimas pendiam ao rosto Diluídas ao escarlate de nosso amor. A tive como bem quis E os deuses a tiveram-na também, Por quanto pôde, me atirou ao inferno No detalhe de que a caça a fez caçadora. Seus passos seguiam sem rumo. Nada mais havia além de mim E seu feito atroz.

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Torpor

Mantive-me nas aflições diárias, Para maiores distrações achincalhei adágios Que me roíam crenças frustrantes. Num bate-volta de sim e nãos, Repeli a imagem de vencido E vencedor numa confusão incógnita Parecia viajar em planos estreitos. Restrito a uma área campestre e surreal, Tão sonhada, mas hermética E de um límpido amolador e maçante. Espíritos sádicos e maliciosos pranteavam graças, Alegorias em pachorras de meu estado [em confidência. De instantes em tempos, Na penumbra destas aflições desejáveis, A fadiga embotava-as à medida deste desenrolar [conflituoso e jovial. Quando diplomaticamente peco nas lembranças, Deste amável e horrendo delírio. Em mãos estavam a alacridade E um estranho humor escorria por elas. Possivelmente minhas aflições entregaram-me À dada penitência e julgo Em um orgasmo nada durável, Mas poético. ● #minhasobrasempoeiradas

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INFERNO

Chamas consomem o momento. Demônios dançam valsas fúnebres. Sinfonias cortam a mente, riscando-a Ao passo que entorpecem os sentidos Em um conflito de remorso lastimável. Estão a corroer, ardentes a ferir com fel As despedidas avulsas do apego palpável. Ora estraçalham, outra contidos, beijam. Brama o dia monstruoso de labaredas Ao derradeiro tinir das baladas célebres. A garganta abraça espinhos às roseiras. Então, emudece a voz afogada no delírio. Os ouço bradar e estremecer no silêncio, São criaturas incertas, bêbadas de malícia Guiadas à volúpia carnal do dado divórcio. A maresia segue, arruinando com espúrio Os sonhos póstumos às trilhas traiçoeiras. A mente embala um engasgo cíclico, mortal, Dos porquês aos quais do infindável fim. Engasgado nas precipitações egocêntricas, Se vai o dia em sua monotonia enfurecida. Desespero amarra o peito, desgraçadamente Vozes estridentes em sua agonia particular. Maldito, o tormento lhe vem acariciar o rosto. A abraçar sua essência em angústias, Se passa a noite a afogar o farol. Sua chama enfraquece e apaga. Brasas e faíscas despontam. Os olhos fecham em cinzas. Fumaça e carvão restam Além das memórias. ●

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Madorra

Olhares cruzavam-me na alvorada, Sentia-me distante à qualquer familiaridade. De certa temperança desvinculada, O monótono jazia monções com intimidade. Ressuscitávamos afeto de paliçada E voltávamos a exumar as fartas aparências. Nos amávamos nas margens da luxúria E nas profundezas dos desejos carnais. Loucuras e delírios viveríamos com fúria. Ouviríamos em nós solicitudes infernais. Ouvíamos gritante apenas tais essências Teus ruídos dimensionavam a congruente Sonoplastia de infindas noites em escuridão que, retida, instava em um canto adjacente. Trôpega e esmaecida pela lâmpada negra. Ela incitava tonalidades em alvor mágico. Logo o atrito de teu rosto, estranho e amável, Incitava-me o alvor de caminhos inacabados. Excitados, por tal amor fronteiriço, vaiávamos. A moralidade difusa nos consumia sedenta. O odor dos teus encantos me eram novos. Algo como humor nos entreteve. Nos afogávamos em oceanos límpidos. Que nasciam além dos lábios, De teus grandes lábios à saliva. Em contração aos feitios factícios, Pude sentir-me inteiramente incompleto. E não era isto problema algum. E estava entregue ao silêncio ensurdecedor. Nossos corpos conversavam por si e gritavam. A semelhança íntegra me parecia conhecida. Vívida, talvez por meus sonhos esquecidos. Rapidamente, senti-me distante. Algo imensurável nos apartava, era fugaz. A repulsa estava convicta por delírios. Tua imagem opaca a fumaçar desprendia. Busquei-me lembrar dos teus caminhos E embora fossem poucos e breves, Não mais haviam ou resquício algum. Rastros de nós extinguiam em calendários. E o nosso papel estava por amassado. Rasquei-a, após o delírio devaneio. Momentos em frente, na turva vista, Me era apenas mais uma desconhecida. E assim, voltei a ser mais um sonhador Esquecido em minhas próprias loucuras. Jogado ao destino de um coração solto. ●

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Desencontros

Palavras lhe embebedam o discurso. Contrastam-no a mudança entorpecida. O hálito a baforar incertezas. A mudança ilusória por riscada. Na esperança, trouxe-nos murmúrios Dos porquês que não mais lhe cabiam. Bastava ouvir e sentir, Abrir os lábios ao que passava Não livraria-me a chance de viver, O inevitável foi um cumprimento ilustre. Por tanto lhe afogar às letras invisíveis Subverteu o teu corpo os sentimentos E assim construiu um labirinto de razão Para se perder em si com teus segredos. Um abismo nos engolia sedento, Nos desencontros profundos Talhados em solidão e silêncio. Mal pude notar o quanto sangrava, Não importava, pois a dor estava esquecida, Anestesiada por questões diplomáticas. Ainda me perco nos porquês. Mas certas razões são vibrantes. Se, com tantos rodeios, me seduz as horas. Hei de dizer-te que o contrário domaria igual. Aceito a questão de que és tão meu Quanto seria eu de alguém como você. Eu não sei, também sou um labirinto. Porém és tu o meu único mapa. ●

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Máscara de flores

Um retrocesso me engasga o avesso Passo a ser uma edição passada. Descarilada de sonhos e incertezas. Vazia por completo em desígnios. Traço em um folha amassada listas, Respostas e desenhos... Rabiscos. Aflora dos lábios planos em demasia. Ao fundo, por certo, me são como a cortesia Desajeitada de possíveis futuros prévios. O dia vai consumindo o estopim das horas. Com má receptividade mais um dia a clarear. Meu corpo se destroça, se desgasta e refaz A boa mente perdida em sua própria saúde, Jogada em uma roleta aleatória e incerta Por qual não se sabe o que virá ou se virá. Mas inegavelmente há de passar por mim. Sou o montante confuso e problemático. Irremediável ao destino inexistente. Volto a suster àqueles sorrisos Aquela máscara podre de flores. Na expectativa da decepção certa Volto a esperar uma surpresa alheia. Encontro o suficiente no pouco que existe Em mim e nos outros deste vil universo. Abraços e beijos se tornam inúteis, Porém às vezes são valiosos e necessários, Como apertos de mãos e sorrisos discretos. Sou realista por uns, pessimista à outros. Mas por fim sou apenas mais um Na esperança de me encontrar e encontrar Um jeito de viver e ser, talvez, feliz. ○

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Dores à Dolores

Muitos passos se perderam à fora. Distrações insignificantes presas a memória Que seguia ingênua a direção qualquer. Houve poucos olhos a guiar uma tal mulher. Adiante, a vida a escorrer solidão e pétalas. Há mais desculpas floradas em matá-las Em sinais confusos de silêncio e descaso. O embalo a tritura os jeitos no mormaço. À espera soberba de um amanhã desperto Que declare aos ventos um sonho, certo. As madrugadas não enxergam ninguém Quando o temporal dança em seu vaivém. Quiçá, as horas se enrodilham cansadas. O baque é um sorrir de dores casadas. Menina, atiça o pé em seu julgamento, Pois desnivelado consome o sentimento De pairar sossegada o céu dantes azulado. Quem sabes encontre tu um ser a ser amado. Olhe, por deus, o chão em sua magnitude E não ouse batalhar com forças ou virtude Disse muitos alguéns nesta torpe multidão. Correntes ligam o peito a nenhum coração. Grilhões lhe prendem o fôlego restante, Censuram a voz e o desígnio palpitante Se cala a mendigar o precioso amor. Apaga o infindável e prestado calor Que lhe aquece a tênue esperança De trilhar assertiva a confiança E a independência singular De se permitir a se amar. ●

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Guerras internas

Vil solitude dentre trilhas sinuosas. Há o embalo pútrido e traiçoeiro. Trincheiras disparam estrondosas Nos lábios de fogo do morteiro. Ciladas tracejam o ponteiro devorador Que, horário, enrodilha infindas prosas, Herméticas, afogam o solitário orador O compassar de vãs idéias penosas. Desponta solene o guerrear, a sã desgraça. Pensamentos bramam e uram impropérios Adornos reluzem visões que com graça Remontam o apogeu de certos impérios. O remoer, estremece e o engasga. Incertezas são postas em lista Seja qual for, vencedor ou vencido Serás este campo sua conquista Ou uma mera quimera posta ao ouvido. ●

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Lábios de saudade

Não que seja por maldade, Mas me despeça as honrarias De tê-lo incrustado em minha mente. Então desfaça o que tu chamarias De bom feito, presente, o que sente. Me entardece em teu celeste universo Que deveras ser, em ilusão, alheio. Tampouco, enxumas tu as memórias do verso Daquelas fotografias perdidas em anseio. Me desfaça o amanhã incerto Que por sonhos padece tal vil desejo. Me encobram os teus braços com aperto, Os muitos laços que nos amarram os beijos E que nos desgraçam os lábios em saudade. ●

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