Sovereign @Saida

INFERNO

Chamas consomem o momento. Demônios dançam valsas fúnebres. Sinfonias cortam a mente, riscando-a Ao passo que entorpecem os sentidos Em um conflito de remorso lastimável. Estão a corroer, ardentes a ferir com fel As despedidas avulsas do apego palpável. Ora estraçalham, outra contidos, beijam. Brama o dia monstruoso de labaredas Ao derradeiro tinir das baladas célebres. A garganta abraça espinhos às roseiras. Então, emudece a voz afogada no delírio. Os ouço bradar e estremecer no silêncio, São criaturas incertas, bêbadas de malícia Guiadas à volúpia carnal do dado divórcio. A maresia segue, arruinando com espúrio Os sonhos póstumos às trilhas traiçoeiras. A mente embala um engasgo cíclico, mortal, Dos porquês aos quais do infindável fim. Engasgado nas precipitações egocêntricas, Se vai o dia em sua monotonia enfurecida. Desespero amarra o peito, desgraçadamente Vozes estridentes em sua agonia particular. Maldito, o tormento lhe vem acariciar o rosto. A abraçar sua essência em angústias, Se passa a noite a afogar o farol. Sua chama enfraquece e apaga. Brasas e faíscas despontam. Os olhos fecham em cinzas. Fumaça e carvão restam Além das memórias. ●

Comentários · 1

  1. Mauricio ..

    Descreveste o inferno e me senti julgado

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    1. Sovereign

      Quando se conhece bem, tal lugar, o resto é detalhe e decoro