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proudmoore

@Natawski · desde 2020

eu estou tão fraco e não posso parar

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era vitalício

Desde aquele momento, vivi em luto. Um constante luto a perseguir-me. Quando eu caminhava e em certos momentos de incertezas Parava a olhar para trás e medir a distância Entre mim, e de meu luto Notava que... Não, sabia que o tempo tinha Parado com meus passos e ao olhar para O lado, era capaz de enxergar o vulto Do que nunca passou.

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morro

Fujo então na noite e subo o morro para me encontrar com os ruídos naturais da noite, O som do vento sob a luz da lua; a presença sutil do cricrilar noturno Observo o ruído natural das coisas se misturar com o silêncio que parte de mim: sem desejar nada sem insinuar nada, sem a necessidade de ser conviver ou de viver Uma perspectiva me tira do silêncio profundo e da reflexão do nada e me faz pensar sobre o contraste da cidade, de casa simples e desalinhadas para edifícios luxuosos ao Horizonte que não me diz nada e me diz tudo que já sei Subitamente imagino que estou num globinho, dentro de um globinho, preso dentro desses globinhos e me sinto sufocado como se o globinho não fosse o suficiente para necessidade de liberdade que sonho Desço de minhas ilusões, da caixa d'água e do morro caminho pelas veredas, serpenteando as ruas que vi rumo a casa que observei Indo de encontro com as ilusões que imaginei, lá de cima, do morro e da caixa d'água.

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abc III, e o ultimo dos abc

Hoje penso, deitado sobre a cama, e reflito sobre algumas coisas ditas ali, outras ditas em outras ocasiões e reflito. Embora eu não seja o tema da cena anterior, e nem o motivo do perdão do velho. As vezes em que me sinto marginalizado e esquecido. Penso, ora, "eu não mereço tanto o perdão do velho quanto o de minha mãe?" O velho diz que fui fruto indesejado e julga minha mãe de ter tentado me tirar a vida, mas o próprio velho cometeu uma espécie de aborto paterno, ambos foram egoísta e imaturos, o velho exalta seus poucos sacrifício paterno e negligência uma vida inteira de responsabilidade como pai. Se se sacrificar nos primeiros anos e negligenciar os anos de formação e achar que os sacrifícios do pouco que foi feito compensa no muito que foi esquecido e isto o faz se sentir melhor, o que é isso se não egoísmo? Nunca me pediu perdão, pelo contrário, coloca toda a culpa da negligência nas costas de minha mãe e usa isso como justificativa de sua falta. O reconhecimento de que tive uma infância difícil não me é alheio, mas o pedido de desculpa me falta. As lágrimas do arrependimento me faltam e isso me comove. Penso as vezes que o papel que o velho deveria exercer sobre mim é o mesmo que exerço agora sobre ele. Quando eu mais precisava, nunca o tive, mas agora, quando todo mundo o abandonou, eu sempre estou lá, lembrando do papel que ele nunca fez.

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a literatura de karkafanum é abstrata

Vislumbro o semblante concentrado da moça de karkafanum Vejo sentada no parque de büsthem Ela lia um singular livro antigo, daqueles que se consegue em leilões baratos, são livros de planetas que já foram destruídos. Esse em particular eu reconheci, porque sou historiador; estudo a história da literatura dos planetas extintos do qual me dediquei a escrever uma árdua e longa enciclopédia da literatura do planeta Terra. Fiz um inventário inteiro de livros de cada época, classifiquei-os em datas, gêneros e em popularidade (O tempo que esse projeto levou, me custou uns quilos a mais e algumas doenças pulmonares por causa do cigarro). Que incrível era aquele livro, que achado! Trata- se do clássico e magnífico "David Copperfield" de Charles Dickens. Quando me aproximei, encantado, com os olhos brilhando de lágrimas emocionada, perguntei-lhe o que estava achando da leitura, e ela disse: "É diferente sabe, o contexto histórico... Nunca vi coisa parecida, veja: é um livro de formação e isso eu entendi, mas a precisão com que o eu-lírico descreve os acontecimentos é absurda". Vi através de suas expressões faciais certa confusão em compreender aquilo que era tão alheio à sua realidade. Expliquei-lhe então, – segundo o que eu sabia – que em um romance de formação, uma das ideias que o compunha era o resgate da memória, a "precisão" era criada A Partir dos fragmentos da memória, era uma construção fictícia e não o fato em si. Disse-lhe mais, que segundos livros terráqueos metodológicos da época, essa construção, ou seja, essa forma de narrativa se dava através dos acontecimentos empíricos, muito diferente do que acontecem em karkafanum, onde tudo é abstrato.

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pesaroso

Vejo o homem solitário na porta da casa Seu nome se traduz em solidão Quando abro meu portão e saio me entristece o coração Ver o homem em solidão Sozinho na rua vazia da negritude da noite Olho para ele e ele a mim E o comprimento e ele a mim E com um sorriso carinhoso e silencioso verdadeiro e afetuoso então penso com pesar Nos momentos de pensar Os raros momento em que pensamos em uma crítica social, quando a empatia supera o egoísmo e enxergamos além de nossos umbigo e abraçamos o pesar do próximo Me entristece ver através de suas janelas a tv sua, só em cor sempre muda Sua presença quase oculta e quando vista, sempre muda Sofre eu e sofre o homem em solidão

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Ternura

vulto

Se em momentos de tristeza agitada Que vem das primeiras lembranças no amanhecer —Como se o pensamento clamasse urgência logo no alvorecer— Surgiu-me então o pensamento nela E nela se concentrou longo momento das primeiras horas  e permaneceu Bem depois do levantar do sol E do findar da aurora E o pensamento nela segue permanente em minha memória Sempre se criando, sempre se moldando, sempre se transformando seus traços, seu jeito, seus cabelos em que eu imaginava como ondas ondulantes que diante a pedra se rebate e sobre ela se levanta Com seu sorriso longo de momentos raros de primeira lua Imagino ela dançando como um espectro na memória Suas pintas espalhados pelo corpo formavam uma constelação brilhando como estrela sobre a escuridão Ouço som de sua risada ecoando como melodia, que enche de alegria os corações mais restrito Seus olhos que esconde mistério, neste místico momento é etéreo, brilhoso e profundo; de uma profundidade que penetra a alma e tira de lá os segredos mais profundo Seu nome um dia já foi mistério, Mas hoje é vulto; um vulto belo em tempos sombrios  imaginava-se como uma borboleta cuja mística silhueta era gravada nas folhas Amarelas de livros velhos. Com saudosas lembranças natawski

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vulto

Vulto inesquecível trêmulante e ruidoso Os teus sons são inesquecíveis Que no profundo abismo soá e ecoa em todo dia a vejo presente Tu, saudosa melancólia insistente Vulto pertinente e oculto Os teus sons diário escuto, lembrando dos momentos teu e choro o luto, ó vulto meu.

o sonho

Quando me vejo perdendo algo que não tenho Me vejo perdendo um sonho Sonho que vejo-os distante e desvio os olhos Sonhos que são cheios de desconfianças Fugindo de olhos cobiçosos Vejo o sonho observando, vejo-os cogitando Criando idéia sobre mim ou eu criando. Quimérico, pueril, sigiloso e sibilino Sobre o sono o sonho Engenhoso ou sem sentido Às vezes evidente, lógico e análogo Noutras vezes atrás se escondem De paredes abstratas. Do silêncio absoluto que atordoa os sentidos tornando o claro sonho em oculto indistinto E sobre oculto a sensação de estarem perto O irreal, abstrato irresistível.

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neste lugar II

Surge espontaneamente, uma lembrança Que de tão gélida, pálida toda a cena Esqueço toda luzes e monte e não existe Mais nada, somente um pensamento Enraizado que a todo tempo dizia: Se eu soubesse entender melhor o mundo seus mistérios incompreensíveis talvez poderia me sentir mais compreendido. Se eu tivesse a noção que naquele dia algo ruim me aguardava; Se a premonição de meu velho fosse mais exata... Coisas ruins sempre me acontecem quando alguém as pressentia. Ideias errada em momentos errado É a fórmula que ocasiona a desgraça Pensei por fim. Se pude suportar todo caos e se não pude, só o que restava era resistir, mas tinha uma compreensão sensata e lógica que libertava das correntes do desespero e da maldita cólera e essa compreensão cintilava como proteção das indolentes acusações de palavras raivosas produzidas por sentimentos em desespero. Sobre lembranças conflituosas que sempre volto a recordar às vezes busco neste emaranhado de lembranças torpes, momentos bons e sentimentos bons que se encontram em algum lugar. Se penso nessas lembranças, muitas vezes difícil de envocar e sinto vontade de esquecê-las porque dói só de lembrar, mas penso que no meio delas vive um momento bom para rememorar: um amor vivido num meio de turbulência, um apoio emocional, um lugar especial de espairecimento, um clima de chuva, céu nublado e coisas a se agarrar que valem a pena recordar. Sei porque sempre sou jogado aqui, nessa memória: Não é para reviver um momento doído, mas para encontrar o que houve de bom na tempestade conflituosa momentânea da vida. Mesmo nessa memória de ameaça e morte, lembro da pessoa que mais amei amar.

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neste lugar I

Como de súbito, surge um clarão, um clarão branco intenso e opaco que lentamente se desfaz, só para dar forma a um cenário, Ainda indistinto aqui de cima, onde vou caindo lentamente, olhar fixado na silhueta de uma casa distinta, sinto que a reconheço. Do meu peito uma batida mais intensa se faz, onde a lembrança me entorpece, então me vejo deitado agora em um quarto e definitivamente a bruma se desfaz. Sinto a consciência de um pós sono, olho para cima e vejo no extremo da parede rodeada por vários pontos cintilantes de um branco amarelado, estático, iluminando o lugar. Agora, deitado sobre essa cama que deitei mil vezes e sobre esse teto que dormir mil noites e banhado por essa luz que iluminou mil pesadelos e ainda sim, sei que só um momento distinto distinguem todos os outros mil momentos Deste triste lugar Quando a cena muda, carregado de um silêncio presente me vejo tristemente caminhando nas ruas solitárias de um tempo gelado gotículas de sereno caindo e sendo empurradas pelos ventos delirantes. E eu subindo a rua, subindo os morros cambaleando, e na mente o desejo de ser levado com o vento e ser gotículas de sereno viajantes. Faz-se silêncio total Presente eu me encontro à porta de um casebre antigo de tempos esquecidos, olhando ao longe, a distante cidade de edifícios gigantes, e me sinto tão pequeno e sozinho. A todo tempo me vêem lembranças na mente que me enchem de nostalgia que se confundem no tempo. Luzes, lugares, momentos, tristeza, dor, infância, inocência. um flash e toda cena se refaz encontro-me agora sobre um monte em uma noite de luar de poucas estrelas

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