Desde aquele momento, vivi em luto.
Um constante luto a perseguir-me.
Quando eu caminhava e em certos momentos de incertezas
Parava a olhar para trás e medir a distância
Entre mim, e de meu luto
Notava que... Não, sabia que o tempo tinha
Parado com meus passos e ao olhar para
O lado, era capaz de enxergar o vulto
Do que nunca passou.
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Fujo então na noite e subo o morro
para me encontrar com os ruídos naturais da noite,
O som do vento sob a luz da lua;
a presença sutil do cricrilar noturno
Observo o ruído natural das coisas
se misturar com o silêncio que parte de mim: sem desejar nada
sem insinuar nada,
sem a necessidade de ser
conviver ou de viver
Uma perspectiva me tira do silêncio profundo e da reflexão do nada
e me faz pensar sobre o contraste da cidade, de casa simples e desalinhadas
para edifícios luxuosos ao Horizonte
que não me diz nada e me diz tudo que já sei
Subitamente imagino que estou num globinho, dentro de um globinho,
preso dentro desses globinhos
e me sinto sufocado como se
o globinho não fosse o suficiente para necessidade de liberdade que sonho
Desço de minhas ilusões,
da caixa d'água e do morro
caminho pelas veredas,
serpenteando as ruas que vi
rumo a casa que observei
Indo de encontro com as ilusões
que imaginei, lá de cima,
do morro e da caixa d'água.
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Hoje penso, deitado sobre a cama, e reflito sobre algumas coisas ditas ali, outras ditas em outras ocasiões e reflito. Embora eu não seja o tema da cena anterior, e nem o motivo do perdão do velho.
As vezes em que me sinto marginalizado e esquecido. Penso, ora, "eu não mereço tanto o perdão do velho quanto o de minha mãe?" O velho diz que fui fruto indesejado e julga minha mãe de ter tentado me tirar a vida, mas o próprio velho cometeu uma espécie de aborto paterno, ambos foram egoísta e imaturos, o velho exalta seus poucos sacrifício paterno e negligência uma vida inteira de responsabilidade como pai. Se se sacrificar nos primeiros anos e negligenciar os anos de formação e achar que os sacrifícios do pouco que foi feito compensa no muito que foi esquecido e isto o faz se sentir melhor, o que é isso se não egoísmo? Nunca me pediu perdão, pelo contrário, coloca toda a culpa da negligência nas costas de minha mãe e usa isso como justificativa de sua falta. O reconhecimento de que tive uma infância difícil não me é alheio, mas o pedido de desculpa me falta. As lágrimas do arrependimento me faltam e isso me comove. Penso as vezes que o papel que o velho deveria exercer sobre mim é o mesmo que exerço agora sobre ele. Quando eu mais precisava, nunca o tive, mas agora, quando todo mundo o abandonou, eu sempre estou lá, lembrando do papel que ele nunca fez.
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Vislumbro o semblante concentrado da moça de karkafanum
Vejo sentada no parque de büsthem
Ela lia um singular livro antigo, daqueles que se consegue em leilões baratos, são livros de planetas que já foram destruídos.
Esse em particular eu reconheci, porque sou historiador; estudo a história da literatura dos planetas extintos do qual me dediquei a escrever uma árdua e longa enciclopédia da literatura do planeta Terra. Fiz um inventário inteiro de livros de cada época, classifiquei-os em datas, gêneros e em popularidade (O tempo que esse projeto levou, me custou uns quilos a mais e algumas doenças pulmonares por causa do cigarro).
Que incrível era aquele livro, que achado! Trata- se do clássico e magnífico "David Copperfield" de Charles Dickens.
Quando me aproximei, encantado, com os olhos brilhando de lágrimas emocionada, perguntei-lhe o que estava achando da leitura, e ela disse:
"É diferente sabe, o contexto histórico... Nunca vi coisa parecida, veja: é um livro de formação e isso eu entendi, mas a precisão com que o eu-lírico descreve os acontecimentos é absurda".
Vi através de suas expressões faciais certa confusão em compreender aquilo que era tão alheio à sua realidade.
Expliquei-lhe então, – segundo o que eu sabia – que em um romance de formação, uma das ideias que o compunha era o resgate da memória, a "precisão" era criada A Partir dos fragmentos da memória, era uma construção fictícia e não o fato em si. Disse-lhe mais, que segundos livros terráqueos metodológicos da época, essa construção, ou seja, essa forma de narrativa se dava através dos acontecimentos empíricos, muito diferente do que acontecem em karkafanum, onde tudo é abstrato.
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Vejo o homem solitário na porta da casa
Seu nome se traduz em solidão
Quando abro meu portão e saio
me entristece o coração
Ver o homem em solidão
Sozinho na rua vazia da negritude da noite
Olho para ele e ele a mim
E o comprimento e ele a mim
E com um sorriso carinhoso e silencioso verdadeiro e afetuoso
então penso com pesar
Nos momentos de pensar
Os raros momento em que pensamos em uma crítica social, quando a empatia supera o egoísmo e enxergamos além de nossos umbigo e abraçamos o pesar do próximo
Me entristece ver através de suas janelas a tv sua, só em cor sempre muda
Sua presença quase oculta e quando vista, sempre muda
Sofre eu e sofre o homem em solidão
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Se em momentos de tristeza agitada
Que vem das primeiras lembranças no amanhecer —Como se o pensamento clamasse urgência logo no alvorecer— Surgiu-me então o pensamento nela
E nela se concentrou longo momento das primeiras horas
e permaneceu Bem depois do levantar do sol
E do findar da aurora
E o pensamento nela segue permanente em minha memória
Sempre se criando, sempre se moldando, sempre se transformando
seus traços, seu jeito, seus cabelos em que eu imaginava como ondas ondulantes que diante a pedra se rebate e sobre ela se levanta
Com seu sorriso longo de momentos raros de primeira lua
Imagino ela dançando como um espectro na memória
Suas pintas espalhados pelo corpo formavam uma constelação
brilhando como estrela sobre a escuridão
Ouço som de sua risada ecoando como melodia, que enche de alegria os corações mais restrito
Seus olhos que esconde mistério, neste místico momento é etéreo, brilhoso e profundo; de uma profundidade que penetra a alma e tira de lá os segredos mais profundo
Seu nome um dia já foi mistério, Mas hoje é vulto; um vulto belo
em tempos sombrios
imaginava-se como uma borboleta cuja mística silhueta era gravada nas folhas Amarelas de livros velhos.
Com saudosas lembranças natawski
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Vulto inesquecível trêmulante e ruidoso
Os teus sons são inesquecíveis
Que no profundo abismo soá e ecoa
em todo dia a vejo presente
Tu, saudosa melancólia insistente
Vulto pertinente e oculto
Os teus sons diário escuto, lembrando dos momentos teu e choro o luto, ó vulto meu.
Quando me vejo perdendo algo que não tenho
Me vejo perdendo um sonho
Sonho que vejo-os distante e desvio os olhos
Sonhos que são cheios de desconfianças
Fugindo de olhos cobiçosos
Vejo o sonho observando, vejo-os cogitando
Criando idéia sobre mim ou eu criando.
Quimérico, pueril, sigiloso e sibilino
Sobre o sono o sonho
Engenhoso ou sem sentido
Às vezes evidente, lógico e análogo
Noutras vezes atrás se escondem
De paredes abstratas.
Do silêncio absoluto que atordoa os sentidos
tornando o claro sonho em oculto indistinto
E sobre oculto a sensação de estarem perto
O irreal, abstrato irresistível.
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Surge espontaneamente, uma lembrança
Que de tão gélida, pálida toda a cena
Esqueço toda luzes e monte e não existe
Mais nada, somente um pensamento
Enraizado que a todo tempo dizia:
Se eu soubesse entender melhor o mundo
seus mistérios incompreensíveis
talvez poderia me sentir mais compreendido.
Se eu tivesse a noção que naquele dia
algo ruim me aguardava;
Se a premonição de meu velho fosse mais exata...
Coisas ruins sempre me acontecem quando alguém as pressentia.
Ideias errada em momentos errado
É a fórmula que ocasiona a desgraça
Pensei por fim.
Se pude suportar todo caos
e se não pude,
só o que restava era resistir,
mas tinha uma compreensão sensata e lógica que libertava das correntes do desespero e da maldita cólera
e essa compreensão cintilava como proteção das indolentes acusações
de palavras raivosas
produzidas por sentimentos em desespero.
Sobre lembranças conflituosas
que sempre volto a recordar
às vezes busco neste emaranhado de lembranças torpes, momentos bons e sentimentos bons que se encontram em algum lugar.
Se penso nessas lembranças,
muitas vezes difícil de envocar
e sinto vontade de esquecê-las
porque dói só de lembrar,
mas penso que no meio delas vive um momento bom para rememorar:
um amor vivido num meio de turbulência,
um apoio emocional,
um lugar especial de espairecimento,
um clima de chuva,
céu nublado e coisas a se agarrar
que valem a pena recordar.
Sei porque sempre sou jogado aqui,
nessa memória:
Não é para reviver um momento doído,
mas para encontrar o que houve de bom
na tempestade conflituosa momentânea da vida.
Mesmo nessa memória de ameaça e morte, lembro da pessoa que mais amei amar.
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Como de súbito, surge um clarão,
um clarão branco intenso e opaco que
lentamente se desfaz,
só para dar forma a um cenário,
Ainda indistinto aqui de cima, onde vou caindo lentamente, olhar fixado na silhueta de uma casa distinta, sinto que a reconheço.
Do meu peito uma batida mais intensa se faz, onde a lembrança me entorpece, então me vejo deitado agora em um quarto e definitivamente a bruma se desfaz.
Sinto a consciência de um pós sono,
olho para cima e vejo no extremo da parede rodeada por vários pontos cintilantes de um branco amarelado, estático, iluminando o lugar.
Agora, deitado sobre essa cama que deitei mil vezes e sobre esse teto que dormir mil noites e banhado por essa luz que iluminou mil pesadelos e ainda sim, sei que
só um momento distinto
distinguem todos os outros mil momentos
Deste triste lugar
Quando a cena muda, carregado de um silêncio presente
me vejo tristemente caminhando nas ruas solitárias de um tempo gelado
gotículas de sereno caindo e sendo empurradas pelos ventos delirantes.
E eu subindo a rua, subindo os morros cambaleando, e na mente o desejo de ser levado com o vento e ser gotículas de sereno viajantes.
Faz-se silêncio total
Presente eu me encontro à porta de um casebre antigo de tempos esquecidos, olhando ao longe, a distante cidade de edifícios gigantes, e me sinto
tão pequeno e sozinho.
A todo tempo me vêem lembranças na mente que me enchem de nostalgia que se confundem no tempo.
Luzes, lugares, momentos, tristeza, dor, infância, inocência.
um flash e toda cena se refaz
encontro-me agora sobre um monte
em uma noite de luar de poucas estrelas
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