abc III, e o ultimo dos abc
Hoje penso, deitado sobre a cama, e reflito sobre algumas coisas ditas ali, outras ditas em outras ocasiões e reflito. Embora eu não seja o tema da cena anterior, e nem o motivo do perdão do velho. As vezes em que me sinto marginalizado e esquecido. Penso, ora, "eu não mereço tanto o perdão do velho quanto o de minha mãe?" O velho diz que fui fruto indesejado e julga minha mãe de ter tentado me tirar a vida, mas o próprio velho cometeu uma espécie de aborto paterno, ambos foram egoísta e imaturos, o velho exalta seus poucos sacrifício paterno e negligência uma vida inteira de responsabilidade como pai. Se se sacrificar nos primeiros anos e negligenciar os anos de formação e achar que os sacrifícios do pouco que foi feito compensa no muito que foi esquecido e isto o faz se sentir melhor, o que é isso se não egoísmo? Nunca me pediu perdão, pelo contrário, coloca toda a culpa da negligência nas costas de minha mãe e usa isso como justificativa de sua falta. O reconhecimento de que tive uma infância difícil não me é alheio, mas o pedido de desculpa me falta. As lágrimas do arrependimento me faltam e isso me comove. Penso as vezes que o papel que o velho deveria exercer sobre mim é o mesmo que exerço agora sobre ele. Quando eu mais precisava, nunca o tive, mas agora, quando todo mundo o abandonou, eu sempre estou lá, lembrando do papel que ele nunca fez.
Adriano
Esse relato se coincide com o de tantas outras pessoas que não tem como não levar em consideração. É um sentimento que se espalha por aí
proudmoore
é verdade amigo, impossível ignorar tantos casos parecido nesse Brasil e tanto trauma que decorre de situação semelhantes. acho que abrir um pequeno espaço pra cada tema que obscurece ou da luz a meu espírito, de toda forma o abc já foi expurgado.
ferreira
profundo e detalhista! muito bom!
proudmoore
obrigado amigo, fico feliz que tenha gostado