a literatura de karkafanum é abstrata
Vislumbro o semblante concentrado da moça de karkafanum Vejo sentada no parque de büsthem Ela lia um singular livro antigo, daqueles que se consegue em leilões baratos, são livros de planetas que já foram destruídos. Esse em particular eu reconheci, porque sou historiador; estudo a história da literatura dos planetas extintos do qual me dediquei a escrever uma árdua e longa enciclopédia da literatura do planeta Terra. Fiz um inventário inteiro de livros de cada época, classifiquei-os em datas, gêneros e em popularidade (O tempo que esse projeto levou, me custou uns quilos a mais e algumas doenças pulmonares por causa do cigarro). Que incrível era aquele livro, que achado! Trata- se do clássico e magnífico "David Copperfield" de Charles Dickens. Quando me aproximei, encantado, com os olhos brilhando de lágrimas emocionada, perguntei-lhe o que estava achando da leitura, e ela disse: "É diferente sabe, o contexto histórico... Nunca vi coisa parecida, veja: é um livro de formação e isso eu entendi, mas a precisão com que o eu-lírico descreve os acontecimentos é absurda". Vi através de suas expressões faciais certa confusão em compreender aquilo que era tão alheio à sua realidade. Expliquei-lhe então, – segundo o que eu sabia – que em um romance de formação, uma das ideias que o compunha era o resgate da memória, a "precisão" era criada A Partir dos fragmentos da memória, era uma construção fictícia e não o fato em si. Disse-lhe mais, que segundos livros terráqueos metodológicos da época, essa construção, ou seja, essa forma de narrativa se dava através dos acontecimentos empíricos, muito diferente do que acontecem em karkafanum, onde tudo é abstrato.
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