neste lugar I
Como de súbito, surge um clarão, um clarão branco intenso e opaco que lentamente se desfaz, só para dar forma a um cenário, Ainda indistinto aqui de cima, onde vou caindo lentamente, olhar fixado na silhueta de uma casa distinta, sinto que a reconheço. Do meu peito uma batida mais intensa se faz, onde a lembrança me entorpece, então me vejo deitado agora em um quarto e definitivamente a bruma se desfaz. Sinto a consciência de um pós sono, olho para cima e vejo no extremo da parede rodeada por vários pontos cintilantes de um branco amarelado, estático, iluminando o lugar. Agora, deitado sobre essa cama que deitei mil vezes e sobre esse teto que dormir mil noites e banhado por essa luz que iluminou mil pesadelos e ainda sim, sei que só um momento distinto distinguem todos os outros mil momentos Deste triste lugar Quando a cena muda, carregado de um silêncio presente me vejo tristemente caminhando nas ruas solitárias de um tempo gelado gotículas de sereno caindo e sendo empurradas pelos ventos delirantes. E eu subindo a rua, subindo os morros cambaleando, e na mente o desejo de ser levado com o vento e ser gotículas de sereno viajantes. Faz-se silêncio total Presente eu me encontro à porta de um casebre antigo de tempos esquecidos, olhando ao longe, a distante cidade de edifícios gigantes, e me sinto tão pequeno e sozinho. A todo tempo me vêem lembranças na mente que me enchem de nostalgia que se confundem no tempo. Luzes, lugares, momentos, tristeza, dor, infância, inocência. um flash e toda cena se refaz encontro-me agora sobre um monte em uma noite de luar de poucas estrelas
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