Sei mais do que demonstro
(E não somos todos assim?)
Costuma haver uma falha
Na comunicação adequada
Perante determinados juízos.
Dito isso, me comunico menos,
Escrevendo melhor que dizendo
Coisas cotidianas
Tanto quanto distantes,
Projetando o que não quero ser:
Me domina.
Num giro, posso descer e subir
Com o vento ou com veneno
Do que possa me possuir.
No instante do inocente com malícia,
Como todos nascemos.
Hoje posso dormir melhor do que ontem
Nem por isso descanso
Dessa rotina que vai me consumindo:
Rumino.
Penso tanto,
Que acho que existo pelo pensamento:
O desejo do nirvana
Condensado num irreal tão profundo
Que se torna real.
Parece tolo, parece banal.
Tanto que nem prestamos atenção
No que escapa a nossa razão
Cansados da curiosidade do eterno momento -
No retorno
De onde não estou.
Cada ciclo um novo lançamento
Cada ideia lançada,
Um novo argumento.
É dos cansados que se fez o mundo,
Do patriarcado fedendo.
Não sentimos nosso próprio odor
Apenas porque estamos acostumados,
Vivendo no eterno compasso
De tentar um prazer
(E a mais)
Até o final do dia.
Insistimos na insônia sutil
Do poder coletivo falido
Sustentado pela miséria: dos ricos.
Maior que o amor próprio,
Só o amor coletivo,
Além de qualquer distância
Composto pela constante onda
Que envolve a rede por onde caminho.
Amo e odeio ao mesmo tempo...
(Somos todos assim!?)
O aviso do cérebro é só mais um
Entre tantos espalhados pelo corpo.
Ao me aproximar do outro
Recebo a energia do devir
Óbvio e próximo: tentamos não enxergar.
Sou capaz de distorcer, idealizar
Jogar pra longe o que não quero
Numa birra onde a ignorância
É o próprio remédio.
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Não sei qual tragédia sentir
Entre todas as quais
Me sinto conectada
Num emaranhado emocionado
E confuso, apertado.
A vida ainda, é selvagem:
Sempre seremos,
Usufruindo dos compostos da morte
Para nos proteger e pertencer
A quem tem sorte.
Pura ilusão... Deus...
Não sei porque sempre repito,
Mas Deus não é necessariamente divino,
Talvez cada pessoa que colocamos
Nessa posição.
Eu amo, reajo e luto,
Na contramão de uma ilusão
De ótica, sinapses, que se perdem
E se desesperam
Por ver um desejo que desse certo.
Que caminhasse tranquilo
Numa revolução anárquika,
Com o inevitável caos
Em liberdade de ser e aprender.
Exercício constante do sábio selvagem
A quem gostaria de entender.
Ainda precisamos sobreviver o tempo todo
E "como primatas", ficamos loucos.
O erro não é desculpa, é raciocínio,
Mas sem amor, não conte comigo.
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Queria ter deixado mais claro
Quando você me fazia feliz.
O cotidiano é tão sofrido - sem parar,
E nos acostumamos com isso.
Ficamos juntos, no meio da confusão,
E não nos desapegamos dela.
E eu não sei por que eu amo,
Nem exatamente como,
Só sei que isso existe.
O descaso com qualquer sentimento
É um grande mito.
Infelizmente, não me acostumo com isso,
Mesmo - as vezes - acreditando que deveria
Viver em plena apatia,
Como o ar, que entra e sai
Sem quaisquer resistências.
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Olho pra cima,
Me encontro no espectro:
Sempre saindo do lugar
Atenta e confusa
Aos diversos estímulos que me tocam.
Me sinto como a bipolar
Que explode em mania
Sem controle da sua consciência
E sofre, depois, arrependida
Percebendo-se cega
Aos próprios desejos e carências.
Mas o que escolhi?
Neurótica, sei que reprimi.
Imersa na linha limítrofe
De ser ou não ser abandonado,
Rejeitado, mau amado e temido
Bicho do mato, meu pai dizia,
Quando só queria um descanso
De qualquer outro
Ser humano: intuitivo.
A culpa de sermos ruim,
O sacrifício do ser arrependido
Que louva em troca e consolo,
Do deus que não tem culpa
Da sua própria criação.
Tudo muito irônico, sensato e engarrafado
Em teorias coleções de faz de contas
Fantasias que nos remonta...
A que? Essa é a questão?
Amor eterno, felizes para sempre,
Incondicional gratidão?
A espécie mais social e mais psicopata
Que destrói o próprio chão.
Vendo ser ela mesma o problema:
São os pais as famílias as heranças
Todos os reis e nossos ancestrais:
Ao inconsciente coletivo
Emaranhado numa armadilha
Sabendo que no momento,
Não há escapatória:
Paralisa em depressão
À uma ansiedade sem memória,
Imaginaria e polêmica.
Não seriam os sensatos os esquizofrênicos?
Justamente por não os entendermos.
Quem no fundo acredita no fluido,
Sente que há uma verdade em tudo isso
Mas nem precisava haver!
A vida é o que se move, sem enaltecer.
Fóbica, não quero nenhuma atenção sob mim,
São várias as doenças que apontam, enfim,
E qual o outro lado então?
Não ouso me aventurar,
Sei que posso ficar presa num olhar.
Porque vejo a beleza, e cansei de confusão
Compadeço cansada, à exaustão:
Sem motivo.
Eu amo, não sei amar,
Nem ser amada.
O verbo amar é diferente de ser.
É nisso que os cristãos apelam:
Porque a gente sente
Mas sentir a luz não me faz crer em Zeus.
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Aceitar o simples fato, de que tudo está conectado, nas consequências uma das outras. Continuamos tentando nos reconhecer fora dessa linha. Como se nossos atos não tivessem as suas funções, no momento em que se liberta.
A conexão é linda, mas quanto mais linda, maior o medo. Pessoas que sentem na raiz a rejeição da terra, podem não se acostumar a tudo o que realmente interessa. Estão quase sempre voando, necessitando permanecer fora desse mundo.
Tranquilidade na alma, doente do pé. Há muitas coisas que não são escolhas, mas não deixam de mostrar resultado.
E quando precisa-se estar sozinha para acalmar, qualquer contato pode atrapalhar.
Meu trauma não é exatamente trauma. Mas reações diretas nos trazem consequências negativas. Mesmo quando crianças, quando não entendemos nada do mundo (ou é o máximo que chegamos entendendo tudo?)
Me distraio encontrando uma razão
A filosofar, tentando encontrar uma solução
Um lugar.
Pena que a vida não é só razão
É muito mais sentir, e chorar.
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A produção é um encanto,
O trabalho uma tortura pra alma.
As leis devem ser cumpridas
Para nos organizarmos
Ou realizar a constante manutenção
Do sistema centralizado?
Nada funciona muito bem,
Mas aqui estamos dia após dia.
Batendo a cara para sermos considerados
Incompetentes, otários
Tentando recuperar a organização
De todos os tentáculos
Que a chefe balança para todos os lados.
O salário é ruim, mas a tomada no cu é até pior.
Se dizem que precisamos de líderes,
Provem a qualidade que isso pode ter
Antes de nos fazer acreditar, sem acontecer.
Então voltamos à tal da propaganda anti assédio
Conscientizando o contrario
Por cansaço, rebeldia ou tédio.
Quem abre a boca faz palco pra ódio,
A novela vai se desenvolvendo
Até perdermos a noção
De quem é honesto e quem é vilão.
Recursos desumanizados,
Recrutando para além
Da profunda ironia
De tudo o que pode acontecer
Com todos os funcionários.
Enquanto você trabalha a defender
O patrão do empregado.
Neo-operários técnicos administrativos Respondendo a todas as críticas
Que também vivencia.
Xingado, culpado
Da falta de direito
De quem permanece do outro lado
- do mesmo barco.
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Pouco a pouco imergimos
Em redes de navegação online
Que entregava muito mais
Do que queríamos.
Mais que nossos professores ensinavam,
Mais que nossos pais aprenderam.
Assuntos além
Do qual nossos amigos falavam.
Possibilidades de ler outras coisas
Conhecer outras pessoas
Outros filmes
Outras músicas
Outras oitavas.
O que era diferente atraia, conectava.
O rock estava na moda,
No rádio, foi pro MP3 e MP4.
O conceito de poser causava brigas a esmo
Queríamos ser alguma coisa
Que realmente éramos
Mesmo que fôssemos estranhos,
Bizarros, não é mesmo?
Como mina podia usar roupa masculina,
Andando de skate com a molecada.
Tinha cara berrando pra fora
Tudo o que não aguentava.
O grito era libertador, e acalmava.
Desconfiamos o sentido de muita coisa
Que estava errada.
E o punk rock salvou muita gente...
E por salvar eu quero dizer o básico,
Nada tão contente.
Não temos herói, heroina na vida real.
A gente erra pra caralho e erra feio,
Cada um do seu jeito, sem igual.
Principalmente quando estamos fodidos.
E ainda, querendo um mundo melhor!
Um bando de adolescente perdido,
Aprendendo sobre anarquismo.
Vejo que o erro inspira...
Tem que inspirar.
Alguns foram pra vários caminhos,
De punk a supremacista,
Desconfiados ou trabalhando na polícia.
Aposto que muitas minas aprenderam a vida,
Ao som de Bulimia,
O que não a impede
De vivenciar situações abusivas.
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A utopia prevalece,
Não importa que o ideal não aconteça.
É o caminho,
Um passo à esquerda,
Algo que nos fortaleça.
O respeito que mais desejamos
Oferecer e receber.
Fora isso, temos que trabalhar
Temos que sobreviver.
Comer e alimentar o mínimo de esperança,
Para acordar no dia seguinte.
Lutar para fazer tudo
O que o corpo permite.
Sempre me questionava,
Por que os adultos não fazem nada?
Hoje estou doente, contaminada.
Cada um sobrevive como pode,
Eu não tenho mais respostas.
Mas não me convenço,
Não me importa.
Me chamar de cabeça dura,
Se o sonho de liberdade coletiva
Te parecer hipócrita,
Inocente, ultrapassado,
Conservador? Libertário.
Não consigo ficar quieta,
Mas julgam tudo o que digo.
Posso supor
Continuo sendo o patinho feio,
No espaço corporativo.
Gosto de trabalhar, admito.
Também gosto de escrever,
Criar, ir para o mundo da lua
Alucinar!
Meio sem futuro
Como os comerciais Sex Pistols
Meio vendida
Como qualquer punk
Que ganha um dinheirinho.
Mal tratada como qualquer mulher
Insubmissa,
Não importa como finalizo.
Continuar lendo
Além das quatro paredes,
Os muros se erguem a cada questionamento.
Gostaria de me expressar,
Mas parecem justificativas, argumentos.
Sigo minha linha de raciocínio
E distraída, não vejo a próxima curva,
Cheia de surpresa, há uma desconfiança,
Me sinto confusa.
Após tanta procura concluo,
Não há saída:
A paz se desfaz na miragem mais bonita.
Filosófica utopia
Onde o amor parece ser uma filosofia.
Amor se sente, amor se pensa,
Amor se fala, amor se faz.
Procurando a saída, me sinto incapaz.
Não há ninguém ao lado:
Há alguém por cima,
Controlando meus passos.
Me consolo, acabo dormindo.
Espero o sol nascer
No chão do labirinto.
Acordo cansada, buscando sobreviver.
São várias as tarefas
Que nos distraem da questão.
São várias as tentativas
Andando na contramão.
Sobreviver ainda é uma forma de estar vivo.
Dia após dia me levanto:
Não desisto.
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O calor veio mais cedo novamente.
Hoje tem promessa de chuva,
Com o vento que acorda as folhas das árvores
Estapeando portas e janelas.
As máquinas gemem, os grilos cantam.
Vozes dispersas
E quase contentes pela sexta feira
A quase meia noite...
O ronco na sala
Denuncia um cansaço tão profundo
Que vibra na garganta
Ressoando nas paredes.
Dependendo do humor,
Atinge diferente.
Uma tosse no quarto
Onde o ar condicionado voa ligado...
As portas fechadas barram
Todo esse vento gratuito que sacode aqui fora.
Não importa, daqui a pouco o gato chega
E devo fechar todas as portas e janelas
Numa espécie de prisão noturna,
Mas prefiro substituir pelo termo, casulo.
Casulo noturno protegido pela coruja atenta
E medrosa, que dorme na certeza
Da segurança dos filhos.
São muitas as luzes acesas, e olhos fechados.
São muitos objetos guardados
Desperdiçando espaço
Impedindo uma tranquilidade aberta,
Imaterial e ativa.
A preguiça não é passiva.
De um jeito ou de outro, uma energia flui.
De fora, por dentro,
As vezes se perde num ciclo vicioso
Quando acha um espaço mais gostoso
E não quer voltar a sentir
As couraças tão apertadas...
As veias, saltitantes, dilatadas,
Seguem adiante em sinapses inconsoladas
Até que chegue
O tiozinho da receptação de serotonina...
O despertador toca, o sino canta,
Hora de bater o ponto, arregaçar as mangas...
Todo dia a mesma faxina
Sujos como os cantos dos móveis
Que atrai a aranha e seus filhotes.
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