Foto de Morga

Morga

@Morganna · desde 2019

50 poemas 105 seguidores 113 seguindo

Seguir

23h

Sei mais do que demonstro (E não somos todos assim?) Costuma haver uma falha Na comunicação adequada Perante determinados juízos. Dito isso, me comunico menos, Escrevendo melhor que dizendo Coisas cotidianas Tanto quanto distantes, Projetando o que não quero ser: Me domina. Num giro, posso descer e subir Com o vento ou com veneno Do que possa me possuir. No instante do inocente com malícia, Como todos nascemos. Hoje posso dormir melhor do que ontem Nem por isso descanso Dessa rotina que vai me consumindo: Rumino. Penso tanto, Que acho que existo pelo pensamento: O desejo do nirvana Condensado num irreal tão profundo Que se torna real. Parece tolo, parece banal. Tanto que nem prestamos atenção No que escapa a nossa razão Cansados da curiosidade do eterno momento - No retorno De onde não estou. Cada ciclo um novo lançamento Cada ideia lançada, Um novo argumento. É dos cansados que se fez o mundo, Do patriarcado fedendo. Não sentimos nosso próprio odor Apenas porque estamos acostumados, Vivendo no eterno compasso De tentar um prazer (E a mais) Até o final do dia. Insistimos na insônia sutil Do poder coletivo falido Sustentado pela miséria: dos ricos. Maior que o amor próprio, Só o amor coletivo, Além de qualquer distância Composto pela constante onda Que envolve a rede por onde caminho. Amo e odeio ao mesmo tempo... (Somos todos assim!?) O aviso do cérebro é só mais um Entre tantos espalhados pelo corpo. Ao me aproximar do outro Recebo a energia do devir Óbvio e próximo: tentamos não enxergar. Sou capaz de distorcer, idealizar Jogar pra longe o que não quero Numa birra onde a ignorância É o próprio remédio.

Continuar lendo

Café preto

Não sei qual tragédia sentir Entre todas as quais Me sinto conectada Num emaranhado emocionado E confuso, apertado. A vida ainda, é selvagem: Sempre seremos, Usufruindo dos compostos da morte Para nos proteger e pertencer A quem tem sorte. Pura ilusão... Deus... Não sei porque sempre repito, Mas Deus não é necessariamente divino, Talvez cada pessoa que colocamos Nessa posição. Eu amo, reajo e luto, Na contramão de uma ilusão De ótica, sinapses, que se perdem E se desesperam Por ver um desejo que desse certo. Que caminhasse tranquilo Numa revolução anárquika, Com o inevitável caos Em liberdade de ser e aprender. Exercício constante do sábio selvagem A quem gostaria de entender. Ainda precisamos sobreviver o tempo todo E "como primatas", ficamos loucos. O erro não é desculpa, é raciocínio, Mas sem amor, não conte comigo.

Continuar lendo

Aliança na mesa

Queria ter deixado mais claro Quando você me fazia feliz. O cotidiano é tão sofrido - sem parar, E nos acostumamos com isso. Ficamos juntos, no meio da confusão, E não nos desapegamos dela. E eu não sei por que eu amo, Nem exatamente como, Só sei que isso existe. O descaso com qualquer sentimento É um grande mito. Infelizmente, não me acostumo com isso, Mesmo - as vezes - acreditando que deveria Viver em plena apatia, Como o ar, que entra e sai Sem quaisquer resistências.

Continuar lendo

Autoanalise

Olho pra cima, Me encontro no espectro: Sempre saindo do lugar Atenta e confusa Aos diversos estímulos que me tocam. Me sinto como a bipolar Que explode em mania Sem controle da sua consciência E sofre, depois, arrependida Percebendo-se cega Aos próprios desejos e carências. Mas o que escolhi? Neurótica, sei que reprimi. Imersa na linha limítrofe De ser ou não ser abandonado, Rejeitado, mau amado e temido Bicho do mato, meu pai dizia, Quando só queria um descanso De qualquer outro Ser humano: intuitivo. A culpa de sermos ruim, O sacrifício do ser arrependido Que louva em troca e consolo, Do deus que não tem culpa Da sua própria criação. Tudo muito irônico, sensato e engarrafado Em teorias coleções de faz de contas Fantasias que nos remonta... A que? Essa é a questão? Amor eterno, felizes para sempre, Incondicional gratidão? A espécie mais social e mais psicopata Que destrói o próprio chão. Vendo ser ela mesma o problema: São os pais as famílias as heranças Todos os reis e nossos ancestrais: Ao inconsciente coletivo Emaranhado numa armadilha Sabendo que no momento, Não há escapatória: Paralisa em depressão À uma ansiedade sem memória, Imaginaria e polêmica. Não seriam os sensatos os esquizofrênicos? Justamente por não os entendermos. Quem no fundo acredita no fluido, Sente que há uma verdade em tudo isso Mas nem precisava haver! A vida é o que se move, sem enaltecer. Fóbica, não quero nenhuma atenção sob mim, São várias as doenças que apontam, enfim, E qual o outro lado então? Não ouso me aventurar, Sei que posso ficar presa num olhar. Porque vejo a beleza, e cansei de confusão Compadeço cansada, à exaustão: Sem motivo. Eu amo, não sei amar, Nem ser amada. O verbo amar é diferente de ser. É nisso que os cristãos apelam: Porque a gente sente Mas sentir a luz não me faz crer em Zeus.

Continuar lendo

Efeito Borboleta

Aceitar o simples fato, de que tudo está conectado, nas consequências uma das outras. Continuamos tentando nos reconhecer fora dessa linha. Como se nossos atos não tivessem as suas funções, no momento em que se liberta. A conexão é linda, mas quanto mais linda, maior o medo. Pessoas que sentem na raiz a rejeição da terra, podem não se acostumar a tudo o que realmente interessa. Estão quase sempre voando, necessitando permanecer fora desse mundo. Tranquilidade na alma, doente do pé. Há muitas coisas que não são escolhas, mas não deixam de mostrar resultado. E quando precisa-se estar sozinha para acalmar, qualquer contato pode atrapalhar. Meu trauma não é exatamente trauma. Mas reações diretas nos trazem consequências negativas. Mesmo quando crianças, quando não entendemos nada do mundo (ou é o máximo que chegamos entendendo tudo?) Me distraio encontrando uma razão A filosofar, tentando encontrar uma solução Um lugar. Pena que a vida não é só razão É muito mais sentir, e chorar.

Continuar lendo

Transtorno Desafiador-Opositor

A produção é um encanto, O trabalho uma tortura pra alma. As leis devem ser cumpridas Para nos organizarmos Ou realizar a constante manutenção Do sistema centralizado? Nada funciona muito bem, Mas aqui estamos dia após dia. Batendo a cara para sermos considerados Incompetentes, otários Tentando recuperar a organização De todos os tentáculos Que a chefe balança para todos os lados. O salário é ruim, mas a tomada no cu é até pior. Se dizem que precisamos de líderes, Provem a qualidade que isso pode ter Antes de nos fazer acreditar, sem acontecer. Então voltamos à tal da propaganda anti assédio Conscientizando o contrario Por cansaço, rebeldia ou tédio. Quem abre a boca faz palco pra ódio, A novela vai se desenvolvendo Até perdermos a noção De quem é honesto e quem é vilão. Recursos desumanizados, Recrutando para além Da profunda ironia De tudo o que pode acontecer Com todos os funcionários. Enquanto você trabalha a defender O patrão do empregado. Neo-operários técnicos administrativos Respondendo a todas as críticas Que também vivencia. Xingado, culpado Da falta de direito De quem permanece do outro lado - do mesmo barco.

Continuar lendo

2000 e pouco

Pouco a pouco imergimos Em redes de navegação online Que entregava muito mais Do que queríamos. Mais que nossos professores ensinavam, Mais que nossos pais aprenderam. Assuntos além Do qual nossos amigos falavam. Possibilidades de ler outras coisas Conhecer outras pessoas Outros filmes Outras músicas Outras oitavas. O que era diferente atraia, conectava. O rock estava na moda, No rádio, foi pro MP3 e MP4. O conceito de poser causava brigas a esmo Queríamos ser alguma coisa Que realmente éramos Mesmo que fôssemos estranhos, Bizarros, não é mesmo? Como mina podia usar roupa masculina, Andando de skate com a molecada. Tinha cara berrando pra fora Tudo o que não aguentava. O grito era libertador, e acalmava. Desconfiamos o sentido de muita coisa Que estava errada. E o punk rock salvou muita gente... E por salvar eu quero dizer o básico, Nada tão contente. Não temos herói, heroina na vida real. A gente erra pra caralho e erra feio, Cada um do seu jeito, sem igual. Principalmente quando estamos fodidos. E ainda, querendo um mundo melhor! Um bando de adolescente perdido, Aprendendo sobre anarquismo. Vejo que o erro inspira... Tem que inspirar. Alguns foram pra vários caminhos, De punk a supremacista, Desconfiados ou trabalhando na polícia. Aposto que muitas minas aprenderam a vida, Ao som de Bulimia, O que não a impede De vivenciar situações abusivas.

Continuar lendo

2000 e tantos

A utopia prevalece, Não importa que o ideal não aconteça. É o caminho, Um passo à esquerda, Algo que nos fortaleça. O respeito que mais desejamos Oferecer e receber. Fora isso, temos que trabalhar Temos que sobreviver. Comer e alimentar o mínimo de esperança, Para acordar no dia seguinte. Lutar para fazer tudo O que o corpo permite. Sempre me questionava, Por que os adultos não fazem nada? Hoje estou doente, contaminada. Cada um sobrevive como pode, Eu não tenho mais respostas. Mas não me convenço, Não me importa. Me chamar de cabeça dura, Se o sonho de liberdade coletiva Te parecer hipócrita, Inocente, ultrapassado, Conservador? Libertário. Não consigo ficar quieta, Mas julgam tudo o que digo. Posso supor Continuo sendo o patinho feio, No espaço corporativo. Gosto de trabalhar, admito. Também gosto de escrever, Criar, ir para o mundo da lua Alucinar! Meio sem futuro Como os comerciais Sex Pistols Meio vendida Como qualquer punk Que ganha um dinheirinho. Mal tratada como qualquer mulher Insubmissa, Não importa como finalizo.

Continuar lendo

Encurralada

Além das quatro paredes, Os muros se erguem a cada questionamento. Gostaria de me expressar, Mas parecem justificativas, argumentos. Sigo minha linha de raciocínio E distraída, não vejo a próxima curva, Cheia de surpresa, há uma desconfiança, Me sinto confusa. Após tanta procura concluo, Não há saída: A paz se desfaz na miragem mais bonita. Filosófica utopia Onde o amor parece ser uma filosofia. Amor se sente, amor se pensa, Amor se fala, amor se faz. Procurando a saída, me sinto incapaz. Não há ninguém ao lado: Há alguém por cima, Controlando meus passos. Me consolo, acabo dormindo. Espero o sol nascer No chão do labirinto. Acordo cansada, buscando sobreviver. São várias as tarefas Que nos distraem da questão. São várias as tentativas Andando na contramão. Sobreviver ainda é uma forma de estar vivo. Dia após dia me levanto: Não desisto.

Continuar lendo

Triangulo das casas

O calor veio mais cedo novamente. Hoje tem promessa de chuva, Com o vento que acorda as folhas das árvores Estapeando portas e janelas. As máquinas gemem, os grilos cantam. Vozes dispersas E quase contentes pela sexta feira A quase meia noite... O ronco na sala Denuncia um cansaço tão profundo Que vibra na garganta Ressoando nas paredes. Dependendo do humor, Atinge diferente. Uma tosse no quarto Onde o ar condicionado voa ligado... As portas fechadas barram Todo esse vento gratuito que sacode aqui fora. Não importa, daqui a pouco o gato chega E devo fechar todas as portas e janelas Numa espécie de prisão noturna, Mas prefiro substituir pelo termo, casulo. Casulo noturno protegido pela coruja atenta E medrosa, que dorme na certeza Da segurança dos filhos. São muitas as luzes acesas, e olhos fechados. São muitos objetos guardados Desperdiçando espaço Impedindo uma tranquilidade aberta, Imaterial e ativa. A preguiça não é passiva. De um jeito ou de outro, uma energia flui. De fora, por dentro, As vezes se perde num ciclo vicioso Quando acha um espaço mais gostoso E não quer voltar a sentir As couraças tão apertadas... As veias, saltitantes, dilatadas, Seguem adiante em sinapses inconsoladas Até que chegue O tiozinho da receptação de serotonina... O despertador toca, o sino canta, Hora de bater o ponto, arregaçar as mangas... Todo dia a mesma faxina Sujos como os cantos dos móveis Que atrai a aranha e seus filhotes.

Continuar lendo