Morga @Morganna

23h

Sei mais do que demonstro (E não somos todos assim?) Costuma haver uma falha Na comunicação adequada Perante determinados juízos. Dito isso, me comunico menos, Escrevendo melhor que dizendo Coisas cotidianas Tanto quanto distantes, Projetando o que não quero ser: Me domina. Num giro, posso descer e subir Com o vento ou com veneno Do que possa me possuir. No instante do inocente com malícia, Como todos nascemos. Hoje posso dormir melhor do que ontem Nem por isso descanso Dessa rotina que vai me consumindo: Rumino. Penso tanto, Que acho que existo pelo pensamento: O desejo do nirvana Condensado num irreal tão profundo Que se torna real. Parece tolo, parece banal. Tanto que nem prestamos atenção No que escapa a nossa razão Cansados da curiosidade do eterno momento - No retorno De onde não estou. Cada ciclo um novo lançamento Cada ideia lançada, Um novo argumento. É dos cansados que se fez o mundo, Do patriarcado fedendo. Não sentimos nosso próprio odor Apenas porque estamos acostumados, Vivendo no eterno compasso De tentar um prazer (E a mais) Até o final do dia. Insistimos na insônia sutil Do poder coletivo falido Sustentado pela miséria: dos ricos. Maior que o amor próprio, Só o amor coletivo, Além de qualquer distância Composto pela constante onda Que envolve a rede por onde caminho. Amo e odeio ao mesmo tempo... (Somos todos assim!?) O aviso do cérebro é só mais um Entre tantos espalhados pelo corpo. Ao me aproximar do outro Recebo a energia do devir Óbvio e próximo: tentamos não enxergar. Sou capaz de distorcer, idealizar Jogar pra longe o que não quero Numa birra onde a ignorância É o próprio remédio.

Comentários · 1

  1. Arturo

    Parabéns, gostei muito!