Morga @Morganna

2000 e pouco

Pouco a pouco imergimos Em redes de navegação online Que entregava muito mais Do que queríamos. Mais que nossos professores ensinavam, Mais que nossos pais aprenderam. Assuntos além Do qual nossos amigos falavam. Possibilidades de ler outras coisas Conhecer outras pessoas Outros filmes Outras músicas Outras oitavas. O que era diferente atraia, conectava. O rock estava na moda, No rádio, foi pro MP3 e MP4. O conceito de poser causava brigas a esmo Queríamos ser alguma coisa Que realmente éramos Mesmo que fôssemos estranhos, Bizarros, não é mesmo? Como mina podia usar roupa masculina, Andando de skate com a molecada. Tinha cara berrando pra fora Tudo o que não aguentava. O grito era libertador, e acalmava. Desconfiamos o sentido de muita coisa Que estava errada. E o punk rock salvou muita gente... E por salvar eu quero dizer o básico, Nada tão contente. Não temos herói, heroina na vida real. A gente erra pra caralho e erra feio, Cada um do seu jeito, sem igual. Principalmente quando estamos fodidos. E ainda, querendo um mundo melhor! Um bando de adolescente perdido, Aprendendo sobre anarquismo. Vejo que o erro inspira... Tem que inspirar. Alguns foram pra vários caminhos, De punk a supremacista, Desconfiados ou trabalhando na polícia. Aposto que muitas minas aprenderam a vida, Ao som de Bulimia, O que não a impede De vivenciar situações abusivas.

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