Triangulo das casas
O calor veio mais cedo novamente. Hoje tem promessa de chuva, Com o vento que acorda as folhas das árvores Estapeando portas e janelas. As máquinas gemem, os grilos cantam. Vozes dispersas E quase contentes pela sexta feira A quase meia noite... O ronco na sala Denuncia um cansaço tão profundo Que vibra na garganta Ressoando nas paredes. Dependendo do humor, Atinge diferente. Uma tosse no quarto Onde o ar condicionado voa ligado... As portas fechadas barram Todo esse vento gratuito que sacode aqui fora. Não importa, daqui a pouco o gato chega E devo fechar todas as portas e janelas Numa espécie de prisão noturna, Mas prefiro substituir pelo termo, casulo. Casulo noturno protegido pela coruja atenta E medrosa, que dorme na certeza Da segurança dos filhos. São muitas as luzes acesas, e olhos fechados. São muitos objetos guardados Desperdiçando espaço Impedindo uma tranquilidade aberta, Imaterial e ativa. A preguiça não é passiva. De um jeito ou de outro, uma energia flui. De fora, por dentro, As vezes se perde num ciclo vicioso Quando acha um espaço mais gostoso E não quer voltar a sentir As couraças tão apertadas... As veias, saltitantes, dilatadas, Seguem adiante em sinapses inconsoladas Até que chegue O tiozinho da receptação de serotonina... O despertador toca, o sino canta, Hora de bater o ponto, arregaçar as mangas... Todo dia a mesma faxina Sujos como os cantos dos móveis Que atrai a aranha e seus filhotes.
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