Autoanalise
Olho pra cima, Me encontro no espectro: Sempre saindo do lugar Atenta e confusa Aos diversos estímulos que me tocam. Me sinto como a bipolar Que explode em mania Sem controle da sua consciência E sofre, depois, arrependida Percebendo-se cega Aos próprios desejos e carências. Mas o que escolhi? Neurótica, sei que reprimi. Imersa na linha limítrofe De ser ou não ser abandonado, Rejeitado, mau amado e temido Bicho do mato, meu pai dizia, Quando só queria um descanso De qualquer outro Ser humano: intuitivo. A culpa de sermos ruim, O sacrifício do ser arrependido Que louva em troca e consolo, Do deus que não tem culpa Da sua própria criação. Tudo muito irônico, sensato e engarrafado Em teorias coleções de faz de contas Fantasias que nos remonta... A que? Essa é a questão? Amor eterno, felizes para sempre, Incondicional gratidão? A espécie mais social e mais psicopata Que destrói o próprio chão. Vendo ser ela mesma o problema: São os pais as famílias as heranças Todos os reis e nossos ancestrais: Ao inconsciente coletivo Emaranhado numa armadilha Sabendo que no momento, Não há escapatória: Paralisa em depressão À uma ansiedade sem memória, Imaginaria e polêmica. Não seriam os sensatos os esquizofrênicos? Justamente por não os entendermos. Quem no fundo acredita no fluido, Sente que há uma verdade em tudo isso Mas nem precisava haver! A vida é o que se move, sem enaltecer. Fóbica, não quero nenhuma atenção sob mim, São várias as doenças que apontam, enfim, E qual o outro lado então? Não ouso me aventurar, Sei que posso ficar presa num olhar. Porque vejo a beleza, e cansei de confusão Compadeço cansada, à exaustão: Sem motivo. Eu amo, não sei amar, Nem ser amada. O verbo amar é diferente de ser. É nisso que os cristãos apelam: Porque a gente sente Mas sentir a luz não me faz crer em Zeus.
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